UOL Notícias Internacional
 

12/03/2008

Sexo torna políticos estúpidos, logo chegou a hora das mulheres estarem no poder?

The New York Times
Maureen Dowd

Em Fairless Hills, Pensilvânia
Quando eu achava que minha cabeça explodiria ao tentar entender a matemática dos delegados, eu sou atingida pela matemática das garotas de programa.

A aritmética de conseguir uma prostituta que seja tanto experiente quanto inspiradora é ainda mais complicada do que a aritmética de conseguir um presidente que seja tanto experiente quanto inspirador.

Se você é um governador frugal que não gosta nem mesmo de pagar a conta de seus consultores políticos, diferente de um xeque árabe ou um apostador perdulário de Las Vegas, você realmente precisa desembolsar US$ 4.300, mais despesas do minibar, para uma empresa fantasma por duas horas com uma mulher de reputação duvidosa? Não há prostitutas mais baratas no (site de classificados) Craiglist? Faz você imaginar quão afiado era o lápis de Eliot Spitzer (o governador de Nova York) na disciplina fiscal do Estado.

E como aquele Rolo Compressor Nº 1 repentinamente se transformou no Cliente Nº 9, um nome de amor com toque de uma colônia Gucci para homens de preço exagerado, dando muitos milhares por muitos anos para uma rede de prostituição cujo preço por hora de suas garotas é cotado na escala de diamantes, de 1 a 7, com 7 custando US$ 3.100, e acima de 7 em um clube especial por US$ 5.500 ou mais?
SEXO E PODER
Hiroko Masuike/The New York Times
Eliot Spitzer, anuncia sua renúncia ao cargo de governador de Nova York ao lado da mulher Silda Wall Spitzer
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(Um amigo meu, que conhece os modos dos obstinados, explicou que os cafetões sem dúvida tinham um jogo de trapaça tanto quanto uma empresa fantasma: "Eles dizem: 'Você pode ficar com a Jane. Ela custa US$ 1.000 a hora. Ou pode ficar com a Tiffany, por US$ 5 mil a hora'. O cliente não sabe que Jane e Tiffany são a mesma garota. Os clientes não vão exatamente comparar anotações. 'Eu paguei US$ 5 mil pela Kristen. Você só pagou US$ 1 mil pela Chrissy?'")

Se sangue terá sangue, como Shakespeare disse em "Macbeth", o poder terá sexo.

Algumas pessoas entenderam a saga de Eliot Ness no bordel, a velha história do fariseu pego em flagrante delito, como um sinal de que uma mulher devia ser presidente.

"Eu pensaria na história de nosso estimado governador como prova de que precisamos de uma mulher na presidência", uma mulher que conheço disse em uma mensagem por e-mail.

Outra mulher mandou o oposto em um e-mail para um amigo: "Eu espero que isto faça as pessoas lembrarem de Monica Lewinsky. Será que escândalos sexuais podem ser oportunos?"

Nos tempos modernos, você raramente vê qualquer homem apoiando palidamente suas esposas.

Mas no passado, as mulheres se envolviam com sexo e poder. Quando Bette Davis interpretou Elizabeth I, ela sempre enviava seus amantes para a Torre de Londres quando voltavam seus olhos para suas damas de companhia. Catarina, a Grande, não foi conhecida por sua moderação. Sem falar de Agripina e Cleópatra, é claro.

Hillary não deve ter ficado satisfeita em estar em todos os comentários "apóie seu marido" na TV, ou ouvir a lista dos 10 mais de Spitzer de David Letterman, que incluiu: "Eu achei que Bill Clinton tinha legalizado estas coisas anos atrás".

Lyndon Johnson já observou que as duas coisas que tornam os políticos mais estúpidos do que qualquer outra coisa são o sexo e a inveja.

Enquanto Spitzer lutava com a história do sexo na terça-feira, a campanha de Clinton lutava com a história da inveja.

Geraldine Ferraro, que ajudou Walter Mondale a perder 49 Estados em 1984, estava claramente incomodada com o que considerava uma ascensão fácil de Obama ao status de celebridade e ao sucesso eleitoral. Na última sexta-feira, Ferraro, que faz parte do comitê nacional de finanças de Hillary, disse ao "Daily Breeze", um jornal de Torrance, Califórnia: "Se Obama fosse branco, ele não estaria nesta posição. E se fosse mulher (de qualquer cor), ele não estaria nesta posição. Ele por acaso tem muita sorte de ser quem é. E o país foi pego no conceito".

Obama reconheceu quando chegou ao Senado que recebeu mais atenção, seu grande contrato para livro e sua celebridade por não ser branco. Ele era apenas o terceiro senador negro eleito desde a Reconstrução.

Mas enquanto fazia campanha aqui na terça-feira, ele ficou ultrajado com os comentários de Ferraro. "Eles são divisores", ele disse. "Eu acho que qualquer um que entenda a história deste país sabe que são claramente absurdos."

O estrategista de campanha de Obama, David Axelrod, disse que Ferraro deveria ser removida de seu posto de campanha, o que a deixou ainda mais irritada. Ela disse ao "Times" na noite de terça-feira que estava "lívida", acrescentando: "Toda vez que você diz algo a alguém sobre a campanha de Obama, imediatamente se torna um ataque racista".

Quando Ferraro se sentiu tratada com condescendência pela equipe de Mondale, ela sugeriu aos assessores dele: "Toda vez que falarem comigo, ou mesmo olharem para mim, façam de conta que sou um cavalheiro sulista grisalho, um senador do Texas".

Hillary nunca teria que fingir ser um homem para obter o respeito de seus assessores, provando que ela superou o gênero de uma forma que Ferraro nunca conseguiu. George El Khouri Andolfato

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