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13/03/2008

Aumento no tráfego da Internet gera preocupação com congestionamento

The New York Times
Steve Lohr
Atenção: Tráfego pesado de Internet à frente. Atrasos possíveis.

Por meses há um crescente coro de alarme com o crescimento do fluxo de dados pela Internet. A ameaça, segundo alguns grupos do setor, analistas e pesquisadores, deriva principalmente da crescente riqueza visual das comunicações e entretenimento online -videoclipes e filmes, redes sociais e jogos para multijogadores.

As imagens em movimento, bem mais do que as palavras e sons, são rios volumosos de bits digitais enquanto percorrem as conexões e portas, exigindo, no jargão do setor, uma maior largura de banda. No ano passado, segundo uma estimativa, o site de vídeo YouTube, de propriedade da Google, consumiu mais largura de banda do que toda a Internet em 2000.

Em um relatório amplamente citado publicado em novembro passado, uma firma de pesquisa projetou que a demanda de Internet pelos usuários poderá ultrapassar a capacidade da rede em 2011. O título de um debate marcado para o próximo mês, em uma conferência de tecnologia em Boston, resume a ansiedade: "O Fim da Internet?"

Mas o aumento do tráfego na Internet representa mais um desafio que se aproxima do que uma catástrofe iminente. Mesmo aqueles mais preocupados não estão prevendo um apagão da Internet. Um usuário individual, eles dizem, experimentaria um congestionamento de Internet na forma de velocidades lentas de download e a frustração com o fato de serviços mais pesados em dados se tornarem menos úteis ou agradáveis.

"A Internet não entrará em colapso, mas haverá um crescente número de coisas que não serão possíveis de ser feitas online", disse Johna Till Johnson, presidente da Nemertes Research, que previu a crise da largura de banda em 2011, prevendo que a demanda crescerá 100% ou mais por ano.

Outros estão menos preocupados, pelo menos a curto prazo. Andrew M. Odlyzko, um professor da Universidade de Minnesota, estima que o tráfego digital na rede global está crescendo 50% ao ano, em acordo com uma recente análise da Cisco Systems, a grande fabricante de equipamento de rede.

Isto soa como uma taxa de crescimento intimidante. Mas a tecnologia para lidar com o tráfego de Internet também está avançando em um ritmo impressionante. Os computadores roteadores para transmissão de dados estão ficando mais rápidos, a transmissão por fibra óptica está cada vez melhor e os programas que gerenciam os pacotes de dados estão mais inteligentes.

"O crescimento de 50% é grande. É imenso, mas basicamente corresponde às melhorias que a tecnologia nos oferece", disse Odlyzko, um ex-pesquisador dos laboratórios da AT&T. A demanda não sobrecarregará a Internet, ele disse.

A questão da gravidade do problema é mais do que técnica, já que afetará a forma e o custo da política do país em infra-estrutura de banda larga, um assunto que deverá atrair atenção política depois que um novo governo assumir em Washington.

Apesar dos especialistas debaterem a urgência do desafio, eles concordam que ele aponta para uma questão maior. Na era da Internet, eles dizem, redes de alta velocidade são cada vez mais as placas de petri econômicas e científicas da inovação, gerando novos negócios, mercados e empregos. Se o investimento americano for insuficiente, eles alertam, o país corre o risco de perder competitividade para países que estão priorizando o acesso à Internet de velocidade mais alta.

"A questão de longo prazo é: onde acontecerá a inovação?", disse Odlyzko. "De onde virá o próximo Google, YouTube, eBay ou Amazon?"

A Internet, apesar de ser uma rede global, é de muitas formas surpreendentemente local. Ela é uma vasta amálgama de redes menores, todas ligadas. As preocupações com o congestionamento no tráfego digital realmente não envolvem as principais linhas tronco da Internet, o equivalente às superestradas da rede. Em vez disso, o problema está mais próximo de casa -a capacidade dos switches, roteadores e cabos que entram em casa. O custo do cabeamento de fibra óptica de alta velocidade até um lar, estimam os analistas, pode ser de US$ 1 mil ou mais.

Este é o motivo para as velocidades de acesso à Internet variarem tanto de um país para outro. Ela depende dos padrões locais de investimento corporativo e subsídio do governo. Frederick J. Baker, um pesquisador da Cisco, participou de uma conferência profissional no mês passado em Taiwan, onde o acesso à Internet é duas vezes mais rápido e custa bem menos do que seu serviço premium de "alta velocidade" na Califórnia.

"Quando eu menciono meu próprio serviço, as pessoas aqui balançam a cabeça em descrença", disse Baker, que é membro do conselho da Internet Society, uma organização sem fins lucrativos que ajuda a guiar os padrões e políticas para Internet.

Nos Estados Unidos, o investimento necessário para lidar com o aumento do tráfego de Internet precisará ser feito em vários níveis, não apenas nos provedores por cabo e de telecomunicações. Tim Pozar, um engenheiro e co-proprietário da empresa de serviços de Internet UnitedLayer, em San Francisco, disse que várias forças estão se somando: o aumento de aplicativos de vídeo de alto consumo de largura de banda nos sites, a necessidade de lidar com tráfego de mais dispositivos com capacidade de Internet, como celulares, e falta de energia elétrica para centros de dados em locais como San Francisco.

"Nós estamos perdendo potência para acomodar a demanda", disse Pozar, cujos centros de dados da empresa hospedam sites de clientes que variam de museus a redes sociais. "E as atualizações necessárias nos centros de dados serão muito mais caras do que no passado, agora que todo o excesso de capacidade que sobrou após o estouro da bolha pontocom foi devorado."

O ritmo da futura demanda é uma grande incerteza que cerca o desafio do tráfego na Internet, assim como quão rapidamente as pessoas adotarão as tecnologias emergentes, que é notoriamente difícil de prever.

Após o estouro da bolha de tecnologia em 2000, havia uma fartura de capacidade -chamada "dark fiber" (fibra às escuras), espalhada ao redor do mundo e não utilizada. Agora a demanda está alcançando a oferta. Em sua previsão de mais de 100% de crescimento anual, a Nemertes, uma firma de pesquisa de telecomunicações, presume uma rápida adoção de inovações como vídeo conferência de ponta, conhecida como telepresença, que as corporações estão começando a adotar como alternativa às viagens caras e que consomem tempo.

Se esta tecnologia se tornar um produto de consumo nos próximos poucos anos, como alguns analistas prevêem, o tráfego de Internet poderia crescer ainda mais acentuadamente.

Bate-papo por vídeo é algo que William Bentley, um nova-iorquino de 13 anos, gostaria de ver. Ele é um representante da próxima geração de consumidor digital: ele produz e posta seus próprios vídeos no YouTube, assina aos canais do YouTube, curte jogos para multijogadores como "World of Warcraft" e "Unreal Tournament", e baixa música e vídeos.

Ao ser perguntado sobre o que gostaria a seguir na Internet, ele respondeu: "Seria bom se todos estivessem sempre presentes -apenas clicar e poder ver todos claramente e conversar com as pessoas".

Um serviço desses certamente exigiria mais largura de banda e mais investimento, com custos mais altos por todo o espectro do ecossistema da Internet, incluindo provedoras por cabo e de telecomunicações, empresas de Internet, sites e até mesmo os consumidores.

A AT&T, por exemplo, disse na semana passada que gastará US$ 1 bilhão neste ano -o dobro de seus gastos em 2006- para expandir sua infra-estrutura no exterior.

Mas mesmo se o investimento não for suficiente, não haverá apagão na Internet. A Internet já sobreviveu a previsões de colapso no passado, mais notadamente a de Robert M. Metcalfe, um empreendedor e pioneiro da rede, que em uma coluna de revista em 1995 alertou sobre um "colapso catastrófico" da Internet em 1996. Ocorreram problemas no serviço, mas nada como o que Metcalfe previu, e no palco de uma conferência em 1997, ele engoliu suas palavras, literalmente.

"A Internet provou ser maravilhosamente resistente", disse Metcalfe, que agora é um capitalista de risco. "Mas a Internet está vulnerável no momento. Não é que sofrerá um colapso, mas oportunidades serão perdidas." George El Khouri Andolfato

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