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13/03/2008

Comentário racista contra Obama derruba assessora de Hillary

The New York Times
Patrick Healy e Jeff Zeleny*
Do New York Times
Após a primária democrata na Carolina do Sul ter se transformado em racialmente divisora em janeiro, os senadores Hillary Rodham Clinton, de Nova York, e Barack Obama, de Illinois, basicamente declararam uma trégua e colocaram um fim à briga entre seus campos. Mas nesta semana, a raça novamente lançou uma sombra na disputa entre os dois.

Na quarta-feira, uma importante aliada de Clinton, Geraldine A. Ferraro, a candidata democrata à vice-presidência em 1984 e que integrava o comitê de finanças da senadora, deixou a campanha após ser criticada pelos assessores de Obama, entre outros, por seus recentes comentários de que "se Obama fosse branco, ele não estaria nesta posição" de importante candidato presidencial.

Ferraro não retirou o comentário. Clinton, apesar de tê-lo considerado lamentável, não rompeu com ela.

Ruth Fremson/The New York Times 
Geraldine Ferraro fez comentário considerado racista em relação a Obama e não o retirou

Obama, falando aos repórteres na quarta-feira, disse não acreditar que "há uma diretriz na campanha de Hillary dizendo: 'Vamos acentuar os elementos raciais na campanha'. Eu certamente não gostaria de pensar nisso".

Ele disse estar confuso com o fato de, após mais de um ano de campanha, raça e gênero estarem mais proeminentes do que antes.

"Eu não quero negar o papel de raça e gênero na nossa sociedade", ele disse. "Eles existem e são poderosos. Mas não acho que seja produtivo."

Mas raça, assim como gênero, estão nas entrelinhas da campanha democrata desde que os dois candidatos buscaram ser o primeiro negro ou a primeira mulher a liderar uma chapa presidencial de partido. Nas primárias e convenções nos últimos meses, Clinton desfrutou de apoio substancial junto às mulheres, enquanto Obama cada vez atrai mais votos dos negros.

A primária de terça-feira no Mississippi, um Estado onde o eleitorado é historicamente polarizado em termos raciais, gerou uma das votações mais divididas racialmente. Clinton recebeu 8% dos votos dos negros, enquanto Obama recebeu 26% dos votos dos brancos, segundo as pesquisas de boca-de-urna da Edison/Mitofsky para a agência de notícias "The Associated Press" e para as redes de televisão.

Os assessores de Hillary disseram na quarta-feira que estavam preocupados com a posição dela junto aos negros, antes um importante eleitorado para ela e seu marido, mas que também acreditam que o apoio dos negros a Obama já é uma conclusão certa a esta altura.

Eles disseram que estão pensando em formas de obter avanços junto aos negros na Pensilvânia, onde será realizada a próxima primária, em 22 de abril.

A decisão de Clinton de não afastar Ferraro, que fez seus comentários na semana passada para o "Daily Breeze" em Torrance, Califórnia, deixou um fantasma de raça pairando sobre a disputa democrata.

A decisão provocou forte censura na quarta-feira do reverendo Al Sharpton, um líder político negro de Nova York e ex-candidato presidencial, que questionou se a campanha de Hillary estava mantendo o assunto vivo como forma de conquistar os votos dos brancos na Pensilvânia.

Além do comentário de Ferraro, Sharpton citou a decisão de Hillary de não demitir seu principal aliado na Pensilvânia, o governador Edward G. Rendell, após dizer em fevereiro que alguns eleitores brancos dali "provavelmente não estão prontos para votar em um candidato afro-americano".

"Quando você não escuta uma condenação total de Ferraro, quando você escuta Rendell dizer que há brancos que nunca votarão em um negro, não dá para deixar de se perguntar se a campanha de Hillary tem uma estratégia de apelo aos eleitores com base em raça", disse Sharpton em uma entrevista. "Eu espero que a sra. Clinton deixe claro que não está fazendo isso."

Sharpton concorreu contra Ferraro em 1992 em Nova York, em uma primária por uma cadeira no Senado.

Howard Wolfson, o diretor de comunicações da campanha de Hillary, disse em resposta: "Ela deixou bem claro. Ela deixa claro o tempo todo".

Desde virtualmente o início da disputa entre Hillary e Obama em janeiro de 2007, eles buscam se mover além de raça e gênero, reconhecendo que suas possíveis indicações seriam históricas, mas dizendo que estão concorrendo com base em suas qualificações.

Ao mesmo tempo, cada um tem usado o assunto contra o outro. Os assessores de Obama sugeriram que Hillary estava explorando a questão do gênero no final do ano passado, após um debate brutal no qual vários candidatos do sexo masculino a criticaram.

Os assessores de Hillary e o ex-presidente Bill Clinton sugeriram que candidatos negros tinham se saído bem na Carolina do Sul no passado apenas por causa do apoio dos negros de lá.

Apesar de Obama não ter pedido diretamente pela demissão de Ferraro do comitê de finanças da campanha de Hillary, seus assessores trabalharam para manter o assunto vivo, promovendo uma coletiva de imprensa para atrair atenção para o comentário.

Na quarta-feira, Obama chamou o comentário de "equivocado", mas disse não acreditar que Ferraro pretendesse que fosse racista.

"A campanha de Hillary tem falado mais durante os últimos dois meses sobre que grupos a estão apoiando e que grupos estão me apoiando, tentando argumentar que o motivo para que ela seja indicada é o fato de existir um segmento do eleitorado que Obama não consegue atingir", ele disse. "E isto parece seguir uma certa demografia racial."

Os assessores de Obama notaram que o apoio a ele entre os eleitores brancos do Mississippi aumentou, em certo grau, em comparação ao da Carolina do Sul, quando alguns democratas temiam que Obama poderia ser rotulado como um candidato com apelo apenas junto aos eleitores negros.

A raça sem dúvida foi um elemento definidor das disputas pela indicação até o momento. Hillary foi apoiada por apenas 5% dos eleitores negros em Illinois, o Estado natal de Obama; 8% em Wisconsin, onde os eleitores negros correspondiam a apenas 8% da primária democrata; 9% em Delaware; 10% na Virgínia; e 11% na Geórgia, todos Estados vencidos por Obama.

Obama foi apoiado por 16% dos eleitores brancos em Arkansas; 23% na Flórida, onde os candidatos não realizaram campanha; 24% na Carolina do Sul, quando John Edwards ainda estava competindo, e 25% no Alabama.

*Dalia Sussman contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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