UOL Notícias Internacional
 

13/03/2008

Prostituição: o mito do crime sem vítima

The New York Times
Melissa Farley e Victor Malarek*
O que você sabe sobre a mulher que o governador Eliot Spitzer supostamente contratou como prostituta? Ela foi a única pessoa que ele ignorou no seu pedido de desculpas. Neste momento por quais problemas ela está passando? Será que ela está ameaçada pelo crime organizado devido ao que sabe? Alguém está oferecendo a ela aconselhamento jurídico ou alternativas à prostituição?

"Estou aqui por um motivo", disse ela em uma conversa com o seu agente de programas após o encontro com Spitzer, de acordo com o relatório do agente do FBI que investigou a rede de prostituição. "Sei qual é o meu objetivo. Não sou idiota, você sabe o que quero dizer".

O objetivo dela, como explicou pacientemente um homem que conhece esse tipo de atividade, é "alugar" um órgão por dez minutos. Os homens alugam mulheres pela Internet ou por telefones celulares como se estivessem alugando carros. E, agora, em resposta às notícias relativas a Spitzer, os especialistas estão imersos em debates antiqüíssimos no sentido de determinar se a prostituição é um crime sem vítima ou se as mulheres são altamente prejudicadas pela prostituição, não importando o quanto recebam.
SEXO E PODER
Hiroko Masuike/The New York Times
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De quem é essa teoria de que a prostituição não faz vítimas? São os homens que compram as prostitutas que disseminam os mitos de que as mulheres escolhem a prostituição, de que elas ficam ricas e de que a atividade é glamourosa e excitante para aquelas que a praticam.
Mas a maioria das mulheres envolvidas com a prostituição, incluindo aquelas que trabalham para serviços de acompanhantes, foi sexualmente abusada na infância, segundo revelam os estudos. O incesto encaminha as jovens para a prostituição - ao fazer com que elas saibam o quanto valem e o que se espera delas. Outras forças que direcionam as mulheres para a prostituição travestida de serviços de acompanhantes são as dificuldades econômicas e o racismo.

O Emperor's Club apresenta-se como um serviço de acompanhantes de elite. Mas, tirando o fato de que cobra mais caro, ele funciona como qualquer esquema de prostituição. Os cafetões ficam com 50% do dinheiro. O Emperor's Club muitas vezes exige que as mulheres forneçam sexo duas vezes por hora. Uma mulher que teve o telefone grampeado indicou que não seria capaz de agüentar tal pressão. A rede operava em todos os Estados Unidos e na Europa. O transporte das mulheres para se prostituírem é mascarado pela descrição "encontros de viagem".

Telefonistas do Emperor's Club criticaram uma das mulheres por ter abreviado a duração das suas sessões com os fregueses para que pudesse buscar os filhos na escola. "Como regra geral, as garotas que têm filhos tendem a ser um pouco mais complicadas".

Não importa se a mulher está em um quarto de hotel ou em uma rua no carro de alguém, se foi levada pelo tráfico de Nova York para Washington ou do México para a Flórida ou do centro da cidade para um subúrbio, a experiência de ser prostituída causa a ela um imenso dano psicológico e físico. E tudo isso começa com o comprador.

* Melissa Farley é autora do livro "Prostitution and Trafficking in Nevada: Making the Connections" ("Prostituição e Tráfico em Nevada: Fazendo as Conexões"). Victor Malarek é autor de "The Natashas: Inside the New Global Sex Trade" ("As Natashas: Dentro do Novo Comércio Sexual Global"). UOL

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