UOL Notícias Internacional
 

13/03/2008

Sexo e poder: ligações realmente perigosas

The New York Times
Tracy Quan*
Como ex-prostituta, fico perplexa com aquilo que é anunciado como sendo a preferência do governador Eliot Spitzer pela forma mais arriscada de prostituição entre quatro paredes que eu já experimentei. As agências de acompanhantes são constantemente investigadas, infiltradas e espionadas.

Eu trabalhei para duas agências de acompanhantes quando ingressei na indústria do comércio sexual, e ambas foram fechadas - não por Spitzer, mas sob circunstâncias que ele reconheceria. Fiquei apavorada quando a polícia invadiu o apartamento que funcionava como escritório de agendamento de encontros para a segunda agência. Aquelas de nós que não foram presas ouviram comentários de cunho racista dos policiais durante cerca de duas horas.

Eu escolhi trabalhar para um serviço de acompanhantes porque era jovem, começava em uma indústria precária, estava sozinha na cidade e, assim como aqueles clientes azarados que são presos em batidas policiais nas ruas, não possuía conexões com pessoas influentes. Trabalhar para um serviço de acompanhantes foi uma maneira de ganhar a vida e ter um lugar para morar. Mas quando apareceu uma chance para trabalhar para uma madame que possuía uma lista fixa de clientes confiáveis, fiquei aliviada.
SEXO E PODER
Hiroko Masuike/The New York Times
Eliot Spitzer, anuncia sua renúncia ao cargo de governador de Nova York ao lado da mulher Silda Wall Spitzer
LIGAÇÕES REALMENTE PERIGOSAS
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O fato de alguém como o governador procurar sexo através de um serviço de acompanhantes pela Internet é impressionante.

Os serviços de acompanhantes são arriscados. Quando eles são fechados pelas autoridades, a vida das pessoas vira de pernas para o ar. Muitas de nós jamais se recuperam. Conforme me disse uma garota de programa quando eu procurava uma forma mais segura de trabalhar, "Se você for presa, não quero conhecê-la". Ninguém quer trabalhar com uma pessoa que se meteu em uma visível encrenca, e aquele período imediatamente posterior a uma operação policial não é o melhor momento da sua vida para começar a procurar um emprego mais convencional. Uma condenação judicial acabará com as suas chances de ser contratada.

Nunca fui favorável à prisão e à humilhação dos homens que pagam por sexo. Os clientes que se metem em encrenca não são, em sua maioria, políticos importantes como Eliot Spitzer. O "crime" deles é o fato de serem pobres ou estarem iniciando as suas vidas profissionais.

No entanto, os homens que contam com boas conexões geralmente procuram prostitutas que foram recomendadas por amigos, e que não possuem websites. É de se esperar que as agências de acompanhantes estejam fora de questão para indivíduos experientes que desejam proteger o casamento e a carreira.

Segundo a minha experiência, uma sensação de que há uma conexão pessoal na vida sexual desses clientes faz com que eles se sintam mais seguros. Nem todos os clientes sexuais são drogados em busca de riscos ou caçadores de aventuras. Muitos são cautelosos e não são capazes de desfrutar do sexo a menos que se encontrem em um ambiente calmo e seguro.

Depois que o escândalo de Spitzer veio à tona, Alan Dershowitz procurou explicar a escolha infeliz de Spitzer fazendo generalizações tolas a respeito dos homens que pagam por sexo - afirmando que eles não usam o cérebro. Mas eu encontrei muitos homens que usavam o cérebro muito bem.

Sob todos os pontos de vista, Eliot Spitzer não parece ser um desses homens.

*Tracy Quan é autora dos romances "Diary of a Manhattan Girl" ("Diário de uma Garota de Manhattan") e "Diary of a Married Call Girl" ("Diário de uma Garota de Programa Casada").

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