UOL Notícias Internacional
 

14/03/2008

Candidato moderado representa a nova geração política do Irã

The New York Times
Nazila Fathi
Em Teerã, Irã
Durante a campanha para a eleição presidencial de 2005, Mohammad Khoshchehreh foi um dos maiores defensores da candidatura de Mahmoud Ahmadinejad no Parlamento.

Khoshchehreh, economista e planejador urbano, aparecia freqüentemente em público em nome de Ahmadinejad, criticando o desempenho econômico de seu principal oponente, o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani.

Três meses depois da posse de Ahmadinejad, contudo, Khoshchehreh tornou-se um de seus piores críticos. Menos de três anos depois, com as eleições parlamentares se aproximando na sexta-feira (14/3), muitos outros ex-defensores também se tornaram críticos, e há muita revolta com o desemprego, a inflação e a falta de combustível neste país rico em petróleo.

Atta Kenare/AFP - 13.mar.2008 
Iranianas em Teerã distribuem panfletos de candidatos reformistas às vésperas das eleições

Com a maior parte dos reformistas proibidos de concorrer por um conselho conservador, as eleições viraram uma competição entre os conservadores que ainda apóiam o presidente e os que se tornaram seus oponentes.

"Logo eu compreendi que concordava com os objetivos de Ahmadinejad, mas não com suas políticas", disse Khoshchehreh recentemente. "E a primeira crítica é que você não pode dirigir um país com projetos. Você tem que ter planos e políticas."

"Ahmadinejad, entretanto, não tinha nenhum plano", disse ele, referindo-se à política externa e econômica. "Ele quer dirigir o país com projetos de caridade, dando empréstimos."

Khoshchehreh está concorrendo à reeleição ao Parlamento na sexta-feira. Ele entrou para a política nas eleições há quatro anos. Ahmadinejad, que era prefeito de Teerã na época, fez de Khoshchehreh seu alto assessor por dois meses antes das eleições.

Khoshchehreh , 55, faz parte da nova geração de políticos no Irã que não se envolveu na revolução islâmica de 1979, nem na guerra com o Iraque de 1980 a 1988.

Entre 1979 e 2004, ele teve cargos administrativos no Ministério da Educação e ensinou economia em universidades estatais. Ele passou os anos de 1990 a 1993 no Reino Unido, fazendo doutorado na Universidade de Strathclyde, onde era membro do time de futebol.
ELEIÇÕES NO IRÃ
Atta Kenare /AFP - 13.mar.2008
Carro coberto com panfletos de candidato para o parlamento do Irã
FUNDAMENTALISTAS SÃO FAVORITOS


Diferentemente de alguns clérigos sombrios ou dos conservadores islâmicos, ele sorri facilmente, usa mangas curtas e é faixa preta no judô. Nas estantes em seu escritório na Faculdade de Economia da Universidade Teerã, ele tem dezenas de livros sobre teorias econômicas, mas também romances, como a versão em persa de "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez.

Khoshchehreh, entretanto, refere-se ao líder supremo religioso do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que tem a palavra final em todas as questões do Estado, com extremo respeito. Ele diz ser um 'principlista', um dos conservadores religiosos que apoiaram Ahmadinejad e que agora estão divididos entre seus defensores e seus críticos.

Para Khoshchehreh, um 'principlista' é um político que "é verdadeiro aos seus princípios e não sacrifica os interesses nacionais pelo bem dos interesses de seu partido".

Khoshchehreh foi um dos críticos do orçamento de Ahmadinejad no Parlamento em fevereiro. O orçamento ia permitir que o presidente retirasse US$ 65 bilhões (em torno de R$ 130 bilhões) do petróleo, comparados com os US$ 15 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) determinados pelo plano de quatro anos do país. Segundo ele, os defensores influentes do presidente do Parlamento tinham forçado aprovação do orçamento.

Khoshchehreh advertiu que as políticas econômicas de Ahmadinejad alimentaram a inflação e apenas tornaram os pobres mais pobres e os ricos mais ricos.

"A esperança do povo cresce como uma bolha quando os políticos fazem promessas populistas", disse Khoshchehreh. "Mas, se as esperanças não se materializam, a bolha estoura, e as conseqüências são desastrosas."

Khoshchehreh começou a expressar suas preocupações com o presidente já em outubro de 2005, três meses depois de Ahmadinejad assumir o cargo. "Os três princípios de dignidade, sabedoria e diligência são meros slogans na agenda de política externa do país", disse ele, segundo o jornal "Iran Daily", criticando a forma que o presidente estava abordando a política externa.

No ano passado, ele disse em uma entrevista à agência de notícias Isna que se preocupava que o fracasso de Ahmadinejad como presidente poderia deixar as pessoas desapontadas com a religião. Ele disse que isso podia acontecer porque Ahmadinejad dissera que seu governo seria baseado em valores religiosos.

"O fracasso do governo faria o sistema pagar o preço, a sociedade se moveria na direção do secularismo", advertiu.

Em recente entrevista, ele expressou preocupação com a abordagem de confronto de Ahmadinejad na política externa. "Essa abordagem pode ter resultados no curto prazo, mas não é adequada como política externa", disse ele.

Os analistas vêem Khoshchehreh como parte da nova classe políticos que se tornaram mais moderados pela necessidade de lidar com as realidades do governo como membros do Parlamento.

"Essas pessoas lidam com as crescentes demandas do povo", disse Hamidreza Jalaipour, socióloga e ex-política reformista. "Khoshchehreh é educado e compreende que tem que ser prático. Ele não recita slogans populistas." Deborah Weinberg

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