UOL Notícias Internacional
 

15/03/2008

Eleitores comparecem em grande número na eleição parlamentar iraniana

The New York Times
Nazila Fathi

Em Teerã, Irã
Aparentemente os iranianos comparecerem na sexta-feira em maior número do que o esperado para votar nas eleições parlamentares nacionais.

Em Teerã, filas se formaram nas grandes mesquitas onde a votação ocorreu.

Simpatizantes dos candidatos reformistas compareceram para votar nos locais de votação -especialmente nos bairros de classe média do centro e oeste de Teerã- exibindo cartões amarelos com a foto de Mohammad Khatami, o ex-presidente reformista, e os nomes de 30 candidatos reformistas.

"Eu estou votando porque não votei nas duas eleições anteriores", disse Mohammad Hossein Fozi, 27 anos. "Como resultado, pessoas que não gosto foram eleitas, e suas políticas afetaram minha vida."

Ahmed Jadallah/Reuters - 14.mar.2008 
Um clérigo deposita seu voto em urna de um local de votação em Qom, a 120 km de Teerã

Na mesquita Sadeghieh, no oeste de Teerã, mais de 100 pessoas aguardavam para votar. Uma médica, que se recusou a dar seu nome, disse que estava votando nos reformistas para que o próximo Parlamento pare de apoiar as políticas do presidente Mahmoud Ahmadinejad. "Este Parlamento continua aprovando cegamente tudo o que Ahmadinejad pede", ela disse.

Os locais de votação no sul da cidade, onde vivem as pessoas mais pobres, estavam relativamente vazios, mas a grande mesquita de Al Nabi, no leste de Teerã, onde vive Ahmadinejad, estava lotada. Homens barbados faziam fila do lado de fora da mesquita para votar, sob forte segurança. Lá as mulheres votavam separadamente dos homens.

Um eleitor de Ahmadinejad, Akbar Moharampour, um arquiteto de 52 anos que disse morar na Alemanha e que estava apenas visitando o país, disse: "Eu acredito que aqueles que estão no poder agora estão mais preocupados com a situação do povo. Eu acho que eles precisam de mais uma oportunidade".

As eleições foram realizadas uma semana antes do Nowruz, o feriado de Ano Novo de 21 de março, quando muitas pessoas estão ocupadas fazendo compras para a ocasião. Ainda assim, muitos dos que não quiseram votar se queixaram da economia, dos altos preços e do desemprego.

Os conservadores estavam divididos entre eleitores de Ahmadinejad e seus críticos, mas suas diferenças eram tão nebulosas que muitos eleitores disseram não ver diferença entre os dois grupos. E muitos dos críticos francos do presidente estavam na lista de candidatos parlamentares que o apoiavam.

É amplamente esperado que os conservadores conquistem a maioria das cadeiras, já que o Conselho Guardião, um grupo linha-dura de clérigos que analisa as listas de candidatos, impediu muitos dos principais reformistas de concorrerem.

Os reformistas disseram que só poderiam disputar metade das 290 cadeiras do Parlamento, mas apelaram aos seus eleitores para que votassem neles para formarem uma forte minoria. O alto comparecimento dos eleitores sugere que poderão comparecer em grande número para as eleições presidenciais em 2009.

Uma pesquisa realizada pela agência de notícias estatal IRNA, antes da eleição, previu um comparecimento de 50% da população com direito a voto em Teerã e 60% no resto do país. O comparecimento dos eleitores foi de cerca de 51% há quatro anos, quando os conservadores conquistaram a maioria das cadeiras.

Para encorajar um grande comparecimento, o Ministério do Interior estendeu o horário de votação das 18h para as 23h. O ministério disse que os resultados seriam anunciados até a metade da próxima semana.

Ahmadinejad encurtou sua viagem para o encontro da Organização da Conferência Islâmica, no Senegal na sexta-feira, para participar da votação, informou a IRNA.

A campanha, que ocorreu durante a semana que antecedeu a eleição, foi relativamente tranqüila, particularmente diante da proibição legislativa de uso de grandes cartazes. Mas ela ganhou impulso nos últimos dias, depois que os conservadores começaram a acusar os reformistas de colaborarem com os estrangeiros.

O deputado conservador que é presidente do Parlamento, Mohammad Reza Bahonar, acusou Mohammad Reza Khatami, o irmão do ex-presidente Khatami, de passar informações aos estrangeiros durante um encontro com o embaixador alemão em Teerã. O ministro da inteligência do Irã, Gholam Hussein Mohseni Ejei, disse que seu ministério processará um ex-membro reformista do Parlamento, Nouradin Pirmoazen, por ter dado uma entrevista para a Voz da América em língua persa.

O líder religioso supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, reiterou na quarta-feira seu apoio aos linhas-duras. Ele pediu aos iranianos para votarem naqueles que se opõem aos Estados Unidos e "que são leais ao Islã e à justiça".

Os eleitores reformistas do ex-presidente se queixaram na sexta-feira de irregularidades e discriminação nos locais de votação.

Abdolvahed Mousavi Lari, um líder reformista e ministro do interior sob Khatami, se queixou em uma carta ao Ministério do Interior e ao Conselho Guardião que apenas um quarto dos observadores reformistas foram autorizados a monitorar a eleição em Teerã, informou o site de Emruz.

Os reformistas também denunciaram a decisão do Ministro do Interior de anunciar os resultados da eleição apenas após o final da apuração. Parciais dos resultados sempre foram divulgadas durante o procedimento da contagem dos votos.

"Nós agora estamos ouvindo relatos de irregularidades a favor do governo", disse Abdullah Nasseri, uma porta-voz dos reformistas, acrescentando que a decisão de anunciar os resultados apenas após a contagem final cria mais preocupações. George El Khouri Andolfato

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