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21/03/2008

Hillary Clinton precisa romper três barreiras para ressuscitar sua campanha

The New York Times
Adam Nagourney
Do The New York Times
Em Washington
A senadora Hillary Rodham Clinton precisa romper três barreiras para tomar a vaga de candidato à presidência pelo Partido Democrata do senador Barack Obama, segundo a opinião dos próprios assessores da candidata.

Ela tem que derrotar fragorosamente Obama na Pensilvânia no mês que vem a fim de sustentar o seu argumento de que conta com uma vantagem nos Estados mais importantes para a eleição presidencial de novembro. Precisa estar na frente no número total de votos populares após o fim das primárias, em junho. E tem que encontrar algum fato que abale a confiança em Obama, de forma que os superdelegados - líderes e políticos eleitos do Partido Democrata que têm liberdade para decidir que candidato apoiarão - anulem a vantagem dele em termos de delegados conquistados nas primárias e nas convenções.

Para Hillary, tudo isso parece meio difícil após a série de derrotas que sofreu em fevereiro. Mas as suas chances parecem ter melhorado um pouco.

Apesar da viagem de última hora de Hillary a Michigan na quarta-feira passada (19), os democratas daquele Estado indicaram que é improvável que realizem uma nova eleição primária. Isso aparentemente acabou com as esperanças de Hillary Clinton de dar uma demonstração de força em um Estado no qual ela sente que poderia vencer, e deixou os delegados de Michigan no limbo.

A falta de ação em Michigan seguiu-se a um fracasso similar da sua tentativa de organizar uma nova disputa com Obama na Flórida, onde, assim como em Michigan, ela venceu uma primária antecipada realizada de uma forma que violou as regras do partido.

Sem novos votos em Michigan e na Flórida, será muito mais difícil para Hillary obter uma maioria no total de votos populares na etapa das eleições primárias, reduzir a vantagem de Obama em termos de delegados eleitos ou criar um novo ímpeto para a sua campanha.

Os assessores de Hillary esperavam que a polêmica devido às declarações incendiárias do pastor de longa data de Obama - um fato que abalou a campanha do senador durante uma semana - pudesse fazer com que eleitores e superdelegados questionassem se realmente conhecem o suficiente sobre Obama para apoiá-lo.

Embora ainda seja muito cedo para avaliar o sucesso do senador, o discurso feito por Obama em um comício em Filadélfia para colocar um fim à controvérsia foi bem recebido e elogiado até mesmo por alguns apoiadores de Hillary Clinton.

Tad Devine, um consultor democrata que não está apoiando nenhum dos candidatos, diz que Hillary enfrenta um desafio que, embora não seja insuperável, fica mais difícil a cada dia. Segundo Devine é fundamental para Hillary ficar na frente nos votos populares, acabar com a liderança de Obama e levantar dúvidas junto aos superdelegados quanto à capacidade do senador vencer a eleição presidencial.

"Eles não poderão cometer nenhum erro ao executar a estratégia com o objetivo de neutralizar com a vantagem de Obama, tanto em votos prometidos dos superdelegados quanto nos votos populares", afirma Devine. "Qualquer grande contratempo poderia frustrar essa meta. É Obama que ocupa a posição vantajosa".

É claro que a disputa ainda não terminou. Ainda há pela frente dez eleições primárias, e Hillary possui 150 delegados a menos que Obama, dos 2.025 necessários para a obtenção da vaga democrata.

Se existe um caminho para a vitória de Hillary Clinton, a trilha é bastante estreita. O seu principal estrategista, Mark Penn, diz que o comitê de campanha acredita que, quando acabar a etapa de eleições primárias, Hillary Clinton contará com uma liderança em votos populares, que a liderança de Obama em termos de delegados será muito pequena e que as pesquisas revelarão que ela encontra-se em uma posição mais forte do que Obama.

Vitórias em disputas nas quais ela é forte ou competitiva, como as da Pensilvânia, Virgínia Ocidental, Porto Rico e, talvez, Oregon e Indiana, poderiam proporcionar a Hillary uma dose de energia.

E, não menos importante, o comitê de campanha da senadora espera que até lá Obama esteja abalado por cinco semanas difíceis nas quais terão sido levantadas dúvidas quanto ao seu passado, incluindo os comentários incendiários do pastor, o que reforçaria a advertência de Hillary aos democratas de que eles estão apoiando uma pessoa que não foi testada e examinada.

"Os superdelegados não vão decidir o problema de fato até junho", afirma Penn. "Ele está apenas passando por um processo de verificação e testes que não ocorreu e que ocorre agora. Todo esse processo fará uma grande diferença".

Interessa à campanha de Hillary Clinton retratar a disputa como altamente competitiva. Eles pretendem combater as tentativas de Obama de conquistar superdelegados. E estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de que o surgimento de algum sinal de que a janela de oportunidade para o partido esteja se fechando possa fazer com que um democrata como Al Gore ou a presidente da Câmara Nancy Pelosi se manifeste e rogue aos democratas que apóiem Obama em nome da unidade partidária.

De fato, em entrevistas, assessores de Hillary Clinton disseram que a tarefa é árdua e está tornando-se cada vez mais difícil, e que as questões críticas eram determinar o que ocorreria na Flórida e em Michigan e a possibilidade de surgimento de fatos envolvendo o relacionamento de Obama com o seu conselheiro espiritual, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr.

A luta pela Flórida e por Michigan diz respeito apenas em parte a delegados. Vitórias em novas primárias naqueles Estados seriam parte de uma lista das únicas formas realistas de Clinton anular a vantagem de Obama no número total de votos populares.

A vantagem de Obama sobre Hillary é de 700 mil votos, de um total de 26 milhões depositados nas urnas das eleições primárias até o momento, excluindo as convenções de Estados e os resultados anulados da Flórida e de Michigan. Cerca de 12 milhões de pessoas estão qualificadas para votar no restante do processo. Assessores de ambos os candidatos dizem que, mesmo em um melhor cenário possível para Hillary nos Estado que ainda votarão, é difícil enxergar como ela ultrapassaria Obama sem Michigan e a Flórida.

Ela recebeu 300 mil votos a mais do que Obama na eleição primária contestada da Flórida em janeiro. Em Michigan, onde nenhum dos seus principais oponentes participou da eleição, ela obteve 62.220 votos a mais do que os demais. Os assessores de Hillary Clinton afirmam que, a não ser que se chegue a um acordo para dar representatividade aos delegados daqueles Estados, a campanha da senadora continuará argumentando que os votos populares de Michigan e da Flórida devem ser computados.

"O voto popular é aquele para todos verem", argumenta Harold Ickes, assessor de Hillary Clinton. "Afirmar que os votos populares não podem ser computados porque os delegados não foram validados é uma estupidez".

Mas pode ser difícil vender essa argumentação. Nenhum dos candidatos fez campanha em Michigan e na Flórida, e o nome de Obama não estava nas urnas de Michigan.

Finalmente, os assessores de Hillary esperam que revelações sobre o passado de Obama, como aquela envolvendo Wright, possam fazer com que os superdelegados parem para refletir. Devine diz acreditar que pelo menos no que diz respeito aos eleitores das primárias democratas, Obama levou vantagem com a polêmica com o seu discurso sobre a questão racial.

"Ao ser confrontado com uma questão efervescente, Obama pareceu enfrentá-la com um discurso que foi profundo sob vários aspectos", afirma Devine. "Como resultado, agora aquelas pessoas que estavam tão interessadas e animadas com a sua candidatura voltaram cerrar fileiras à sua volta. Em vez de constituir-se em um obstáculo, o episódio acabou transformando-se em uma oportunidade".

Mas agora a platéia é composta tanto pelos superdelegados democratas, que são especialmente sintonizados com a política e as questões relativas à elegibilidade, quanto pelos eleitores comuns.

Os assessores de Hillary Clinton dizem que passaram os últimos dias argumentando agressivamente junto aos superdelegados indecisos que o vínculo de Obama com Wright poderia condenar o partido à derrota na eleição presidencial.

Tal argumento pode se constituir na última esperança de Hillary Clinton para conquistar a vaga democrata.

Kitty Bennett and Patrick Healy contribuíram para esta matéria. UOL

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