UOL Notícias Internacional
 

24/03/2008

A tensão se instala (é quase segunda-feira)

The New York Times
Kelley Holland
A sensação é familiar: você está saboreando o finzinho do almoço de um tranqüilo domingo ou uma longa caminhada pelo parque, quando percebe abruptamente que o seu fim-de-semana vai acabar em questão de horas. Num instante, você mergulha no que John Updike chamou de "melancolia crônica do final da tarde de domingo." Assim que visualiza em sua mente a pilha de coisas para fazer em sua mesa, as reuniões anotadas na agenda e aquela viagem para Topeka na terça-feira, seu estado de espírito muda, seus músculos se retesam e sua cabeça começa a doer.

Você tem um caso de estresse relacionado ao ambiente de trabalho. E está na companhia de muitas outras pessoas.

Os resultados de uma pesquisa divulgados em outubro passado pela American Psychological Association mostram que um terço dos norte-americanos vive sob estresse extremo, e que a fonte mais citada como origem desse estresse - mencionada por 74% das pessoas que responderam à pesquisa - era o trabalho. Mais que os 59% relatados no ano anterior.

Algumas pessoas não deveriam ficar abaladas com isso. Quando David W. Ballard, o diretor-executivo assistente da associação para relações corporativas e estratégia empresarial fala a executivos, "o conceito de que o estresse pode ser ruim é às vezes estranho para eles," disse. "Eles dizem que o estresse é uma coisa boa. Deixa-os motivados."

Mas o estresse excessivo é diferente e extremamente caro para os empregadores. Funcionários altamente estressados faltam com maior freqüência e têm uma probabilidade muito maior de sair de seus empregos. No trabalho, eles tendem a ser significativamente menos produtivos - um fenômeno conhecido como "presenteísmo" (passar um número excessivo de horas no local de trabalho, mesmo se não há nada para fazer), o que pode ser até mesmo mais caro que as ausências freqüentes, disse Ballard.

Mais de metade das pessoas que responderam à pesquisa disseram que deixaram um emprego ou pensavam em fazer isso por causa do estresse e 55% disseram que o estresse as torna menos produtivas no trabalho.

Com custos como esse, é de se pensar que as empresas dedicariam recursos consideráveis para combater o problema. Mas uma pesquisa publicada no ano passado por Watson Wyatt dá a entender que não estão. Por exemplo, 48% dos funcionários ouvidos na pesquisa disseram que o estresse criado por longas horas e limitados recursos estava afetando o desempenho nos negócios, mas apenas 5% disseram estar adotando uma ação vigorosa para abordar tais áreas.

"Todo mundo sabe que isso é um problema, mas ninguém quer olhar e encará-lo," disse Shelly Wolff, líder norte-americana da consultoria Watson Wyatt, para questões de saúde e produtividade. Os empregadores encaram o estresse excessivo no ambiente de trabalho como um problema extremamente custoso que ninguém sabe exatamente como resolver, disse. "Existe o medo de se liberar algo que não poderá ser controlado," falou. "Eles acham que vão abrir a caixa de Pandora."

Um dos problemas é que o estresse pode ser subjetivo. Algumas pessoas podem se sentir permanentemente amarradas ao escritório pelos seus telefones celulares e laptops, mas para outras tais equipamentos são liberadores. A apavorante viagem de negócios de uma pessoa pode ser descanso de outra, em relação às pressões domésticas.

Isso significa que não existe uma solução única para que os empregadores reduzam o estresse no trabalho. Mas adotar uma série de iniciativas ainda é mais simples e menos custoso que lidar com o estresse extremo, quando ele chega.

Na GlaxoSmithKline, um programa chamado "Superação em Equipe" combina coisas como exames de saúde, grupos de discussão e avaliações de acompanhamento para lidar com o estresse no ambiente de trabalho.

O grupo de promoção administrativa da empresa, que desenvolve materiais promocionais e obtém aprovação das entidades reguladoras para eles, passou pelo processo no outono passado. Os quase 100 funcionários do grupo, distribuídos entre a Filadélfia e o Research Triangle Park na Carolina do Norte, elaborou questionários a respeito de estresse no trabalho e depois se reuniu em grupos organizados por especialidade - editores com editores, designers com designers, e outros - para discutir os resultados.

No início, "eles pensaram, 'Oh, não, não outra pesquisa nem outra aula," comentou Karen W. Ruffner, diretora do grupo. "Mas quando nós instalamos os workshops por áreas funcionais, acredito que eles ficaram agradavelmente surpresos. Demos a eles a possibilidade de falar entre seus colegas do mesmo nível. Às vezes é quase preciso forçar uma oportunidade dessas para as pessoas que são realmente muito ocupadas." Os grupos estão tendo reuniões de acompanhamento para abordar as questões que foram levantadas, tais como o desejo de maior flexibilidade na organização do trabalho, ela disse.

A PricewaterhouseCoopers também examina o estresse de múltiplas formas. Por exemplo, em pesquisas anuais, os funcionários pediram mais treinamento e oportunidades para relacionar-se com colegas mais experientes - e conseguiram.

Nos dois últimos anos, a empresa também criou equipes de mercado para várias linhas de negócios, o que representa de 80 a 100 pessoas trabalhando juntas em um portfólio de contas de clientes. Os funcionários podem substituir um ao outro com maior facilidade, diminuindo parte da pressão.

Michael J. Fenlon, diretor-gerente para estratégias pessoais na PricewaterhouseCoopers, disse que as pesquisas registraram maiores níveis de satisfação e menor rotatividade entre aqueles nas equipes de mercado. A meta, ele disse, era "criar um ambiente onde há abertura e a noção de apoio mútuo," ele disse, "onde eu possa trabalhar durante o ciclo de vida de um evento e ninguém estará me criticando."

Até recentemente, se os funcionários enviassem e-mails nos fins-de-semana ou tarde da noite, uma mensagem automática apareceria, pedindo ao remetente para esperar, se possível, e deixar que os outros desfrutassem de seu descanso. A mensagem foi retirada depois que a empresa considerou que os funcionários haviam levado a mal essa tentativa de redução de estresse. Claudia Dall'Antonia

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