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29/03/2008

Fundador da JetBlue planeja nova companhia aérea para o Brasil

The New York Times
Jeff Bailey
David Neeleman, o fundador da JetBlue Airways, que ajudou a redefinir as companhias aéreas novatas nos EUA usando jatos novos e oferecendo um serviço acima do padrão econômico, disse na quinta-feira que fundará uma companhia aérea doméstica no Brasil. Ele já concordou em comprar 36 jatos brasileiros ao preço total de US$ 1,4 bilhão.

Neeleman disse que levantou US$ 150 milhões para financiar a companhia e convidou consumidores e agentes de viagem brasileiros para sugerir um nome para a empresa, prometendo que a primeira pessoa que apresentar o nome vencedor terá viagens ilimitadas para duas pessoas na companhia.

Neeleman, 48, também pretende convidar os consumidores a opinar sobre coisas como uniformes das comissárias de bordo e esquemas de cores, ele disse em uma entrevista por telefone de São Paulo.

Danilo Verpa/Folha Imagem 
David Neeleman posa para foto durante lancamento da nova empresa aérea no Brasil

Neeleman nasceu no Brasil, filho de um jornalista baseado no país para a United Press International. Ele voltou ao Brasil aos 19 anos para fazer trabalho missionário mórmon durante dois anos. Ele tem dupla cidadania, brasileira e americana, o que lhe permite deter um interesse controlador em uma companhia aérea nos dois países.

Neeleman disse que possui 25% da novata brasileira e que outros investidores americanos detêm cerca de 55%, mas ele detém os direitos de voto. O restante é propriedade de investidores brasileiros, que ele não quis identificar.

Neeleman deixou de ser o executivo-chefe da JetBlue em maio passado, alguns meses depois que a companhia aérea sofreu um colapso operacional durante uma nevasca no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, deixando centenas de passageiros na pista durante longos períodos. Ele continua sendo presidente da JetBlue.

"Uma das coisas que me anima sobre o Brasil é que não há tempestades de gelo", disse Neeleman. O espaço aéreo do país, com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro, não é excessivamente ocupado.

A partir de 1999 a JetBlue ofereceu tarifas baixas entre Nova York e a Flórida e em vôos transcontinentais, estimulando a demanda e reduzindo os preços oferecidos pelas grandes companhias. Mas o modelo empresarial foi convulsionado quando os preços do combustível aumentaram. Desde então a JetBlue tentou aumentar as tarifas, reduzir seu crescimento e agir de certa maneira mais como as grandes companhias aéreas com as quais compete.

Neeleman disse que poderia acabar renunciando à presidência da JetBlue, diante do tempo de que precisará dedicar à nova companhia no Brasil.

"É uma discussão que eu terei com o conselho" da JetBlue, ele disse. Ele ainda possui cerca de 7 milhões de ações da JetBlue, e tinha começado a vendê-las a 100 mil ações por mês.

Neeleman disse que as viagens aéreas domésticas no Brasil são 50% mais caras -medidas em centavos por milha viajada- do que nos EUA. Ele disse acreditar que uma companhia de baixas tarifas poderá estimular uma nova demanda entre as pessoas que hoje viajam longas distâncias de ônibus. O Brasil terá cerca de 50 milhões de viajantes aéreos este ano, contra 750 milhões nos EUA.

Neeleman encomendou 36 jatos E-195 da Embraer, que acomodam ao todo 118 passageiros por aeronave. A JetBlue usa o Embraer, com cerca de 100 passageiros, para atender rotas que não são suficientemente movimentadas para suportar seus aviões Airbus A320, para 150 passageiros na configuração de classe única.

Neeleman disse que espera que a companhia comece a operar em 2009 com três aviões e então receba mais um avião em média por mês.

As companhias domésticas brasileiras estabelecidas, Gol e TAM, "vão ser ferozes concorrentes", reconheceu Neeleman. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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