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30/03/2008

Advogado do 11 de setembro ficou famoso com processo de remédio para dieta

The New York Times
Por Anthony DePalma
Nos anos seguintes ao atentado de 11 de setembro, mais de 9.000 trabalhadores do "ground zero", a área atingida pelo ataque, processaram a prefeitura de Nova York alegando que ela havia falhado em protegê-los da poeira tóxica do local que os deixou doentes.

Quase todos eles são representados por dois principais advogados. Um deles, David E. Worby, é bastante conhecido por seus clientes porque freqüentemente aparece na televisão e em artigos de jornal como porta-voz da causa. Mas poucos dos trabalhadores reconhecem o outro advogado, Paul J. Napoli.

Napoli fez seu nome e fortuna em um dos maiores processos coletivos da última década, o caso que envolveu a combinação de drogas para dieta conhecida como fen-phen.

Ele ganhou milhares de indenizações por problemas cardíacos para os usuários do fen-phen, mas também foi criticado por sua conduta no processo. Um juiz federal que examinou alguns dos casos em 2002 rejeitou um grande número das reivindicações por causa do fen-phen, dizendo que os exames de coração que ele havia apresentado eram medicamente despropositados. Além disso, antigos clientes, sócios de negócios e ex-funcionários o acusam de desonestidade e violações éticas.

A maioria dessas queixas contra Napoli foram retiradas. Mas no final de janeiro, uma corte de apelação do estado de Nova York abriu caminho para o julgamento de um processo impetrado por antigos clientes e por uma firma de advocacia que era associada a Napoli, acusando-o de ter manipulado a distribuição das indenizações de fen-phen para 5.600 clientes. O processo afirma que o valor do acordo - estimado em US$ 1 bilhão - foi administrado de forma que favoreceu alguns clientes em detrimento de outros, aumentando assim os honorários dos advogados da firma de Napoli em Manhattan. A data do julgamento ainda não foi marcada.

"Não há nenhuma decisão federal ou estadual que diga que eu tenha feito qualquer coisa errada", diz Napoli, que é conhecido nos círculos legais de Nova York como um advogado confiante com uma forte inclinação por casos difíceis que outros advogados passam adiante. "Tentamos fazer a coisa certa."

Não há nenhuma acusação de desonestidade nos casos do "ground zero".

Mas a corte de apelação que irá julgar o caso fen-phen, que de outra forma passaria despercebido, tem um significado maior porque Napoli está envolvido nos casos do "ground zero", que também podem caminhar para um acordo de indenizações. No último outono, Napoli e Worby pediram aos seus clintes do "ground zero" autorização para negociar um acordo amplo com a prefeitura da cidade.

Lester Brickman, professor de ética legal na Escola de Direito Benjamin N. Cardozo na Universidade Yeshiva, que estudou o papel de Napoli no caso fen-phen, disse estar consternado com o fato de que a firma de Napoli estar agora representando os trabalhadores do "ground zero". "Estou bastante preocupado", disse ele, "dadas as alegações de que a firma desrespeitou seus compromissos éticos."

Clientes do "ground zero" disseram não haver nenhuma razão para acreditar que Napoli e Worby, que não estava envolvido no caso fen-phen, não estejam protegendo os interesses do grupo de forma até agressiva. Muitos não sabem da polêmica do fen-phen, mas alguns deles, quando informados sobre o caso, se mostraram cautelosos.

Joseph Lutrario, de Long Island, policial aposentado da cidade de Nova York que ficou enterrado debaixo dos escombros do centro comercial e acredita que ficou doente por causa da poeira, disse em uma entrevista: "por que não me contaram sua história pregressa?".

Durante as entrevistas em seu escritório na Broadway com vista para o "ground zero", Napoli, 40, disse que não falou sobre aquela história com os clientes do 11 de setembro porque as duas ações legais não tinham nada a ver uma com a outra. Ele também disse que se todos os documentos do acordo fen-phen fossem abertos em um julgamento, provariam que ele havia conduzido o ressarcimento de forma correta e havia protegido as pessoas que representava.

Napoli foi trazido aos casos do "ground zero" em 2004 por Worby, um bem-sucedido avogado de danos pessoais de White Plains, Nova York. Worby processou a cidade em 2003 em favor do técnico de hóquei de seu filho, um detetive de polícia da cidade de Nova York que recebeu a notícia de que tinha leucemia, que os médicos temiam ter sido causada pela exposição à poeira tóxica dos cinco meses que ele passou no "ground zero".

Conforme a notícia do processo se espalhou, centenas de trabalhadores apareceram em sua firma procurando representação legal, e Worby percebeu que precisava de ajuda. Ele procurou Napoli, que era conhecido por seu sucesso no caso fen-phen e por seu sofisticado sistema computadorizado capaz de trabalhar com milhares de casos.

Enquanto Napoli cuida da logística cotidiana do caso, Worby investiga as causas médicas que podem surgir num julgamento. Apesar de nunca terem trabalhado juntos antes, Worby diz que ele tem "100% de confiança" em Napoli e sua firma.

"Avaliei todos os aspectos do que eles fizeram no caso fen-phen", diz ele, "e não acho que eles tenham feito nada de errado."

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