UOL Mídia GlobalUOL Mídia Global
UOL BUSCA

RECEBA O BOLETIM
UOL MÍDIA GLOBAL


31/03/2008
Tentando novamente depois de abortos recorrentes

Jane E. Brody

Valerie e John Quinones, um casal de seus trinta e poucos anos, do Brooklyn, em Nova York, estão mais do que prontos para ter um bebê. Valerie Quinones não teve problemas para engravidar, mas perdeu seu primeiro filho na sexta semana de gravidez. Ela logo engravidou de novo, mas dessa vez nenhum batimento cardíaco foi detectado na nona semana.

Andy Martin/The New York Times
 
Depois dos dois abortos, o médico sugeriu que ela fizesse um exame de sangue, que revelou um raro distúrbio de coagulação que, segundo o médico, pode ou não ter sido a causa do problema. Ele sugeriu que, assim que ela engravidasse de novo, passasse a receber injeções diárias de um medicamento para afinar o sangue e continuasse com o tratamento durante toda a gravidez.

Nove meses depois, Carolina Quinones veio ao mundo com 3,5 quilos, forte e sadia.

Se você soubesse ou fosse informado de tudo o que pode dar errado para conseguir engravidar e manter uma gravidez saudável, com certeza se perguntaria como é possível que nasçam tantos bebês saudáveis. Mais da metade dos bebês são abortados espontaneamente antes mesmo que a menstruação atrase e mulher saiba que está grávida, e cerca de outros 15% a 20% são abortados nos primeiros meses de gravidez. Para os casais que querem ter filhos, esses números são assustadores.

Por outro lado, há estatísticas bem mais confortantes. Para 80% a 90% das mulheres que perderam um bebê, a próxima gravidez, mesmo sem nenhum tratamento, resulta em um nascimento bem sucedido. Mas o problema aumenta e as estatísticas são menos esperançosas para as mulheres que já tiveram dois abortos ou mais. Depois de dois abortos, há uma chance de 75% de que a próxima gravidez seja mantida. Depois de três abortos, a chance é de 65%.

Remédios ineficazes ou não comprovados
Há vários mitos sobre os motivos que levam uma mulher a ter abortos recorrentes. Os menos informados tendem a culpar fatores como o estresse em excesso, muito exercício físico, excesso ou falta de peso, exposição a toxinas do meio ambiente ou do local de trabalho, uso exagerado de computadores ou telefones celulares e maus hábitos como fumar ou beber muito café. Os casais afetados, normalmente desesperados por uma solução, muitas vezes apostam em remédios ineficazes ou sem comprovação científica. O que eles precisam, em vez disso, é de informação confiável, apoio emocional e, se possível, um tratamento médico para a causa detectada do problema.

Com a ajuda da Dra. Sandra A. Carson da Brown University e do Dr. D. Ware Branch da Universidade de Utah, o Colégio Norte-Americano de Obstetrícia e Ginecologia divulgou recentemente um relatório atualizado sobre o que a ciência sabe e o que ela não sabe sobre as causas dos abortos recorrentes e seu tratamento adequado.

Talvez a parte mais informativa seja a conclusão. Aproximadamente uma em cada cem mulheres em idade reprodutiva sofre de abortos recorrentes, e, em quase metade desses casos, não se sabe a razão do problema. Além disso, muitos dos motivos relatados são controversos, assim como seus tratamentos.

"Apesar de serem uma preocupação comum entre os pacientes, os fatores ambientais raramente foram apontados como causa do aborto esporádico", diz o estudo. "E nenhuma associação entre fatores ambientais e abortos recorrentes foi estabelecida." O relatório acrescenta: "também não foi estabelecida nenhuma associação entre os abortos recorrentes e o trabalho ou a insalubridade no trabalho". Tampouco foi provado que haja algum agente infeccioso responsável pelos abortos recorrentes, acrescentou o estudo.

Conforme disse Carson numa entrevista, "a maioria esmagadora dos abortos recorrentes acontece porque há algo de errado com o bebê, na maior parte das vezes um defeito nos cromossomos". Esse risco aumenta com a idade da mãe e, de acordo com alguns estudos, com a idade do pai, por causa de falhas genéticas no óvulo ou no esperma que resultam em embriões com cromossomos demais ou de menos.

Entre 2% a 4% dos casais com abortos recorrentes, descobre-se que um dos parceiros tem o problema, um rearranjo de cromossomos geneticamente equilibrado. Um dos parceiros é normal, mas quando o óvulo ou o esperma do outro parceiro se forma, pode conter cromossomos com pedaços sobrando ou faltando, o que resulta em um embrião incapaz de sobreviver. Nesses casos, o casal pode optar por uma fertilização in vitro, em que se faz uma análise genética dos embriões com o objetivo de escolher um que tenha os cromossomos normais para ser implantado.

Anormalidades estruturais do útero são descobertas em 10% a 15% das mulheres que têm abortos recorrentes, mas os especialistas discordam quanto ao fato desses problemas serem capazes de impedir uma gravidez de sucesso. Da mesma forma, o papel da fibrose e da endometriose é controverso, e a remoção cirúrgica desses tecidos pode não ser capaz de prevenir outro aborto.

Quando um anticoagulante pode ajudar
Um distúrbio auto-imune que produz anticorpos que combatem os fosfolipídios - componentes importantes das paredes das veias e artérias - pode às vezes causar coágulos nos pequenos vasos da placenta. O dano resultante pode causar abortos recorrentes. Nas mulheres com um nível alto desses anticorpos, o tratamento com heparina e aspirina de concentração fraca, drogas que afinam o sangue, pode reduzir, mas não necessariamente eliminar, o risco de abortos repetitivos, diz Carson.

Apesar de não haver provas suficientes de que a imunidade de uma mulher aos tecidos de seu parceiro seja responsável por abortos repetitivos, evidências sugerem que uma anormalidade imunológica possa interferir nos fatores de crescimento intra-uterino necessários para uma gravidez de sucesso. Mas não há nenhum tratamento comprovado para esse problema.

Uma explicação comum para os abortos recorrentes é a produção inadequada de progesterona, o hormônio liberado depois da ovulação e responsável por preparar o útero para a gravidez. Essa idéia resultou em muitas tentativas de sustentar o início da gravidez através da administração de progesterona, um tratamento que Carson descreveu como inofensivo, mas provavelmente ineficaz. Alguns pesquisadores sugerem que, se existe um problema hormonal, pode ser que ele comece antes que o óvulo seja liberado, e nesse caso as drogas que estimulam a ovulação podem ser de maior ajuda.

Mesmo depois de um trabalho minucioso para avaliar as causas do problema, cerca de metade a três quartos dos casais com abortos recorrentes "não têm um diagnóstico exato", afirma o relatório. Para esses casais, o melhor remédio é informação de qualidade e aconselhamento, combinados a estatísticas otimistas. "Taxas de nascimento entre 35% a 85% são comumente verificadas entre casais com inexplicáveis abortos recorrentes que empreendem uma gravidez subseqüente sem nenhum tratamento ou tratada apenas com placebo."

Uma análise combinada dos melhores estudos disponíveis em 1995 mostrou que 60% a 70% das mulheres com inexplicáveis abortos recorrentes tiveram subseqüentes gravidezes de sucesso.

É claro que toda mulher que pensa em engravidar faria bem em seguir as recomendações do March of Dimes (organização beneficente dos EUA para a saúde dos bebês) para tomar suplementos vitamínicos pré-natal antes de engravidar. Durante a gravidez, aconselha-se alimentos saudáveis, exercícios moderados, evitar o álcool, comer peixe (mas evitar frutos do mar que têm alta concentração de mercúrio), limitar bebidas que tenham cafeína a duas doses por dia e checar com o médico antes de tomar remédios ou suplementos alimentares.

Tradução: Eloise De Vylder

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA





Shopping UOL

Gravadores Externosde DVD a partir
de R$ 255,00
Câmera Sony6MP a partir
de R$ 498,00
TVs 29 polegadas:Encontre modelos
a partir de R$ 699