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04/04/2008

McCain diz ter errado ao votar contra o feriado de Martin Luther King

The New York Times
Michael Cooper
Do The New York Times
Em Memphis, no Tennessee
O senador John McCain, que diz que cortejará o voto afro-americano neste ano e que fará campanhas em locais que os republicanos muitas vezes desprezaram, pretende discursar aqui nesta sexta-feira (04/04) para comemorar o 40° aniversário do assassinato do reverendo Martin Luther King Jr.

McCain, o candidato presidencial republicano, afirmou que a sua opinião sobre King evoluiu desde 1983, quando, como político estreante no Congresso, votou contra a criação de um feriado nacional em homenagem a King. Ele afirmou que aquele voto foi um erro.

Nesta semana, no seu avião de campanha, McCain disse que mudou de idéia após aprender mais a respeito de King. Ele observou que menos de uma década depois pediu a alguns republicanos do seu Estado, o Arizona, que apoiassem um feriado estadual em homenagem a King.

"Bem, eu aprendi que esse indivíduo foi uma figura transcendental na história norte-americana. Ele merecia ser homenageado, e eu achei apropriado fazer isto", disse McCain na última segunda-feira, no seu avião. "E não me orgulho do fato de o Arizona, o meu Estado, ter sido um dos últimos a reconhecer o aniversário do doutor King como feriado, e gostei de fazer parte da luta por esse reconhecimento".

McCain falará na Conferência da Liderança Cristã Sulista, que já foi liderada por King, em um evento na manhã desta sexta-feira no Museu Nacional de Direitos Civis. A senadora Hillary Rodham Clinton, que está concorrendo à indicação democrata, também deverá comparecer. A visita ocorre no momento em que McCain planeja fazer campanha em comunidades negras que geralmente são alvo de pouca atenção por parte dos republicanos.

"Sei que obterei uma maioria dos votos afro-americanos", afirmou McCain na semana passada em uma entrevista de rádio no programa "The Tavis Smiley Show".

"Mas farei campanha em todo o país. Irei até o sul de Filadélfia, ao Cinturão Negro no Alabama e a todas as regiões afro-americanas dos Estados Unidos. Vou me comunicar e falar com essas pessoas. Compartilharei as frustrações, as esperanças e os sonhos da comunidade afro-americana", declarou McCain.

Os democratas estão chamando atenção para o fato de McCain ter votado contra o feriado de Martin Luther King Jr. - e para os seus votos contrários a legislações referentes aos direitos civis na década de 1990, bem como para o seu apoio à retirada de verbas de uma comissão que tinha por objetivo encorajar a implementação do feriado em homenagem a King - a fim de colocar em dúvida o compromisso do senador para com os direitos civis.

"Em vez de usar a sua turnê biográfica para reinventar-se para a eleição geral, John McCain deveria explicar por que acha que os eleitores deveriam confiar nele no que se refere à proteção dos direitos e da dignidade de todos os norte-americanos, após ele ter abordado esta questão da maneira errada durante o período de um quarto de século que está no Congresso", critica Damien LaVera, porta-voz do Comitê Nacional Democrata.

No ano em que McCain votou contra a criação do feriado nacional em homenagem a King, o projeto de lei foi aprovado por 338 votos a 90, sendo que a maioria dos republicanos apoiou a proposta. A seguir ela foi aprovada pelo Senado, à época controlado pelos republicanos, e foi transformada em lei pelo presidente Ronald Reagan, que a princípio se opôs à medida.

Ao ser indagado nesta semana a respeito do motivo pelo qual votou contra a proposta, McCain respondeu: "Eu simplesmente não tinha muita experiência quanto a essa questão. Isso é tudo".

Quando disputou a vaga republicana à presidência em 2000, McCain disse em uma entrevista ao programa da rede de televisão ABC, "This Week With Sam Donaldson and Cokie Roberts": "Votei contra o feriado de King por achar que não seria necessário ter um outro feriado nacional, que tal feriado custaria muito dinheiro e que vários presidentes não haviam sido homenageados".

Em 2000, ele levou até o Arizona a batalha amarga pela criação de um feriado estadual em homenagem a King, algo ao qual inicialmente se opôs. Ao mesmo tempo McCain argumentou que caberia ao povo da Carolina do Sul decidir se a bandeira confederada deveria ou não ser hasteada na assembléia daquele Estado.

"Acredito que esta seja uma questão que o povo da Carolina do Sul pode resolver", disse ele no programa "Meet the Press", da rede de televisão NBC. "O povo daquele Estado pode resolver essa questão da mesma forma que no Arizona nós resolvemos a questão altamente divisiva sobre o reconhecimento do feriado em homenagem ao doutor Martin Luther King. Quando eu estava lutando por esse feriado, me ressenti bastante quanto pessoas de Washington, políticos, analistas e outros vieram até o meu Estado nos dizer como deveríamos lidar com um problema tão difícil".

Mais tarde McCain escreveu que o fato de não ter mantido uma posição consistente quanto à questão da bandeira confederada - ele inicialmente a chamou de "um símbolo do racismo e do escravagismo" - foi um ato de covardia, e que acreditava que a bandeira deveria ser baixada do mastro da assembléia.

Embora McCain pretenda agora começar a abordar os eleitores negros, ele e outros candidatos republicanos não participaram de um debate na televisão no ano passado focado em questões importantes para os eleitorados negro e latino, alegando ter conflitos de agenda.

McCain recordou nesta semana que soube do assassinato de King quando era prisioneiro de guerra no Vietnã por meio de um programa de rádio que ouviu na sua cela, quando era mantido na solitária. "Quando havia notícias ruins - como um furacão, o assassinato de Martin Luther King, de Bobby Kennedy ou de qualquer outra figura norte-americana importante - eles permitiam que ouvíssemos imediatamente no rádio", disse McCain. "Mas quando se tratava de um acontecimento como a chegada à Lua, bem, a idéia era que a notícia não era suficientemente importante para que dela tomássemos conhecimento".

Quando lhe perguntaram a respeito da proposta do Senador Barack Obama no sentido de homenagear Cesar Chavez, o ativista que lutou pelos direitos dos trabalhadores rurais imigrantes, com um feriado nacional, ele disse que pensaria sobre a proposta. "A minha inclinação inicial é: por que não?", afirmou McCain. UOL

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