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07/04/2008

O crime high-tech é uma bolha online que ainda não arrebentou

The New York Times
Doreen Carvajal
Em Paris
Não existem fachadas nem sedes de corporações na indústria do crime cibernético, apenas vendedores astuciosos em uma economia obscura, sem fronteiras, que estão movimentando mercadorias falsificando números de cartões de crédito - "dois pelo preço de um."

"Vendemos CC novos," prometia uma chamada, oferecendo números de cartões de crédito. "Visa, MasterCard, Amex. Bons Preços. Muitos países."

O crime eletrônico está amadurecendo, segundo especialistas em segurança, e com sua evolução, os criminosos estão adotando abordagens convencionais como promoções de preços iguais às de supermercados e terceirizando para especialistas que podem atuar como gerentes de portfólio ou técnicos em computadores.

"É o desenvolvimento notável de todo um ambiente alternativo de negócios o que ocorreu nos últimos dois ou três anos," disse Richard Archdeacon, diretor sênior de serviços globais da Symantec, uma empresa de segurança na internet com 11 centros de pesquisa em todo o mundo. "O que é surpreendente é a velocidade na qual isso se desenvolve."

Só nos Estados Unidos, as vítimas informaram sobre perdas de US$ 239 milhões em fraude online em 2007, com prejuízo médio em torno de US$ 2.530. As queixas são registradas por uma hotline especial na internet operada pelo FBI e pelo Centro Nacional de Crime de Colarinho Branco, uma corporação sem fins lucrativos que se concentra em crime eletrônico.

As fraudes mais comuns são falsas mensagens eletrônicas e páginas falsificadas na Web, e os crimes são organizados a partir dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Nigéria, Canadá, Romênia e Itália, segundo um relatório do FBI, divulgado no mês passado.

Apesar da sofisticação cada vez maior e da dificuldade de se localizar os criminosos online, os juízes continuam relutantes em determinar longas penas de prisão para crimes cometidos por meio de computadores, segundo alguns agentes da lei de alto escalão e importantes empresas como a Microsoft.

Um dos casos em questão é o de Owen Thor Walker, um hacker de 18 anos da Nova Zelândia que confessou ser culpado na semana passada das queixas resultantes do desenvolvimento de uma vasta rede internacional de computadores individuais, que ele infectou com um software oculto, ou "malware", controlado remotamente.

No jargão do setor, ele era um "bot herder" (alguém que viola os sistemas de proteção e usa técnicas específicas para escanear redes e descobrir sistemas vulneráveis) que oferecia sua "robot network" para alugar para uma empresa na Holanda, que queria secretamente instalar seu software de publicidade.

A rede sem fronteiras de Walker veio à tona pela primeira vez em uma investigação do FBI de um ataque a computadores em 2006 que causaram a queda de um servidor na Universidade da Pensilvânia. O FBI selecionou um estudante da Pensilvânia no ataque o que acabou no final levando os investigadores até Walker.

A sentença de Walker deve ser anunciada em maio, mas o juiz do caso deu a entender que poderá analisar a possibilidade de detenção comunitária e dispensa de trabalho ou alguma forma de detenção domiciliar para o adolescente, que tem síndrome de Asperger, uma forma mais atenuada de autismo, marcada por fraca sociabilidade e comportamento compulsivo.

"Quase sempre é muito difícil para um juiz compreender o que está acontecendo e quais são os riscos," disse Eric Loermans, inspetor-chefe de uma unidade holandesa de crimes de alta tecnologia.

Loermans fez parte do fórum sobre crimes cibernéticos realizado em Estrasburgo na semana passada, que foi convocado pelo Conselho Europeu para o desenvolvimento de normas para uma cooperação internacional mais próxima entre agentes da lei e provedores de serviço da internet. Mais de 200 pessoas representando agências do governo e empresas privadas da Europa, África e das Américas participaram da conferência.

A unidade de Loermans de agentes que investigam crimes de alta-tecnologia tem agora 25 pessoas, mas a polícia também está desenvolvendo programas de treinamento para todos na equipe, até o oficial mais raso, segundo Loermans.

"Anos atrás, nós considerávamos o crime cibernético como uma categoria especial," ele disse. "Agora, acrescentamos o crime cibernético a todo tipo de treinamento policial, portanto estamos elevando o nível de toda a força policial holandesa. Não existe mais nenhum crime sem componentes digitais embutidos".

David Roberts, principal executivo da Corporate IT Forum, que representa 150 empresas na Grã-Bretanha, disse que seu grupo está pressionando pela criação de um único canal confidencial por meio do qual os chefes de segurança possam reportar os crimes cibernéticos. Claudia Dall'Antonia

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