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08/04/2008

Júri declara que negligência de motorista matou Diana

The New York Times
Alan Cowell
m Londres
Após seis meses de audiências e depoimentos de 278 testemunhas, um júri responsável pelo veredicto em um inquérito britânico declarou na segunda-feira (07/04) que Diana, a princesa de Gales, e o seu namorado, Dodi al-Fayed, foram mortos devido à direção negligente do seu chofer e dos fotógrafos que perseguiram o Mercedes-Benz do casal, que passava por um túnel de Paris em alta velocidade uma década atrás.

O veredicto de crime culposo, por uma votação de 9 a 2, representou uma decisão fácil para o júri, que necessitava apenas de uma maioria para chegar a uma decisão. O júri, que começou a deliberar sobre o caso na quarta-feira passada, havia sido informado que um veredicto deste tipo seria equivalente ao de homicídio culposo.

O desastre, em agosto de 1997, monopolizou a atenção das pessoas no Reino Unido e em todo o mundo, e gerou boatos, teorias conspiratórias e outras alegações. Diana, que tinha 36 anos quando morreu, foi descrita por Tony Blair, à época o primeiro-ministro, como a "princesa do povo".

Pierre Boussel/AFP 
Caminhão reboca destroços do carro em que morreu a princesa Diana, em Paris

Segundo o veredicto, o desastre "foi causado, ou favorecido, pela velocidade e a forma de dirigir do motorista do Mercedes, e também pela velocidade e maneira de dirigir dos veículos que seguiam o carro da princesa".

Tendo ocorrido um ano após ela ter se divorciado do príncipe Charles, a morte de Diana provocou uma onda de auto-análise entre os britânicos, um fenômeno que ameaçou os antigos laços entre eles e a monarquia. De fato, o comportamento de reclusão e afastamento da família real nos primeiros dias após a morte de Diana pareceu distanciar a rainha Elizabeth 2ª de muitos dos seus súditos, que protagonizaram um espetáculo incomum de luto em massa.

Mesmo após a morte, Diana continuou sendo alvo de fascínio, e ela tornou-se não só o assunto de livros e artigos de jornal, mas também o alvo de investigações oficiais que custaram cerca de US$ 20 milhões.

Um inquérito da polícia britânica em 2006 concluiu que Diana e al-Fayed morreram em um acidente quando tentavam escapar dos paparazzi que se aglomeravam em frente ao Hotel Ritz, em Paris, cujo dono é Mohamed al-Fayed, o pai de Dodi al-Fayed. Na noite em que morreram, Diana e o namorado seguiam para o apartamento de Dodi al-Fayed em um Mercedes dirigido por Henry Paul, um funcionário do Ritz.

Mohamed al-Fayed insiste há muito tempo em afirmar que o seu filho, que tinha 41 anos, e a princesa foram mortos em uma conspiração dos serviços de inteligência britânicos, que teriam agido sob as ordens do príncipe Philip, o marido da rainha. O juiz que presidiu o inquérito, Scott Baker, ordenou ao júri que não levasse em conta tais alegações.

O veredicto foi de encontro às previsões de que as conclusões do inquérito ecoariam a avaliação da polícia, que concluiu que a batida, que também matou Paul, foi um acidente.

Os investigadores descobriram que a capacidade de julgamento de Paul estava prejudicada pelo fato de ele ter ingerido álcool, e afirmaram que esta foi uma das causas da sua negligência ao volante. Ele era o vice-chefe da segurança do Ritz e estava de folga havia várias horas quando foi chamado de volta ao hotel para dirigir o automóvel de Diana e Dodi al-Fayed. As provas identificadas durante o inquérito revelaram que ele havia bebido.

Segundo o júri, contribuíram também para o desfecho o fato de Diana, que estava no banco traseiro com Dodi al-Fayed, não estar usando cinto de segurança, e também o do Mercedes ter batido de frente contra uma pilastra após entrar no túnel subterrâneo Pont de l'Alma a mais de 95 quilômetros por hora - o dobro da velocidade permitida naquele trecho da estrada.

Mohamed al-Fayed, que durante anos fez pressão para que houvesse um inquérito público, disse ter ficado desapontado com o resultado, insistindo em afirmar que membros da família real deveriam ter sido convocados para testemunhar.

Em uma declaração escrita que sugeriu que ele não abandonou a sua crença de que Diana foi assassinada, al-Fayed disse: "Sempre acreditei que o príncipe Philip e a rainha contam com provas valiosas que só eles conhecem. Ninguém deve estar acima da lei".

Mohamed al-Fayed, que é dono de uma loja de departamentos Harrods em Londres, disse ainda: "Não sou a única pessoa a dizer que eles foram assassinados. Diana previu que seria assassinada, e como o assassinato ocorreria".

Em uma declaração por escrito divulgada na noite de segunda-feira, os príncipes Harry e William, filhos de Diana, disseram que concordam com o veredicto do júri.

Além de examinar as circunstâncias exatas da morte de Diana, o inquérito também lançou uma luz impiedosa sobre destalhes da vida privada da princesa que eram mantidos em sigilo. O júri ouviu detalhes sobre os métodos contraceptivos usados por Diana, sobre os seus amantes e supostas conversas íntimas com o seu ex-mordomo, Paul Burrell. O inquérito também proporcionou a Mohamed al-Fayed uma plataforma para atacar a família real, chamando a segunda mulher do príncipe Charles, Camilla Parker-Bowles, de uma "mulher-crocodilo", e rotulando o príncipe Philip de "nazista" e "racista".

Em uma ocorrência rara, membros do MI6, o serviço secreto de inteligência britânico, foram chamados a testemunhar. Eles afirmaram que não montaram nenhuma conspiração para assassinar Diana. Mohamed al-Fayed insiste que Diana estava grávida do filho dele e que ela foi morta para impedir que desse a luz ao filho de um muçulmano. Mas Baker, o juiz que presidiu o inquérito, disse que tal teoria "não tem substância".

O início do inquérito foi adiado até que os procedimentos legais franceses fossem concluídos e o inquérito da polícia britânica chegasse a uma conclusão separada. Na França foram feitas acusações de homicídio culposo contra nove fotógrafos que perseguiam o Mercedes e tiraram fotografias após a batida. Nenhum deles foi considerado culpado de homicídio culposo, mas três fotógrafos foram condenados em 2006 por invasão de privacidade.

Em dezembro de 2006, um inquérito policial britânico concluiu que as mortes foram um acidente. "A nossa conclusão é que, segundo as provas disponíveis até este momento, não houve nenhuma conspiração no sentido de matar qualquer dos ocupantes do carro", afirmou Lord Stevens of Kirkwhelpington, que presidiu aquele inquérito. "Aquilo foi um trágico acidente".

Na segunda-feira, a conclusão do júri reacendeu as dúvidas quanto à possibilidade de os paparazzi voltarem a ser alvo de denúncias criminais. Porém, Lord Steven afirmou: "Espero que todos vejam este veredicto como o encerramento do caso". UOL

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