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10/04/2008

Crise aérea nos EUA: preços recordes de combustíveis empurram companhias para o vermelho

The New York Times
Jeff Bailey
Antes mesmo dos recentes cancelamentos de vôos, as companhias aéreas e os passageiros enfrentavam uma nova onda de problemas relativos às viagens. Preços recordes dos combustíveis e a situação financeira delicada da indústria geraram uma nova onda de falências entre as empresas menores nas últimas semanas, incluindo a ATA Airlines, a Skybus e a Aloha Airgroup.

As empresas aéreas maiores estão reduzindo as suas frotas para diminuir os custos com combustível, ainda que a demanda por viagens continue elevada, o que significa que os vôos estão ficando cada vez mais lotados e desagradáveis.

CRISE AÉREA NOS EUA
Crédito
Passageira espera para fazer check-in no balcão da American Airlines no aeroporto La Guardia, em Nova York, na terça-feira
CANCELAMENTO DE 1.000 VÔOS
COMPANHIAS AÉREAS NO VERMELHO
PILOTOS ESTÃO INSATISFEITOS
E as demissões estão mais uma vez tendo início em um setor que, para muitos dos seus clientes, já está padecendo de problemas quanto aos serviços oferecidos. E os funcionários das empresas também têm a mesma impressão. À medida que o vigor da indústria declina, os passageiros podem esperar encontrar funcionários de balcão e comissários de vôo mais apressados e mal-humorados.

Além do mais, em todo o sistema de viagens aéreas dos Estados Unidos, os equipamentos - sistemas de controle de tráfego aéreo, aviões, sistemas de computadores de linhas aéreas - estão envelhecendo e em muitos casos encontram-se sobrecarregados. Isso significa que os defeitos mecânicos e os problemas causados pelas condições meteorológicas atrapalharão mais os clientes.

No curto prazo, as empresas aéreas não são capazes de aumentar os preços das passagens com rapidez suficiente para compensar a elevação dos custos dos combustíveis - na quarta-feira (09/04) o preço do petróleo atingiu um novo recorde de US$ 110,87 o barril. Isso fez com que a indústria voltasse a operar no vermelho, após um período de dois anos de lucros. O analista Michale Linenberg, do Merrill Lynch, espera que a indústria sofra um prejuízo de US$ 1,9 bilhão neste ano.

Um mal sinal: algumas ações de empresas aéreas ficaram mais baratas do que uma cerveja comprada no aeroporto (Frontier, US$ 1,79; Expressjet $2,21; Mesa, $0,96).

Anos de redução de custos com manutenção - e, para alguns críticos, uma política de regulamentações pouco rigorosa por parte da Administração Federal de Aviação - parecem estar tendo um efeito negativo sobre as companhias aéreas e os passageiros.

A American Airlines e as suas concorrentes domésticas vêm há anos reduzindo os custos com manutenção. Algumas linhas aéreas realizam os trabalhos de manutenção no exterior, em busca de mão-de-obra mais barata. Elas reduziram os salários dos mecânicos nos Estados Unidos, bem como a quantidade desses profissionais. E ao mesmo tempo aceleraram o ritmo dos trabalhos nas suas instalações de manutenção.

"Eles deixaram que muita gente fosse embora", critica Kevein Cornwell, um capitão de aeronaves McDonnell Douglas MD-80 da American Airlines, que também é funcionário do sindicato dos pilotos. "Há alguns anos eles venderam peças sobressalentes para arrecadar dinheiro. As coisas não podem ser resolvidas de forma tão rápida".

O maior problema enfrentado pela indústria é o preço do combustível de aviões a jato. Ele acompanha o preço do petróleo, que mais do que dobrou após ter caído para US$ 52 o barril em janeiro de 2007.

Com os preços atuais das passagens, muitos aviões simplesmente são incapazes de operar com lucro. Embora os preços das passagens aéreas tenham sofrido dez aumentos durante o primeiro trimestre, quatro desses aumentos não se sustentaram. E, em muitas rotas, os aumentos que se sustentaram foram inefetivos porque as empresas que oferecem serviços econômicos recusaram-se a acompanhar a elevação de preços.

A Southwest Airlines, a mais influente empresa aérea doméstica, aumentou os preços médios da passagem em apenas 2% no ano passado, para US$ 106,60. E os consumidores tornaram-se surpreendentemente adeptos das pesquisas por preços mais baratos na Internet, frustrando assim a indústria.

Desta forma, as grandes empresas como a Northwest Airlines, a Delta Airlines e a United Airlines responderam em parte deixando no solo os aviões mais antigos e que consomem mais combustível.

Mas as aeronaves mais vulneráveis aos preços mais elevados dos combustíveis poderão ser os jatos regionais de até 50 lugares. Os jatos menores tornaram-se mais comuns nos últimos anos, à medida que as grandes companhias aéreas retiraram os seus aviões de maior porte de vários mercados menores.

A maioria dos jatos menores é operada por linhas aéreas regionais sob contrato com as grandes companhias. E as grandes companhias estão procurando maneiras de se livrarem de alguns desses contratos que lhes têm dado prejuízos.

Mike Boyd, um consultor, acredita que a frota norte-americana de jatos regionais começará a sofrer uma redução neste ano, passando dos atuais 1.675 aviões para 1.042 em 2013. Isso reduziria os serviços para diversas cidades menores e poderia eliminar completamente os vôos para certos mercados.

Em novembro a American Airline anunciou que desejava vender a sua unidade American Eagle, que opera cerca de 200 dos jatos menores e menos eficientes. Até o momento não surgiu nenhum potencial comprador.

A Continental Airlines reduziu os vôos que são realizados pela sua contratada, a Expressjet - naquilo que equivale a 69 jatos regionais. Procurando operar a maioria dessas aeronaves com o seu próprio nome, a Expressjet amargou um prejuízo de US$ 70,2 milhões no ano passado, enquanto em 2006 teve um lucro de US$ 90,6 milhões. Mesmo com os preços reduzidos das passagens, ela só foi capaz de vender 56% das poltronas desse aviões.

E no mês passado a Delta anunciou à Mesa Air que pretendia cancelar um acordo para que a Mesa operasse 36 jatos regionais de menor porte.

"Não existe lugar para colocar esses aviões", afirma Boyd, o consultor.

"É como se essas aeronaves tivessem se transformado em algo como becos sem saída", acrescenta Roger King, um analista da CreditSights. "Os jatos de 50 lugares não são econômicos neste ambiente de combustíveis caros".

Algumas das grandes companhias aéreas acreditam que a salvação está na fusão corporativa, e a Delta e a Northwest parecem estar conversando novamente a respeito de um acordo neste sentido. No entanto, para os passageiros tal acordo traria mais desvantagens do que benefícios. Alguns passageiros que viajam a negócios para toda parte poderiam deslocar-se mais através de uma única companhia aérea, e talvez de forma mais barata.

Mas a fusão das duas companhias, especialmente com os atuais preços dos combustíveis, provavelmente faria com que houvesse menos vôos conjugados em algumas rotas, o que significa que os aviões restantes ficariam mais lotados. UOL

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