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13/04/2008

Britânicos estão fascinados pela campanha política nos EUA

The New York Times
Helen Kirwan-Taylor
Do The New York Times

Em Londres
Há algum tempo, os londrinos vêm usando o pronome "nós" ao se referirem às eleições americanas.

Com a imprensa britânica cobrindo cada detalhe da campanha, muitas pessoas aqui se sentem como se estivessem sentados senão na primeira fileira, na fileira seguinte das eleições americanas. "É claro que é nossa eleição", diz John Gordon, fundador do Intelligence Squared, que organizou uma série de debates públicos atendidos pela classe mais abastada de Londres.

Gordon já saiu mais cedo de jantares para assistir à cobertura das primárias americanas. "A política americana é inextricavelmente ligada à nossa", diz. "Nós somos o 53º Estado. Conhecemos cada detalhe do cabelo de Michelle."

A campanha presidencial, e especialmente a disputa democrata entre os senadores Barack Obama e Hillary Rodham Clinton, é acompanhada com avidez em muitos países onde o poder e a influência americana moldam a vida cotidiana. Poucos são capazes de lembrar uma eleição dos Estados Unidos que tenha gerado tal interesse no exterior, bem como em casa.

Mas a obsessão dos britânicos é fora do comum, graças à grande população expatriada americana que vive no país. Os londrinos têm caído em cima de seus amigos e conhecidos americanos para discutir política. Eles pescam convites para coquetéis com convidados americanos, e estão forçando os portões de eventos para levantar fundos para os candidatos promovidos por americanos que moram no país

"Os britânicos continuam telefonando e perguntando se podem comparecer em nossos eventos", disse um representante dos Americanos no Exterior pró-Obama, que pediu para que seu nome não fosse revelado para poder melhor se esquivar dos pedidos.

Entre si, os londrinos usam expressões como: "Quem você está apoiando?" ao discutir as eleições. O debate está em todo lugar, desde os cafés do Soho até as salas de espera dos consultórios médicos.

"Nunca soube de nenhuma eleição americana que houvesse prendido tanto a atenção do público britânico como esta", escreveu Piers Morgan, jornalista britânico e produtor de TV, num e-mail em resposta a uma enquete. "Todos os meus amigos estão falando sobre as eleições e perguntando como podem invadir a festa."

Principalmente entre os britânicos que participam da elite social e de negócios transatlântica, as pessoas expressam o desejo de subir em um 747 e descer em um dos principais Estados. "A maior parte da elite descolada de Londres já se considera americana", diz Adrian Monck, chefe do departamento de jornalismo e editoração na City University em Londres e autor do livro "Can You Trust the Media?" (algo como "É possível acreditar na mídia?"), que em breve será lançado pela editora Icon Books. "Todos eles passam as férias em Nantucket e Cape Cod e já assistiram a toda a série de TV 'The West Wing'. Se eu tivesse o dinheiro, certamente colocaria algum no cofre de Obama."

As leis eleitorais americanas impedem que cidadãos estrangeiros doassem dinheiro diretamente para um candidato político, o que em tese excluiria a possibilidade de comprar um ingresso para um coquetel ou jantar para levantar fundos. Mas as leis não são capazes de impedir que os londrinos compareçam aos eventos como acompanhantes não pagantes. Ian Rosen, executivo americano que vive em Londres, promoveu uma noite em prol de Obama em fevereiro. Mais tarde ficou sabendo que alguns penetras britânicos haviam se misturado à multidão, muito provavelmente como pares ou convidados de americanos.

"Fiquei muito surpreso com a paixão com que os britânicos vêem as eleições americanas", disse Rosen. "Muitos têm sentimentos mais fortes sobre o assunto do que nós temos."

Dos 225 mil americanos que se estima viverem na Grã-Bretanha, muitos trabalham em áreas como o entretenimento e as finanças. Quando Ruthie Rogers, americana dona de um restaurante na Inglaterra, promoveu um elegante coquetel para levantar dinheiro para Hillary no último outono em sua casa em Chelsea (projetada por seu marido Richard Rogers, que é arquiteto), alguns britânicos compareceram. Um deles era Ian Osborne, um executivo de marketing. Ele degustou canapés ao lado de banqueiros de investimento americanos e algumas socialites, incluindo Jerry Hall.

"Fiquei apenas alguns minutos", disse Osborne. (Esse é o jeito britânico de não querer contar vantagem.)

Um convite de mil dólares por cabeça para um coquetel - ou melhor ainda, um jantar à luz de velas na casa de uma notória angariadora de fundos como Lynn Forrester de Rothschild, uma americana que é casada com o banqueiro Evelyn de Rothschild - é o ingresso mais quente da temporada.

Já o evento mais falado para levantar fundos para Obama está marcado para 28 de abril na casa de Elisabeth Murdoch, em Notting Hill. Ela é filha de Rupert Murdoch da News Corp, nascida nos Estados Unidos e casada com um inglês (Matthew Freud, executivo de relações públicas), assim como outros membros do comitê anfitrião, como Gwyneth Paltrow e Rogers.

O convite enviado por e-mail para o evento, em que os doadores que contribuírem com US$ 2,3 mil serão admitidos em uma "pré-recepção VIP", diz que a noite é limitada apenas para cidadãos americanos ou portadores de green card. Mas o convite continua, dizendo: "esperamos poder abrir uma exceção para permitir que acompanhantes não-americanos dos cidadãos americanos compareçam à recepção principal."

Osborne apontou para o fato de que participar de uma festa como essa pode ser uma estratégia para elevar o status social. "Se Obama ou Clinton for eleito e vir para Londres, um comitê anfitrião será formado", diz ele. "Todo mundo quer estar nessa lista."

"O jantar privado, no fim das contas, será o ingresso mais quente de todos", disse.

Um candidato possível para esse comitê anfitrião, o cineasta Matthew Vaughn, que apóia Obama e é casado com a ex-modelo Claudia Schiffer, diz: "O que é fascinante para mim é que durante anos as pessoas haviam perdido a fé na política. Agora todos querem acompanhar o desenrolar dos eventos."

Nem sempre está claro quem está atrás de um convite para uma futura recepção em Downing Street e quem simplesmente é viciado no drama político mais recente. Para alguns observadores, o desejo de estar entre a elite, no caso da futura presidente ou do futuro presidente afro-americano saírem de Washington para visitar Londres, é uma reminiscência dos anos em que o escritor dissidente Vaclav Havel exercia influência em Praga como presidente da Tchecoslováquia.

"Lembro de toda essa gente elegante de Notting Hill voando para a Tchecoslováquia para encontrá-lo, apenas para contar vantagem", diz Francis Wheen, editor em exercício da revista satírica britânica Private Eye. Eloise De Vylder

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