UOL Notícias Internacional
 

17/04/2008

Chuva forte ajuda a espalhar dengue pelo Sudeste do Brasil

The New York Times
Mery Galanternick e Alexei Barrionuevo
No Rio de Janeiro
Chuvas pesadas no último mês criaram um meio de cultura fértil para os mosquitos carregando o vírus da dengue, aprofundando a crise que já tomou pelo menos 80 vidas no Estado do Rio de Janeiro.

Acredita-se que a linhagem do vírus da dengue que está atacando esta cidade tropical seja mais forte e mais mortífera do que a responsável pela epidemia de 2002, considerada a pior na recente história do Brasil, de acordo com doutor Jacob Kligerman, secretário de saúde da cidade.

A epidemia não vem mostrando sinais de arrefecimento. Desde janeiro, 75.399 pessoas foram infectadas no Estado do Rio, segundo as autoridades até o fechamento desta matéria (13/04). O índice de mortalidade é mais de três vezes maior do que na epidemia de 2002, que levou 91 vidas.

Não há vacina para dengue, também conhecida como "febre quebra-ossos", que se espalha com a picada do mosquito Aedes aegypti. A dengue produz febre alta, manchas na pele, enjôos, vômitos e fortes dores de cabeça, articulares e musculares. O tratamento incluiu antitérmicos, descanso e ingestão de líquido. A doença em geral dura cerca de uma semana.

Crianças com menos de 15 anos, que têm baixa imunidade, são suscetíveis à infecção. Pelo menos 35 crianças morreram da doença no Estado do Rio.

Mesmo com o aumento do total de mortes, a reação das autoridades foi lenta, em parte porque ninguém conseguia decidir se o mosquito era uma questão municipal, estadual ou federal. Nos últimos dias, médicos foram trazidos de outros Estados, e o governo federal enviou 1.700 membros das forças armadas para ajudar nos esforços de combate à doença.

Na semana passada, membros do exército e da marinha treinados pelas autoridades começaram uma excursão de trinta dias pelo Estado do Rio, visitando 95.000 residências para identificar pontos de reprodução do mosquito e ensinar aos moradores métodos de prevenção. Os membros do serviço também estão dando aos pacientes solução salina intravenosa para evitar a desidratação severa.

O mais recente surto foi gerado por chuvas fortes nos últimos meses. O mosquito se reproduz em tanques de água descobertos, piscinas de água parada e pneus descartados que acumulam água. As favelas construídas nas encostas provêem fértil meio de cultura para o mosquito.

O surto da dengue está cobrando um preço do turismo. Embaixadas de diversos países, inclusive dos EUA, Portugal e Itália, emitiram alertas em seus sites advertindo sobre a epidemia no Rio, principal destino dos turistas estrangeiros no Brasil. Dois turistas portugueses foram infectados no Rio, segundo o jornal português. As autoridades recomendam que os visitantes usem calça comprida e camisa de manga comprida e repelente na pele descoberta três vezes ao dia.

Quando duas crianças morreram de dengue aqui em novembro, as autoridades locais determinaram a presença de um segundo tipo de vírus da dengue que poderia causar mais mortes entre crianças do que a epidemia de 2002. Em sua forma mais severa, chamada dengue hemorrágica, a pessoa sofre hemorragia interna e pode eventualmente morrer.

De acordo com o secretário de saúde da cidade do Rio, 50 pessoas que morreram estavam infectadas com a dengue hemorrágica, metade delas com menos de doze anos. O total de mortos da cidade está em mais da metade das 91 mortes de 2002 para todo o Estado do Rio.

Em Jacarepaguá, um dos bairros mais afetados da cidade, a força aérea montou 15 barracas para cuidar de até assentos pacientes por dia. "Havia mais pessoas precisando de assistência do que podíamos lidar", disse o coronel Henry Munhoz, porta-voz da força aérea.

Na semana passada, 4.000 pessoas que serviram de guias para os Jogos Pan-americanos foram chamadas de volta para ajudar a combater a doença. O governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral, anunciou um pacote de medidas de combate à dengue, inclusive uma campanha educacional para transportes públicos, escolas e delegacias.

Sua meta era evitar uma epidemia no ano que vem. O governador expressou frustração com a falta de esforços por parte da prefeitura para prevenir a doença. "Mas, neste instante, estamos enfrentando uma crise; não temos tempo de debater de quem é a responsabilidade", disse aos repórteres no final do mês passado. "Não adianta chorar sobre o leite derramado. Há pessoas morrendo." Deborah Weinberg

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