UOL Notícias Internacional
 

21/04/2008

Começa a era do uso de celular em viagens de avião na Europa

The New York Times
Stephen Castle
Voltando para casa de uma viagem de negócios para Viena na semana passada, François Germain. Gerente regional da BP na França usou seu celular para marcar o ponto com um assistente no escritório central em Paris.

Nada de estranho aí, exceto que Germain falava de uma altitude de 39.000 pés, ou quase 12.000 metros, a bordo da primeira aeronave comercial da Europa a fornecer aos passageiros a oportunidade de usar seus telefones celulares durante o vôo.

A conversa, do assento 14C de um Airbus A318, operado pela Air France, acabou sendo bastante curta.

"Eu disse ao meu assistente que estava falando de um avião," disse Germain, de 45 anos. "Ele respondeu; 'Não estou ouvindo bem. Parece que estou falando com um pequeno robô. '"

Podem ser imperfeitas, mas o fato é que chegaram as ligações telefônicas feitas em pleno vôo.

De forma relativamente discreta as ligações telefônicas, assim como e-mail móvel e mensagens instantâneas já estavam disponíveis há algum tempo em empresas aéreas que incluem a Emirates, Qantas, JetBlue, Virgin America e Alaska Airlines.

Mas no mês passado a Emirates tornou-se a primeira empresa aérea a habilitar serviços de telefonia móvel durante o vôo, em um Airbus A340 de Dubai a Casablanca.

No dia 2 de abril, a Air France começou a oferecer chamadas de voz em um de seus jatos, em caráter experimental, e a BMI da Grã-Bretanha e a TAP de Portugal pretendem fazer o mesmo.

Embora as empresas aéreas dos Estados Unidos tenham se mantido fora do serviço, a Ryanair, a maior companhia aérea de baixo custo da Europa, está tão confiante que a telefonia celular vai mostrar-se popular, que pretende começar a oferecê-la em junho, sem sequer se importar com a realização de testes.

Com o teste da Air France, os passageiros apenas ficaram sabendo da possibilidade de usar seus celulares, quando estiverem no avião. Um anúncio os remete para um cartão com as instruções no bolso do assento.

É dito a eles que desliguem seus celulares durante a decolagem e a aterrissagem - e um ícone especial foi acrescentado, próximo ao sinal de "apertem os cintos" para indicar quando os telefones poderão ser ligados.

Mas ainda há uma série de obstáculos a serem superados. A tecnologia, que deixa os usuários fazer e receber chamadas por meio de um link com satélite e uma estação a bordo, ainda apresenta uma baixa qualidade que torna a maior parte das chamadas feitas durante a viagem curtas e fracas.

Por enquanto, apenas 6 passageiros em cada vôo podem receber o sinal ao mesmo tempo, embora isso deva se expandir para 12. E também existem as contas por roaming que chegam a 3 euros ou US$ 4,80 por minuto.

A bordo durante um recente vôo de Paris a Viena, Linda Woolard, de 66 anos, de Newark, Ohio, mostrou-se firmemente contra as chamadas a bordo.

"Isso foi longe demais," disse Woolard, sentada não muito distante de Germain. "Vamos reduzir o estresse da vida e retornar à forma como vivíamos sem os celulares. Andrea Barany, funcionária pública de Budapeste, que embarcou no vôo de teste da Air France para Viena, não fez questão de ligar seu celular.

"Não preciso estar sendo encontrada o tempo todo", disse. "Posso esperar até aterrissarmos."

De fato, assim que o avião chegou à velocidade de cruzeiro, não houve grande pressa em fazer telefonemas. Vários passageiros haviam deixado seus telefones na bagagem, sem saber que poderiam usá-los.

Uns poucos começaram a fazer testes com envio de mensagens, o que funcionou muito bem. No fundo da cabine, Jurad Klukan de Prievidza, Eslováquia, mandou uma para o filho informando o horário de chegada.

"Não é muito importante, mas é bom poder enviar mensagens de texto," ele disse.

Alguns passageiros fizeram telefonemas de qualidade tolerável para rápidas conversas, apesar do ruído da aeronave. Mas durante os dois vôos, fracassaram várias tentativas feitas por pessoas no solo, para os passageiros.

Muitos passageiros disseram que chamadas feitas para eles foram diretamente transferidas para caixa de correio - gerando a reprovação dos companheiros de viagem pelos aborrecidos toques dos celulares.

Dois usuários de Blackberry que tentaram acessar seus e-mails durante o vôo Viena-Paris não tiveram sucesso.

Enquanto isso, o fato está dividindo o setor de empresas aéreas e os responsáveis pela regulamentação.

A Comissão Européia anunciou no dia 7 de abril as normas para a unificação das exigências de licenciamento e padrões técnicos para cobrir os telefones, enquanto os usuários cruzam múltiplas fronteiras no ar.

Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicações proíbe o uso de telefones celulares em pleno vôo, citando interferência eletrônica com a aeronave e a possibilidade de um ataque terrorista. Regulamentadores europeus dizem que a tecnologia GSM, o padrão europeu, é suficientemente avançada para resistir ao uso por terroristas.

A tecnologia que está sendo testada pela Air France liga os telefones dos passageiros a uma rede de bordo conectada ao solo via satélite. A OnAir, provedora, disse que os níveis de transmissão são baixos o suficiente para evitar que seja afetada a segurança do equipamento da aeronave.

A OnAir é uma joint venture da Airbus com sede em Genebra e na qual as duas empresas oferecem a tecnologia, junto da AeroMobile, uma joint venture da Grã-Bretanha com a companhia telefônica norueguesa Telenor.

O sistema em teste pela Air France usa uma estação de base do avião - chamada pico cell - que se comunica com os próprios aparelhos dos passageiros. Por meio de baixa freqüência, o pico cell, localizado em um compartimento normalmente usado para bagagem de mão, cria uma rede que abrange a cabine do avião.

A estação de base direciona o tráfego que vem e vai dos celulares para um satélite que o transmite para as redes de telefonia móvel no solo. Enquanto a unidade de controle no avião garante que os celulares não se conectem a qualquer estação de base no solo - algo que é tecnicamente possível quando um avião está abaixo dos 10.000 pés.

A proximidade é, por exemplo, o que permitiu aos passageiros a bordo do vôo 93 da United Airlines, um dos quatro que foram seqüestrados nos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001, entrar em contato com funcionários do serviço de emergência e membros da família, antes que ele caísse na Pensilvânia.

Para poder usar o telefone em pleno vôo com a OnAir, os passageiros precisam ter um telefone GSM e um acordo de roaming com sua companhia telefônica que lhes permita fazer chamadas internacionais. A OnAir manda a conta para a rede doméstica dos usuários que de sua parte, transfere a conta para os clientes.

Tais taxas são determinadas pelas provedoras de serviço o que varia, embora a OnAir diga que estas devam custar em média de 2 euros a 3 euros por minuto. Elas não dependem do país de onde o telefonema está sendo dado.

O que continua sendo a questão central é saber se os passageiros querem continuar conectados ou não.

A Lufthansa, a segunda maior empresa aérea da Europa, depois da Air France - KLM decidiu não oferecer o serviço, depois que os viajantes deixaram clara sua aversão.

"Nossos passageiros nos disseram que não querem o barulho a bordo", disse Thomas Jachnow, porta-voz da Lufthansa com sede em Frankfurt.

"Eles dizem: 'Teremos celulares tocando e pessoas falando e enquanto isso eu preciso dormir porque devo estar tranqüilo para uma reunião na manhã seguinte. ' Eles não querem ser perturbados, especialmente em vôos noturnos."

A Air France pede aos passageiros dos vôos que permitem celulares que respondam a um questionário. Até agora, disse a empresa, a reação ao uso de serviços de mensagens curtas tem sido particularmente positiva, mas ainda é muito cedo para se fazer uma análise completa. Uma porta-voz disse que a empresa decidirá no início do verão se continua ou não com o serviço.

Um porta-voz da OnAir, Charlie Pryor, disse que a empresa tem acertos financeiros diferentes com as empresas aéreas, e isso depende de saber se sua meta é atrair clientes fornecendo o serviço ou elevar a receita.

Peters Sherrard, diretor de comunicações da Ryanair, disse que o acordo da empresa aérea era comercial

"Nós esperamos que ele contribua para receitas auxiliares que têm sido usadas para reduzir o custo de nossos vôos," ele disse.

Quanto ao problema do barulho, a Ryanair não está preocupada, disse Sherrard, acrescentando: "Nossas cabines nunca foram lugares silenciosos. As pessoas estão constantemente indo e vindo pelos corredores, vendendo raspadinhas ou comida e nós acreditamos que exista um mercado para isso."

A Ryanair, com sede na Irlanda, pretende iniciar o serviço em 20 aviões e depois oferecê-lo em toda a frota de 163.

Uma pesquisa publicada em janeiro de 2006 pela Carson Wagonlit Travel mostrou que 7 em 10 europeus que viajam a negócios eram contra o uso de celulares, índice que era de 57% entre os norte-americanos.

Mas sem os desagradáveis ringtones sendo tocados, a hostilidade dos passageiros na rota Paris-Viena mostrou-se limitada.

"Isso não é muito importante em vôos curtos, mas nos mais longos de 10 a 12 horas - para Tóquio, por exemplo - estar sem o celular no avião é uma desvantagem," disse Jacques Bouchard, principal executivo da GEN International Fórum, uma rede de pesquisa de energia nuclear. "Ter um é uma segurança."

Outros o encaram mais como uma ferramenta social.

"É ótimo, disse Anastásia Tarassova, uma atriz russa que mora em Paris, depois de trocar mensagens SMS com o noivo. "Isso significa que se você tiver um problema, pode telefonar. Germain, o gerente da BP, está indeciso. Ele é um entusiasmado usuário de novas tecnologias e costuma pegar o trem de alta velocidade de Paris a Marselha porque pode usar seu laptop, o celular e mandar e-mails.

Se as empresas aéreas pararem de oferecer as mesmas possibilidades com tempos menores de viagem, pode pensar na possibilidade de mudar, diz.

Mas ao mesmo tempo, comenta, sente saudades dos dias antes do telefone celular, quando a viagem acabava sendo uma "área de calma" Claudia Dall'Antonia

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