UOL Notícias Internacional
 

22/04/2008

Hipertensão: recuando, mas não vencida

The New York Times
Jane E. Brody
Assim como os níveis de colesterol, o conceito de uma pressão arterial normal tem mudado à medida que os médicos aprendem sobre o que é necessário para manter uma boa saúde. Décadas atrás, por exemplo, meu irmão Jeff, que tinha pressão alta que pairava entre 160/80 e 170/90 mmHg (milímetros de mercúrio), seria considerado normal.

Andy Martin/The New York Times
 
Carentes de bons tratamentos para hipertensão, nenhum médico se preocupou quando a pressão do presidente Franklin D. Roosevelt estava a 170/90 quando tinha 57 anos. E assim a pressão do presidente subiu ao longo dos seis anos seguintes, e em 12 de abril de 1945, aos 63 anos de idade e com uma pressão de 200/110, ele morreu de hemorragia cerebral causada por hipertensão severa.

Mas em 2000, quando Jeff tinha 54 anos, seu cardiologista tinha melhor conhecimento. Agora com tratamentos excelentes, com freqüências usados em combinação, uma pressão elevada pode ser reduzida ao normal na maioria das pessoas. O médico dele disse que, com o histórico médico de nossa família de três doenças coronárias pelo nosso lado paterno entre as idades de 56 e 58 anos, algo precisava ser feito para proteger a saúde de Jeff.

O tratamento de Jeff "evoluiu" até ele tomar um coquetel diário de três pílulas -Diovan HCT, uma combinação de um diurético e um bloqueador do receptor de angiotensina II; Norvasc, um bloqueador de canal de cálcio; e Toprol XL, um bloqueador beta. Ele também faz exercício na esteira várias vezes por semana, sobe e desce as escadas em casa e trabalha o dia todo, além de comer uma dieta em grande parte boa para o coração, incluindo cinco a 10 porções de frutas, verduras e legumes por dia, pão integral, leite sem gordura e alimentos sem adição de sal.

Com sua pressão atualmente em 106/66, a extremidade inferior do normal, meu irmão conseguiu até agora escapar de uma morte prematura por doença coronária.

A hipertensão, antes conhecida como "assassina silenciosa", agora não é mais tão silenciosa. Graças a campanhas estimulando médicos a medirem a pressão de cada paciente em cada consulta, a maioria dos casos é detectada. Apesar de tratamento ser prescrito para quase todas as pessoas que possuem pressões constantemente acima de 140/90, atualmente chamado de normal limítrofe, até metade dos pacientes ainda possui pressão alta.

Por quê? Porque os médicos não são agressivos e criativos no tratamento do problema; porque diferente do meu irmão, muitos pacientes não seguem as ordens do médico e não cumprem as prescrições ou não tomam os medicamentos diariamente; e porque o aumento do peso dos americanos e a paixão por alimentos altamente salgados processados ou preparados em restaurante aumentaram a pressão antes normal de muitas pessoas até níveis que os especialistas dizem que devem ser tratados.

Um novo relatório da Associação Americana do Coração descreve a hipertensão não tratada como particularmente séria entre as mulheres. A obesidade no abdome, um importante fator de risco para hipertensão, é encontrada em 79% das mulheres hipertensas em comparação a 64% dos homens hipertensos. Cerca de um terço das mulheres hipertensas possui pressão arterial controlada em níveis ótimos, 120/80 ou abaixo.

O problema é particularmente comum entre as mulheres que tomam contraceptivos orais, cujo risco de hipertensão é duas ou três vezes maior do que das mulheres de sua idade que usam outra forma de contracepção ou nenhuma.

A hipertensão é uma das doenças que trazem risco à vida mais comuns do país, com uma incidência geral entre adultos de quase 30%, como apontou uma pesquisa envolvendo 14.600 pessoas em 2003 e 2004. E até 66% das pessoas com 60 anos ou mais possuem pressões elevadas que exigem tratamento, como mostrou a pesquisa. Um aumento da pressão arterial com a idade é comum apenas nos países desenvolvidos, em grande parte devido à dieta rica e salgada, excesso de peso e exercício inadequado.

Nos Estados Unidos, a alta incidência de hipertensão e seu tratamento inadequado ajudou a compensar o declínio ao longo de décadas de mortalidade por doenças coronárias. Além de ataques cardíacos, hipertensão inadequadamente ou não tratada pode causar derrames, falha cardíaca congestiva, insuficiência renal e diabete.

Segundo um relatório de maio passado no "The Journal of Clinical Hypertension", ainda persistem mitos. No ano passado, uma pesquisa nacional online envolvendo 1.245 adultos com pressão alta apontou que muitas pessoas ainda acham que a hipertensão significa estar tenso ou ansioso e que cerca de 30% das pessoas acham que pode ser curada com perda de peso, informaram o dr. Marvin Moser, da Fundação de Ensino em Hipertensão, em Scarsdale, Nova York, e o dr. Stanley S. Franklin, da Universidade da Califórnia, em Irvine.

Apesar da perda de peso e as melhorias na dieta e nos hábitos de exercício realmente ajudarem as pessoas a reduzirem uma pressão elevada, "a maioria das pessoas não consegue ajustar seu estilo de vida o suficiente para normalizar a pressão arterial", disse Moser em uma entrevista. "A maioria das pessoas precisa da ajuda de medicamentos, notadamente um diurético em combinação com uma ou duas outras drogas. A maioria dos pacientes não consegue normalizar sua pressão sem essa combinação."

Os médicos possuem mais de 100 drogas entre as quais escolher. Se uma ou duas não reduzirem a pressão ao normal ou causarem efeitos colaterais desagradáveis, os pacientes devem insistir em experimentar outras, disse Moser. Os efeitos colaterais dos medicamentos para pressão arterial não são mais um problema como antes, disse o médico. "Nas doses atualmente usadas, mais de 90% das pessoas experimentam muito poucos efeitos colaterais."

Um problema com a abordagem sem medicamentos é a dificuldade que muitos pacientes têm em adotar e manter uma dieta e um programa de exercício capaz de reduzir significativamente sua pressão. Dados da mais recente pesquisa nacional de nutrição, descrita na edição de 11 de fevereiro do "The Archives of Internal Medicine", disse que uma dieta chamada DASH, que reduz de forma eficaz a pressão arterial, não foi devidamente seguida pelas pessoas com hipertensão. Esta dieta é rica em frutas, verduras, legumes e derivados de leite com baixa gordura, uma mistura que fornece fontes excelentes de fibras, potássio, magnésio e cálcio. A dieta é mais eficaz se for baixa em sal, com uma ingestão de sódio de cerca de 1.500 miligramas por dia.

O altamente publicado valor da dieta DASH foi demonstrado em um grande estudo patrocinado pelo governo publicado em 1997. Mas o novo estudo mostrou que nos anos desde então, em vez de melhorar, a qualidade da dieta das pessoas com hipertensão piorou.

Ainda assim, como mostrou o caso do meu irmão, mesmo com uma boa dieta, exercícios regulares e peso saudável, a maioria dos pacientes hipertensos precisa de medicação para atingir uma boa pressão arterial. E isso inclui os idosos, que geralmente não respondem tão bem quanto as pessoas mais jovens a medicamentos para pressão.

"Estudos mostraram que mesmo uma redução modesta na pressão arterial é benéfica para os idosos, reduzindo o risco de derrames, ataques cardíacos, falha cardíaca e morte", disse Moser. "E um novo estudo nos muito idosos, pessoas com 80 anos ou mais, mostrou que o tratamento da hipertensão também reduz o risco geral de morte."

Em todas as faixas etárias, "a inércia física é um grande problema", ele disse, acrescentando: "Em 30% dos pacientes cuja pressão arterial permanece alta apesar do tratamento, nada é feito a respeito de mudar sua medicação".

Ele pediu às pessoas cuja pressão arterial é maior do que 140/90 que perguntem a seus médicos: "Não deveríamos estar tentando outra coisa?"

Estas são as principais categorias de medicamentos atualmente usados para reduzir a pressão arterial elevada. Dois ou mais tipos de drogas costumam ser usadas de forma combinada para obter pressão de 120/80 ou menos.

Diuréticos. Esta primeira frente de tratamento para hipertensos remove o sal ou sódio excedente do corpo e permite que os vasos sangüíneos dilatem, o que reduz a pressão sangüínea. Eles incluem Esidrix, Hydrodiuril e Zaroxolyn.

Inibidores da ECA. Drogas como Aceon, Lotensin, Monopril e Vasotec atuam ao prevenir a produção de acetilcolina-esterase, que faz os vasos sangüíneos contraírem.

BRAs. Também conhecidos pelo seu nome completo, bloqueadores do receptor de angiotensina, estas drogas afetam as mesmas substâncias químicas que os inibidores da ECA, mas em local diferente. Eles incluem o Diovan, Benicar e Avapro.

Bloqueadores de canal de cálcio. Drogas como Norvasc, Procardia XL e DynaCirc CR ajudam a dilatar os vasos sangüíneos ao prevenir o cálcio de entrar nas paredes dos vasos sangüíneos ou músculo cardíaco.

Bloqueadores beta. Lopressor, Tenormin e Toprol XL reduzem os efeitos da adrenalina. Eles reduzem o trabalho do coração ao desacelerar o batimento cardíaco e reduzir sua força quando contrai, reduzindo assim a pressão arterial. George El Khouri Andolfato

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