UOL Notícias Internacional
 

23/04/2008

Partido Democrata perde com vitória de Hillary na Pensilvânia

The New York Times
Adam Nagourney*
Do The New York Times
O Partido Democrata poderá ser o verdadeiro perdedor na eleição primária da Pensilvânia na terça-feira.

A senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, derrotou o senador Barack Obama, de Illinois, por margem suficiente para continuar uma batalha que os democratas cada vez mais acreditam estar minando seus esforços para unir o partido e preparar para a eleição geral contra o senador John McCain, do Arizona.

Esta preocupação foi confirmada em pesquisas de boca-de-urna, que novamente acentuaram as divisões raciais, econômicas, de gênero e valores no partido, que os republicanos sem dúvida tentarão explorar caso Obama conquiste a indicação.

Para pegar um exemplo, apenas 50% dos eleitores católicos democratas que freqüentam a igreja semanalmente disseram que votariam em Obama na eleição geral; 25% disseram que votariam em McCain.

"Isto é exatamente o que eu tinha medo que acontecesse", disse o governador do Tennessee, Phil Bredesen, um democrata que não apoiou ninguém na disputa. "Eles permanecerão ali atacando e minando um ao outro, sem que ninguém vença. Isso ressalta a necessidade de encontrar alguma forma de concluir isto."

O Partido Democrata, tão energizado e otimista há poucos meses, agora se vê em uma posição que poucos esperariam: uma batalha pela indicação não resolvida, com dois candidatos promovendo ataques cada vez mais danosos. Em um momento em que o Partido Democrata adoraria voltar sua atenção para McCain, ele agora enfrenta pelo menos mais duas semanas de campanha -e talvez consideravelmente mais- correndo o risco de danos irreparáveis às imagens tanto de Hillary quanto de Obama.

Dito isso, os temores dos democratas poderiam se dissipar razoavelmente rápido. Hillary ainda enfrenta obstáculos imensos para obter a indicação, e permanece possível que sua candidatura chegue ao fim em até duas semanas, quando Indiana e Carolina do Norte votarem. Se isso acontecer, o Partido Democrata supostamente teria tempo e motivação para curar suas feridas.

"Nós temos problemas independente do caminho que seguirmos, mas eles serão curados", disse Joe Trippi, que foi um alto assessor da campanha presidencial de John Edwards, da Carolina do Norte, que abandonou a disputa no início do ano. "Se não forem, teremos problemas."

Ainda assim, os padrões de votação na terça-feira realçaram um dos argumentos centrais de Hillary junto aos líderes do Partido Democrata, ao afirmar que Obama teria dificuldades como candidato na eleição geral. Novamente, como em Ohio há seis semanas, ele está tendo dificuldade para obter o apoio de eleitores que seriam fundamentais para uma vitória democrata em novembro.

Hillary apresentou a questão sem rodeios na terça-feira. "Considerando sua vantagem financeira, a questão passa a ser, por que ele não consegue fechar o negócio?", disse Hillary do lado de fora de um local de votação em um subúrbio ao norte da Filadélfia. "Por que ele não consegue vencer em um Estado como este?"

Obama continua com uma vantagem sobre Hillary no total de votos populares, assim como em número de delegados. Estes fatores pesarão junto aos superdelegados, democratas eleitos e líderes do partido cujos votos serão necessários para dar a Hillary ou Obama o total de 2.025 votos para obter a indicação.

Ainda assim, há alguns sinais preocupantes para Obama após várias semanas difíceis para ele na campanha. No mínimo, ele teria bastante trabalho a fazer até novembro em caso de obtenção da indicação, como acreditam até mesmo aqueles que o apóiam.

"Os ataques negativos provocaram alguns estragos", disse o governador do Novo México, Bill Richardson. "Eu acredito que a recuperação é possível, principalmente por causa de seu tema de unidade e união das pessoas. Mas há alguns estragos."

Richardson, refletindo a preocupação geral entre os democratas com a campanha, acrescentou: "Eu também acredito que os ataques negativos da senadora Hillary também a prejudicaram, como mostraram as recentes pesquisas".

Os resultados da pesquisa de boca-de-urna, realizada em 40 distritos por toda a Pensilvânia pela Edison/Mitofsky para as redes de televisão e para a agência de notícias "The Associated Press", também encontrou evidência de que a raça de Obama poderia ser um problema na eleição geral: 16% dos eleitores brancos disseram que raça importava na decisão sobre em quem votar, e apenas 56% destes eleitores disseram que apoiariam Obama na eleição geral; 27% deles disseram que votariam em McCain caso Obama fosse o candidato democrata, e 15% deles disseram que deixariam de votar.

Após semanas nas quais Obama foi pressionado a explicar o que seus oponentes buscaram caracterizar como comentários pejorativos sobre donos de armas e freqüentadores de igreja, Hillary o derrotou entre estes eleitores.

Cerca de 15% dos eleitores democratas disseram que votariam em McCain em vez de Obama na eleição geral. Hillary derrotou Obama com folga entre os católicos, um eleitorado que será crítico em Estados como Ohio e Pensilvânia.

"Há questões que as pessoas levantam a respeito dele, e também há questões que as pessoas levantam em relação à senadora Clinton", disse Bredesen. "Ambos possuem grandes pontos fortes e também possuem pontos fracos. Quanto mais cedo terminarmos isso e buscarmos tratar desses pontos fracos, melhor."

Hillary foi rápida em prometer que não se empenhará nas próximas duas grandes disputas, em Indiana e Carolina do Norte. Mas se o resultado lhe deu força suficiente para prosseguir, ele provavelmente não a ajudou muito a conseguir duas de suas principais metas: diminuir a vantagem geral de Obama no voto popular ou a vantagem dele em delegados eleitos nas primárias e convenções até o momento.

A senadora enfrenta alguns obstáculos difíceis. Sua campanha está virtualmente sem dinheiro e os resultados de terça-feira não a ajudarão a arrecadar mais fundos.

"Ela precisava de uma grande vitória, porque uma grande vitória poderia levar ao ingresso dos US$ 30 milhões ou US$ 40 milhões que ela precisará para competir em Indiana, Carolina do Norte, Oregon e Virgínia Ocidental", disse Trippi.

*Megan Thee, Marjorie Connelly e John M. Broder contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,97
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,99
    64.389,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host