UOL Notícias Internacional
 

25/04/2008

Krugman: slogan de Obama passou de "sim, nós podemos" para "não, ela não pode"

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
Após a derrota de Barack Obama na Pensilvânia, David Axelrod, seu diretor de campanha, minimizou: "Nada mudou nesta noite na física básica desta disputa".

Ele pode estar certo -mas que decepção. Há poucos meses a campanha de Obama falava sobre transcendência. Agora fala sobre matemática. "Sim, nós podemos" se transformou em "Não, ela não pode".

Não era desta forma que as coisas deveriam se desenrolar.

Obama supostamente deveria ser uma figura transformadora, com uma capacidade quase mágica de transcender as diferenças partidárias e unir o país. Assim que os eleitores o conhecessem -e assim que tivesse eliminado a vantagem financeira e organizacional inicial de Hillary Clinton- ele supostamente deveria obter facilmente a indicação, então marchar para uma grande vitória em novembro.

Bem, agora ele dispõe de uma imensa vantagem financeira e apoio de grande parte do establishment democrata -mas ainda parece não conseguir conquistar grandes blocos de eleitores democratas, especialmente entre a classe operária branca.

Como resultado, ele continua perdendo nos grandes Estados. E as pesquisas sobre a eleição geral sugerem que ele poderia perder para John McCain.

O que saiu errado?

Segundo muitos partidários de Obama, é tudo culpa de Hillary. Se ela não tivesse lançado todos aqueles ataques vis contra o herói deles -se ela não tivesse simplesmente ido embora- a aura dele estaria intacta e sua missão de unir os Estados Unidos ainda estaria nos trilhos.

Mas quão negativa realmente foi a campanha de Hillary? Sim, ela veiculou uma propaganda que incluía Osama Bin Laden em uma montagem de imagens de crise, que também incluíam a Grande Depressão e o furacão Katrina. Escutando alguns especialistas, você acharia que a propaganda era praticamente a mesma que a famosa dos republicanos acusando Max Cleland de ser fraco em segurança nacional.

Não era. Os ataques da campanha de Hillary são um jogo de peteca em comparação ao rúgbi que os republicanos vão jogar na eleição geral. Se a disputa relativamente branda entre os democratas foi suficiente para derrubar Obama de seu pedestal, que esperança ele tem de suportar a eleição geral?

Permita-me oferecer uma sugestão alternativa: talvez sua campanha de transformação não esteja conquistando os eleitores da classe operária porque transformação não é o que estão procurando.

Desde o início, eu me perguntei o que a retórica de Obama, sua conversa sobre nova política e declarações de que "nós somos aqueles que estávamos esperando" (esperando para fazer o quê, exatamente?) significavam para as famílias com salários defasados, sem segurança no emprego e com medo de perder sua cobertura de saúde. A resposta, de Ohio e Pensilvânia, parece bem clara: não muito. Hillary conseguiu permanecer na corrida, apesar das dificuldades, em grande parte por seu estilo pé no chão e seu interesse óbvio nos detalhes das políticas terem apelo junto a muitos eleitores para os quais a eloqüência de Obama não tem.

Sim, eu sei que há muitas propostas no site da campanha de Obama. Mas tratar das preocupações reais dos trabalhadores americanos não é o tema central da campanha.

A campanha de Obama dedicou muito mais energia no ataque às propostas de Hillary para a saúde do que promovendo a idéia de cobertura universal.

Durante os últimos dias de campanha na Pensilvânia, o comitê eleitoral de Obama veiculou uma propaganda de TV repetindo a acusação desonesta de que o plano de Hillary forçaria as pessoas a comprarem planos de saúde pelos quais não poderiam pagar. Foi tão negativa quanto qualquer propaganda veiculada por Hillary -mas talvez mais importante, foi uma fomentação de medo voltada a pessoas que não acham que precisam de seguro saúde, em vez de uma garantia para as famílias que estão tentando obter cobertura ou têm medo de perdê-la.

Não é de estranhar que os democratas mais velhos continuem preferindo Clinton.

A pergunta que os democratas, tanto de dentro quanto de fora da campanha de Obama, deveriam fazer a si mesmos é esta: agora que a mágica se dissipou, do que se trata a campanha? De forma mais geral, o que os democratas pretendem nesta eleição?

Deveria ser uma pergunta fácil de responder. Os democratas podem se retratar como sendo o partido da segurança econômica, o partido que criou o Seguro Social e o Medicare (o seguro-saúde para idosos) e defendeu estes programas dos ataques dos republicanos -e o partido que pode fornecer cobertura de saúde garantida para todos os americanos.

Eles também podem se retratar como o partido da prosperidade: o contraste entre a economia de Clinton e a economia de Bush é a melhor propaganda gratuita que os democratas têm desde Herbert Hoover.

Mas a mensagem da grande tradição que os democratas estão prontos para explorar não combina bem com as alegações de promoção de uma "nova política" e com a retórica que atribui a culpa sobre nosso estado atual igualmente a ambos os partidos.

E a menos que os democratas consigam superar este estado de confusão auto-infligido, há uma boa chance de conseguirem arrancar uma derrota das garras da vitória em novembro. George El Khouri Andolfato

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