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25/04/2008

Para um sobrevivente da indústria do pinball, o jogo não acabou

The New York Times
Monica Davey

Em Melrose Park, Illinois
O interior de uma fábrica de máquinas de pinball soa exatamente como você imaginaria. Por todo um depósito de 3.680 metros quadrados aqui, há uma cacofonia animada de batidas de flippers (batedores), sinos, bumpers e bolas clicando em um loop interminável. A ficha não acaba nunca.

Mas este lugar, a Stern Pinball Inc., é a último de sua espécie no mundo. Uma série de empresas antes produziam máquinas de pinball em massa, especialmente na área de Chicago, a ex-capital do setor. Agora há apenas a Stern. E mesmo aqui a atividade desacelerou: a Stern, que costumava produzir 27 mil máquinas de pinball a cada ano, agora produz apenas 10 mil.

Para a maioria, a história parece familiar -de uma febre que teve seu momento, dos computadores que se tornaram sofisticados, de uma cultura que começou a ficar em casa para se divertir, da substituição pelos videogames. Mas os fãs de pinball, esta é uma perda de espaço dolorosa, e uma que, alguns insistem, ainda poderá ser revertida.

Sally Ryan/The New York Times 
Gary Stern, dono do Stern Pinball, acredita que o jogo ainda irá sobreviver por dez anos

"Há muitas coisas para as quais olho e coço a cabeça", disse Tim Arnold, que tinha uma casa de diversões eletrônicas no auge do pinball nos anos 70 e recentemente abriu o Salão da Fama do Pinball, um museu sem fins lucrativos em um centro comercial em Las Vegas. "Por que as pessoas ficam jogando em seus celulares enquanto escrevem e-mail? Eu não entendo."

"O que está matando o pinball não é que as pessoas não gostem dele. É que não há mais nenhum lugar onde jogar."

Na linha de produção desta fábrica em um subúrbio a oeste de Chicago, vários trabalhadores puxam e torcem fios coloridos, abrem furos em estruturas de madeira, parafusam os flippers e lâmpadas minúsculas e outros elementos do jogo, que no final se moverão, girarão e provocarão você.

Apesar do pinball ter raízes em um jogo do século 19 chamado bagatelle, elas estão muito longe de ser máquinas simples. Cada uma contém mais de 800 metros de fios e 3.500 componentes minúsculos, sendo necessárias 32 horas para montá-la -ou como o presidente da empresa, Gary Stern, gosta de dizer, mais tempo do que um Ford Taurus.

Stern, o último magnata das máquinas de pinball, é um homem de 62 anos que fala rápido e gosta de tirar sarro, com cabelos brancos e óculos de armação branca combinando, pele bronzeada, que come jujubas em sua mesa e recentemente quebrou uma costela praticando snowboarding no Colorado.

A fábrica é um emprego dos sonhos para um fã do jogo, uma fábrica do Willy Wonka das máquinas de pinball. Alguns projetistas ficam sentados em escritórios de vidro sentados diante de suas máquinas de pinball.

Alguns funcionários são obrigados a passar 15 minutos por dia na "sala de jogos", jogando os modelos mais recentes para não incorrerem na ira de Stern. "Você trabalha em uma empresa de pinball", ele explicou, de forma rabugenta, "então você tem que jogar bastante pinball". (Em um painel aqui, os profissionais apresentam suas críticas, que, em um dia recente, incluíam "flippers com sensação leve demais" e "display idiota".)

E em um laboratório de teste dedicado à física disso tudo, bolas prateadas são rebatidas sozinhas em caixas por horas para registrar quão bem suportam certos flippers, bumpers e outros elementos.

O pai de Stern, Samuel Stern, passou sua vida no ramo de pinball, começando como um operador do jogo nos anos 30 -quando surgiu uma versão simples da máquina de pinball moderna produzida em massa. Dezenas de empresas logo passaram a produzir as máquinas, disse Roger Sharpe, amplamente considerado o principal historiador do jogo depois da publicação de seu livro, "Pinball!", em 1977.

A criação do flipper -popularizado pelo jogo Humpty Dumpty em 1947- transformou a atividade, que passou por ondas de popularidade nos anos 50, 70 e início dos anos 90.

"Todos acham que é algo retrô, como nostalgia", disse Sharpe. "Mas não é. Estes são jogos sofisticados. O pinball é atemporal."

Stern reconheceu que a demanda está em baixa. Alguns jogadores são fiéis; a Associação Internacional de Flipper Pinball mantém um ranking cuidadoso dos maiores jogadores do mundo. Mas o jogador casual se afastou.

"Todo o setor de diversões eletrônicas por ficha não é mais o mesmo", disse Stern.

As lojas, bares, centros de diversões eletrônicas e boliches pararam de estocar máquinas de pinball. Um público mais jovem se voltou para os videogames. Mas homens de certa idade, disse Arnold, 52 anos, se tornaram um público confiável. ("As garotas não entendem o jogo", ele anunciou.)

Assim, para Stern, o comprador de pinball está mudando.

Nos Estados Unidos, disse Stern, metade de suas máquinas novas, que custam cerca de US$ 5 mil e são compradas por meio de distribuidores, agora vão diretamente para as casas das pessoas do que para os centros de diversões eletrônicas. Ele disse que apenas 40% das máquinas -algumas projetadas para ter apelo a jogadores franceses, alemães, italianos e espanhóis- são exportadas, e ele acrescentou que está trabalhando para conseguir avanços na China, Índia, Oriente Médio e Rússia.

Stern disse que a noção por trás do jogo é universal, duradoura.

Pergunte a Stern sobre o futuro e ele faz uma rara pausa. Em 10 anos, ele disse, o pinball estará bem. Sua empresa ainda estará aqui, produzindo máquinas de pinball. Daqui 50 anos? É muito tempo para se pensar a respeito, ele disse. Mas pressionado a ponderar, ele disse estar certo de uma coisa: o pinball ainda existirá.

"Olha, o pinball é como tênis", disse Stern, notando que uma quadra de tênis, por exemplo, nunca será redonda e que certos elementos do campo de jogo do pinball são igualmente imutáveis e duradouros. "Este é um jogo de bola. É um jogo de bola e batedor, ok?" George El Khouri Andolfato

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