UOL Notícias Internacional
 

02/05/2008

Protestos de imigrantes no 1º de maio são menores do que os do ano passado

The New York Times
De Randal C. Archibold*

Em Los Angeles
Milhares de imigrantes, e aqueles que os apóiam, marcharam em várias cidades na quinta-feira para exigir direitos civis, em um momento em que a repressão aos imigrantes ilegais está aumentando. Mas as manifestações de 1º de maio foram significativamente menores do que nos anos anteriores e desapareceram os pedidos para um boicote nacional a empresas e trabalho, como os líderes dos protestos fizeram no ano passado. Disc-jóqueis de língua espanhola que promoveram intensamente marchas
anteriores mantiveram sua programação regular. E desentendimentos entre os defensores sobre qual a melhor abordagem para conquistar a legalidade para os imigrantes ilegais diminuíram o poder de organização, com muitos grupos voltando sua atenção para o registro de eleitores e processos de cidadania.

Em uma cidade após a outra, incluindo Nova York, Chicago, Houston e Los
Angeles, as multidões eram uma pequena fração das de anos anteriores, com poucas pessoas fora das áreas de protesto até mesmo cientes de que as marchas estavam ocorrendo.

Alguns simpatizantes disseram que perderam um chamado de mobilização com a estagnação no Congresso da reforma da Lei de Imigração. Ao mesmo tempo, com o governo aumentando a fiscalização da imigração e da fronteira, uma nuvem de medo paira sobre os imigrantes, que temem que as manifestações possam levar a mais batidas.

Monica Almeida/The New York Times
Com bandeiras do México e dos Estados Unidos, família participa de marcha do 1º de maio em Los Angeles...
Monica Almeida/The New York Times
... que, como em outras cidades do país, mobilizaram milhares de imigrantes...
Monica Almeida/The New York Times
... embora o total de participantes tenha diminuído em relação aos anos anteriores, em boa parte pelo medo da repressão
Milwaukee conseguiu um dos comparecimentos mais robustos, com milhares de
pessoas se reunindo como no ano passado. Os manifestantes pediram aos principais candidatos presidenciais -cada um deles apoiou os esforços legislativos para permitir algum meio para certos imigrantes ilegais obterem o status legal- para que tornem a imigração uma prioridade.

"Nós queremos um compromisso dos três candidatos presidenciais para que passem uma reforma humana da imigração nos primeiros 100 dias de governo", disse Christine Neumann-Ortiz, diretora da Voces de la Frontera, a principal organização por trás da marcha em Milwaukee. Em Los Angeles, onde tropas de choque da polícia empurraram e bateram em manifestantes e jornalistas no ano passado, algumas manifestantes temiam problemas, apesar das marchas por todo o país terem transcorrido em grande parte de forma pacífica.

"Hoje a polícia não trouxe seus cassetetes", anunciou Jorge Reyes em espanhol, de um caminhão no centro de Los Angeles. "Hoje eles vieram em paz para nos ajudar a legalizar os 12 milhões de imigrantes neste país."

As mensagens nas camisetas e cartazes e os líderes do protesto com megafones exigiam um fim das batidas contra imigrantes que levaram a um número crescente de deportações. Foram 280 mil pessoas deportadas dos Estados Unidos no ano passado, um aumento de 44% em relação ao ano anterior. O prefeito Anthony Villaraigosa, de Los Angeles, que pediu ao Departamento de Segurança Interna para que parasse com as batidas nos locais de trabalho, se juntou a empresários e líderes trabalhistas na quarta-feira para anunciar um estudo que apontou que as batidas são prejudiciais à economia. O estudo disse que 50% ou mais dos trabalhadores em alguns setores locais estavam no país ilegalmente, e projetou um grande mal à região caso as empresas fechassem ou transferissem seus negócios por causa das batidas de imigração.

Os defensores de controles mais rígidos sobre a imigração disseram que os protestos apenas energizaram os oponentes da legalização. Os líderes da NumbersUSA, um dos maiores grupos que defendem uma repressão à imigração ilegal, pediram aos seus membros para que telefonem aos seus representantes no Congresso e usem os protestos para ajudar a defender seu argumento.

"Os manifestantes dizem para suspender a regra da lei e recompensar a
ilegalidade", disse Roy Beck, diretor-executivo da NumbersUSA, que alega que o número de seus membros cresceu de 112 mil, há três anos, para mais de 600 mil.

"Nossos membros que telefonam dizem que aquilo que os eleitores realmente querem é a aplicação da lei", acrescentou Beck. "Nós queremos remover o ímã de empregos e basicamente criar um ambiente inóspito para imigrantes que violam as leis, de forma que mais e mais decidirão voltar para casa e não vir."

Contramanifestantes apareceram em algumas marchas, incluindo em Boston, onde a polícia teve que separar os manifestantes que se envolveram em bate-bocas acalorados, cheios de xingamentos.

Apesar de menores, as multidões eram freqüentemente festivas e misturavam várias causas, com um comício na Union Square Park, em Manhattan, que atraiu várias centenas de pessoas invocando socialismo, violência policial e teorias de conspiração do 11 de Setembro, além dos direitos dos imigrantes.

Lisa Melendez, uma bibliotecária de uma faculdade comunitária de Long Island, Nova York, disse que participou do comício na Union Square para defender a legalização de seus estudantes, muitos deles mexicanos e equatorianos.

"Para as mulheres jovens é particularmente difícil, porque elas estudam arduamente para obter um diploma de engenharia, e então acabam trabalhando como babás ou faxineiras", disse Melendez, ao lado de cinco estudantes que vieram com ela.

*Ana Facio Contreras, em Los Angeles; C.J. Hughes, em Nova York; Barbara J. Miner, em Milwaukee; e Katie Zezima, em Boston, contribuíram com reportagem George El Khouri Andolfato

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