UOL Notícias Internacional
 

07/05/2008

Precisando de dois Estados, Hillary Clinton vê suas opções encolherem

The New York Times
Adam Nagourney*
Do The New York Times
Neste caso, mesmo uma divisão não seria um empate.

A derrota da senadora Hillary Rodham Clinton na Carolina do Norte, na noite de terça-feira, combinada com a disputa apertada em Indiana, onde a apuração prosseguia madrugada adentro, não ajudou a melhorar suas chances de obter a indicação presidencial democrata. Quanto muito, as opções de Hilary para superar o senador Barack Obama podem ter encolhido ainda mais.

Para Obama, o resultado veio após um período brutal, no qual esteve na defensiva devido aos comentários inflamados de seu ex-pastor. O fato de ter sido capaz, no mínimo, de suportar estas circunstâncias deverá permitir que ele argumente que provou ser resistente diante de questões sobre raça, valores e patriotismo -as mesmas questões que a campanha de Hillary tem sugerido que o deixariam vulnerável na eleição geral.

Quando casado à vitória confortável de Obama na Carolina do Norte, um Estado maior, o desempenho de Hillary não pareceu suficiente para reduzir a vantagem de Obama em delegados ou sua vantagem geral no voto popular. E como Hillary não pareceu chegar particularmente perto na Carolina do Norte, apesar de um esforço substancial lá, ela perdeu uma oportunidade de semear novas dúvidas entre os líderes democratas sobre o apelo de Obama na eleição geral.

Nas últimas várias semanas, Hillary, aproveitando o novo foco da campanha no enfraquecimento da economia, parecia ter encontrado nova energia e uma voz mais populista. Ele acentuou uma proposta de eliminar temporariamente o imposto federal sobre a gasolina, uma idéia ridicularizada por Obama. Mas ela foi incapaz de expandir substancialmente sua base de apoio além dos eleitores operários brancos que a mantiveram à tona no mês passado -o que não passará desapercebido pelos superdelegados, os democratas eleitos e líderes do partido que no final decidirão esta disputa.

E os superdelegados em breve serão o alvo da disputa: após 50 eleições pela indicação, restando apenas seis, com apenas 217 delegados ainda a serem eleitos, um número insuficiente para fazer os candidatos ultrapassarem o limiar de 2.025 necessários para assegurar a indicação.

Os assessores de Obama argumentam que Hillary teria que conquistar perto de 70% dos delegados remanescentes e superdelegados para conquistar a indicação, uma mudança na trajetória da campanha que seria possível apenas se algo grande surgisse para prejudicar Obama.

"Infelizmente para ela, a matemática se reafirma", disse Carter Eskew, um consultor democrata não afiliado a nenhum dos candidatos. "Eu não acho que isto muda muito as coisas, francamente."

Clinton deixou claro que prosseguirá, notando que já conquistou um Estado em que Obama esperava vencer, e afirmando que permanece próxima de Obama no voto popular e em delegados.

Mas restando poucos Estados, ela e seus assessores sugeriram que aumentariam seus esforços para contar os resultados contestados na Flórida e Michigan, onde os Estados realizaram eleições contrariando as regras do Partido Democrata. Se Hillary conseguir vencer a batalha para que os delegados dos dois Estados sejam contados, ela poderia reduzir enormemente a vantagem de Obama em delegados.

Mas nenhum candidato fez campanha na Flórida ou em Michigan, e o nome de Obama nem constava na cédula de Michigan.

Ainda assim, em um sinal da direção em que a campanha de Hillary está seguindo, seus assessores agora estão afirmando que o vencedor precisará de 2.209 delegados, não 2.025. O número maior reflete a inclusão plena da Flórida e de Michigan, que realizaram suas primárias antes da data permitida pelo Partido Democrata.

A meta da campanha de Hillary não é apenas que os votos dos delegados sejam contados, mas também fazer com que os superdelegados considerem o voto popular que Hillary obteve em ambos os Estados; segundo alguns cálculos, isto a colocaria à frente. O comitê de regras do partido se reunirá em Washington no final do mês para votar o esforço de Hillary pela inclusão dos delegados. É, para colocar de forma simples, uma batalha colina acima para Hillary, mas uma das poucas opções que lhe restam.

"Nós vamos argumentar que serão necessários os 2.209 para chegar ao número mágico", disse Howard Wolfson, um dos principais estrategistas de Hillary. "Nós vamos argumentar que a Flórida e Michigan precisam ser aceitos integralmente. E vamos continuar argumentando que o senador Obama é incapaz de vencer nos grandes Estados e eleitorados-chave necessários para a vitória em novembro."

A outra grande esperança para a campanha de Hillary é argumentar que Obama sofreria contra o senador John McCain, o virtual candidato presidencial republicano. Pesquisas de boca-de-urna deram a Hillary alguma munição neste sentido; cerca de metade dos democratas que votaram em Indiana e na Carolina do Norte disse que a associação de Obama com seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr., teve um pouco ou muito peso em seu voto.

E em Indiana, por exemplo, menos da metade dos eleitores de Hillary disse que apoiaria Obama na eleição geral, enquanto um terço disse que votaria em McCain. Cerca de um quinto dos eleitores de Obama em Indiana disse que votaria em McCain na eleição geral caso Hillary fosse indicada. Muitos desses democratas no final provavelmente permanecerão no partido, mas os números sugerem a intensidade da paixão que divide os eleitores de Hillary e Obama no momento e o desafio do futuro candidato para unir o partido.

Talvez a única esperança real para Clinton agora seja esperar para que algo aconteça -algum evento externo- que possa abalar a confiança em Obama da forma que o episódio com Wright aparentemente não conseguiu, pelo menos até agora.

"Quanto mais isso prosseguir, quanto mais tempo levar, quanto mais o prazo for prorrogado, sempre haverá uma chance de algo acontecer que mude a dinâmica da disputa a favor dela", disse Mike Feldman, um consultor democrata que ainda não escolheu candidato na disputa. "Algo precisa mudar. É com isso que ela está contando."

O risco para Hillary agora é que com o passar do tempo, mais os superdelegados começarão a considerar suas chances remotas e decidir que é hora de encerrar a disputa.

*John M. Broder, Indianápolis, e Marjorie Connelly, em Nova York, contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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