UOL Notícias Internacional
 

09/05/2008

Krugman: pensando na eleição presidencial de novembro

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
A luta pela indicação presidencial democrata pode estar chegando ao fim. Ela não acabou completamente, mas as chances agora favorecem enormemente Barack Obama.

Presumindo que Obama seja o candidato, ele liderará um partido que, a julgar pelos indicadores habituais, deverá conseguir uma vitória fácil -talvez até por grande margem.

Mas os democratas estão preocupados. As preocupações são justificadas?

Antes que eu tente responder esta pergunta, vamos falar sobre os indicadores.

A maioria dos cientistas políticos acredita que o que acontece na campanha, apesar de dar aos comentaristas algo sobre o que falar, é mais ou menos irrelevante em relação ao que acontece no dia da eleição. Em vez disso, eles depositam sua fé nas análises estatísticas que identificam três elementos determinantes na votação presidencial.

Primeiro, os votos são afetados pelo estado da economia -principalmente o desempenho econômico no período de aproximadamente um ano que precede a eleição.

Segundo, o índice de aprovação do atual presidente afeta fortemente a capacidade de seu partido de manter o poder.

Terceiro, o eleitorado parece sofrer de um comichão dos oitos anos: partidos raramente conseguem manter a Casa Branca por mais que dois mandatos consecutivos.

Neste ano, todos estes fatores favorecem fortemente os democratas. De fato, o Partido Democrata não desfruta de um ambiente político tão favorável desde 1964. Robert Erikson, um cientista político de Colúmbia, me disse: "Seria difícil encontrar qualquer indicador que não aponte para uma vitória democrata em 2008".

E quanto as pesquisas que ainda parecem dar a John McCain uma boa chance de vitória? Não preste atenção, dizem os especialistas: as pesquisas da eleição geral a esta altura não dizem quase nada sobre o que acontecerá em novembro. Lembre-se de 1992: em junho, o Gallup colocava Ross Perot em primeiro lugar, Bill Clinton em terceiro.

Só uma coisa deve preocupar os democratas -mas é uma grande: a disputa pela indicação dividiu o partido segundo linhas de classe e raça de uma forma que acredito ser sem precedente, pelo menos nos tempos modernos.

Ironicamente, grande parte do apelo inicial de Obama era a esperança de que ele poderia transcender estas divisões. Inicialmente, os padrões de votação pareciam consistentes com esta esperança. Em fevereiro, por exemplo, ele recebeu o apoio de metade dos eleitores brancos da Virgínia assim como da grande maioria dos afro-americanos.

Mas nesta semana, Obama, apesar de continuar obtendo maiorias imensas de afro-americanos, perdeu entre os brancos da Carolina do Norte por 23 pontos, entre os brancos de Indiana por 22 pontos. O apoio dos brancos a Obama continua concentrado entre aqueles com maior formação educacional; há pouco nos resultados de terça-feira sugerindo que seu problema com os operários brancos tenha diminuído significativamente.

As discussões sobre como e por que o apoio a Obama se estreitou com o passar do tempo tem uma qualidade de Rashomon: diferentes observadores vêem verdades muito diferentes. Mas a esta altura não importa de quem foi a culpa. O que importa é que Obama parece ter conquistado a indicação com uma base profunda mas estreita, que consiste de afro-americanos e brancos com maior formação educacional. E agora ele precisa atrair de volta os democratas que se opõem a ele.

É possível que isto aconteça automaticamente -que o mal-estar da disputa pela indicação se dissipe por conta própria. Nas últimas décadas, os democratas tiveram pouco problema para se unirem após primárias arduamente disputadas.

Mas desta vez a divisão parece ir mais fundo do que a rivalidade política comum. O paralelo mais próximo em que posso pensar são as amargas disputas intrapartidárias dos anos 20, que colocaram democratas urbanos, freqüentemente católicos, contra os fazendeiros protestantes.

Então, o que pode ser feito para curar as atuais divisões do partido?

Mais ataques dos simpatizantes de Obama contra Hillary Clinton não são a resposta -eles apenas alienarão ainda mais os simpatizantes dela, muitos dos quais já sentem que ela foi injustiçada.

Também não ajuda insultar os grupos que apoiaram Hillary Clinton, ou sugerindo que racismo foi a única motivação deles ou minimizando sua importância.

Após a primária da Pensilvânia, David Axelrod, o diretor de campanha de Obama, desdenhou as preocupações com os brancos operários, dizendo que eles "optaram pelo candidato republicano em muitas eleições". Na noite de terça-feira, Donna Brazile, a estrategista democrata, declarou que "não temos que depender apenas dos eleitores operários e dos latinos". Este tipo de coisa tem que parar.

Uma coisa que os democratas certamente precisam fazer é dar aos delegados da Flórida e Michigan -representantes de cidadãos que votaram em boa fé, e cujo apoio o partido precisará em novembro- cadeiras na convenção.

E no que se refere à campanha, Obama deve centrá-la nas questões econômicas que afetam as famílias operárias, independente de sua raça.

O ponto é que Obama tem uma oportunidade extraordinária neste ano eleitoral. Ele precisa fazer todo o possível para não estragá-la. George El Khouri Andolfato

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