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09/05/2008

Paralisia domina a maior cidade de Mianmar

The New York Times
Yangon, Mianmar
Cinco dias depois do ciclone, esta cidade, a capital comercial de Mianmar, que até o sábado era um oásis verdejante de avenidas largas, está longe de retornar ao normal.

Milhares de árvores estão nos mesmos locais em que caíram, vários cais do Rio Yangun foram levados pela água e apenas alguns poucos semáforos funcionam nesta cidade de cinco milhões de habitantes.

A maior parte de Yangun permanece sem eletricidade, e até mesmo a repartição local do Ministério da Energia está sem luz.

Anaing/The Mandalay Gazette/Reuters - 7.mai.2008 
Crianças de orfanato levam caixão de um de seus colegas morto após passagem do ciclone

O número de mortes em Yangun foi pequeno se comparado aos mais de 22 mil mortos (segundo estimativas não oficiais pode haver mais dezenas de milhares de pessoas mortas) em todo o país desde que Mianmar foi atingido por um poderoso ciclone no último sábado.

Mas a incapacidade do governo de remover os destroços e restaurar os serviços básicos, tais como água e energia elétrica, naquela que é a cidade mais rica do país, são uma indicação de como será difícil para Mianmar recuperar-se do cataclismo.

Em Yangun, o Cadillac da principal diplomata norte-americana está preso na garagem devido à queda de árvores gigantescas, e as filas para se obter a gasolina racionada se estendem pelos quarteirões da cidade.

Equipamentos essenciais - motosserras, máquinas capazes de levantar destroços pesados e helicópteros, entres outros materiais necessários - são escassos ou simplesmente não existem.

MIANMAR APÓS O CICLONE
Reuters
Sobreviventes diante de casa destruída pelo ciclone Nargis
ABERTURA DEPOIS DE 50 ANOS
PARALISIA EM YANGUN
JUNTA ATRASA ENVIO DE AJUDA
O governo possui 12 helicópteros, que estão sendo utilizados para transportar suprimentos para locais distantes, mas apenas cinco deles estão em condições de operar, de acordo com os diplomatas. Soldados estão retirando árvores em certos bairros, usando pequenos facões e machados para cortar os ramos grossos.

Materiais básicos de construções não são mais encontrados.

"É impossível encontrar pregos em Yangun", disse por telefone Shari Villarosa, a principal representante diplomática da Embaixada dos Estados Unidos. "A embaixada importou motosserras dos vizinhos Bangladesh e Tailândia. Não há produtos básicos aqui".

Os danos a muitos prédios são extensos. O maior hospital da cidade, um majestoso prédio de tijolos vermelhos construído pelos britânicos, perdeu parte do telhado durante a tempestade. Rolos de tecidos do mercado Bogyok Aung San ficaram ensopados pelo ciclone e foram estendidos nas varandas para secar.

Na outrora elegante sede da Embaixada da França, o embaixador Jean Pierre Lafosse vagava pelo terreno, parecendo desnorteado.

O muro frontal da embaixada foi destruído por uma árvore que caiu, da mesma forma que outras instalações e muros no complexo.
"Todas estas árvores tinham 40 ou 50 anos de idade", disse Lafosse, cuja camisa branca e gravata pareciam ser a única coisa limpa e em ordem que restou na embaixada após a fúria do ciclone. "Apenas uma árvore não caiu. Mas esta não é de forma alguma uma situação única em Rangoon". Rangoon é o antigo nome de Yangun.

Nos bairros ricos onde moram os generais e os diplomatas, grupos de soldados estão limpando os destroços e trabalhadores consertam os telhados. Mas nos bairros pobres não há soldado algum trabalhando.

Os motoristas passam três ou quatro horas nos postos de gasolina para comprarem sete litros e meio de combustível, a quantidade diária autorizada pelo governo.

O combustível custa apenas o equivalente a 66 centavos de dólar, mas, no mercado negro, onde muitos motoristas estão sendo obrigados a comprar o produto, o preço é quatro vezes maior. Soldados sentados sob toldos ao longo da estrada vendem o combustível ilegal.

Villarosa disse que o desafio de restaurar a ordem será enorme para as autoridades de Mianmar.

"A minha esperança é que eles se dêem conta de que não serão capazes de realizar essa tarefa sozinhos", disse Villarosa. "Existem muitos motivos para se criticar as forças armadas, mas esta é uma tarefa gigantesca para qualquer um".

Os moradores locais, sobremaneira os pobres, estão lutando para suportar a disparada do preço dos alimentos. Já houve rumores isolados sobre saques, e, caso a cidade permaneça muito mais tempo sem energia elétrica, os diplomatas temem que a violência exploda.

"Sem energia!", exclama Kyaw, um motorista de táxi, ao passar em frente ao prédio do Ministério da Energia, que passou a ser apenas uma repartição do órgão depois que os militares deslocaram a capital para Naypyidaw, uma cidade remota na selva. UOL

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