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11/05/2008

Obama e McCain já preparam estratégias agressivas de campanha

The New York Times
Adam Nagourney e Jeff Zeleny
Do The New York Times
Os senadores John McCain, republicano do Arizona, e Barack Obama, democrata de Illinois, estão elaborando estratégias para derrotar um ao outro nas eleições gerais, concentrando seus esforços nos mesmos grupos - incluindo os eleitores independentes e os latinos - e em cerca de uma dezena de Estados que acreditam decidirão a disputa neste outono, disseram os assessores das campanhas.

Mesmo antes de Obama ter sido nomeado candidato pelo partido democrata, ele e McCain, presumido candidato republicano, já começaram a reunir suas equipes nos principais campos de batalha, desenvolvendo propagandas negativas que envolvem seriamente o adversário e levantando uma mistura explosiva de temas, que inclui idade e patriotismo.

McCain, do Arizona, passará a próxima semana fazendo uma série de discursos sobre o aquecimento global, o que evidencia sua intenção de combater Obama na disputa pelos votos dos independentes, um grupo que ambos estão reivindicando para si.

Claramente preocupado com questões como a associação com seu ex-pastor, que prejudicou seu status entre os independentes, é provável que Obama embarque numa turnê de verão com a intenção de divulgar sua história de vida, que já foi ponto fundamental de seu apelo eleitoral. Os planos iniciais incluem uma parada no Havaí, sua terra natal, e um grande discurso no Cemitério Punchbowl, onde está enterrado seu avô materno, que lutou na Segunda Guerra Mundial.

A campanha de Obama está usando seu poder de fogo para registrar mais eleitores e enviando cabos eleitorais para Pensilvânia e Ohio, Estados onde ele perdeu nas primárias, mas onde seus assessores dizem que ele precisa ganhar para chegar à Casa Branca.

Os conselheiros de McCain dizem que perceberam a dificuldade de Obama com os votos da classe trabalhadora nesses Estados, e por sua vez irão abrir comitês eleitorais em ambos os Estados no começo de junho.

Além disso, assessores dos dois candidatos dizem que os eleitores hispânicos serão fundamentais para a vitória nos Estados do sudoeste que agora são vistos como principal campo de batalha, incluindo o Colorado, Nevada e Novo México.

A decisão de McCain e Obama de se anteciparem ao que acontecerá no outono reflete a conclusão de ambos de que a desistência da senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, da disputa pela nomeação democrata é apenas uma questão de tempo.

McCain está priorizando os Estados onde o presidente Bush quase perdeu em 2004 e onde Obama perdeu as primárias, a começar por New Hampshire e a Pensilvânia. Obama, por sua vez, está se concentrando nos Estados onde ele ganhou os caucus e as primárias - como a Virgínia, que foi uma base sólida para os republicanos durante as últimas eleições presidenciais - assim como em outros onde ele tem comitês.

Ambos os lados já produziram propagandas de TV que irão ao ar assim que a disputa democrata for oficialmente concluída. Essas propagandas estão mais voltadas para minar os oponentes do que para promover os próprios candidatos.

O Comitê Nacional Republicano está planejando uma campanha publicitária de US$ 19,5 milhões para retratar Obama, 46, como alguém fora de contato com o país e inexperiente demais para assumir a presidência, buscando colocá-lo na defensiva antes que ele possa usar sua vantagem financeira contra McCain, 71, dizem autoridades do partido.

"Em 1984, Ronald Reagan disse: 'Não vou explorar a inexperiência e juventude de meus oponentes por razões políticas'", diz Frank Donatelli, deputado presidente do Comitê Nacional Republicano. "Bem, nós vamos explorar a juventude e inexperiência de Obama."

Do lado democrata, os assessores de Obama essa semana darão os toques finais às propagandas eleitorais destinadas a ligar McCain ao presidente Bush e a reduzir a imagem de rebelde do candidato, que os assessores descobriram ainda é forte entre os eleitores.

"Até novembro, todos os eleitores irão saber que McCain estará oferecendo a Bush um terceiro mandato", diz David Plouffe, gerente da campanha de Obama.

Os conselheiros de Obama disseram que sua pesquisa sugere que McCain, apesar de sua alta posição na política americana durante décadas, não era muito conhecido por muitos eleitores. Em particular, os assessores de Obama disseram que vão enfatizar a oposição de McCain ao direito de aborto para evitar que as mulheres ressentidas que apoiaram Clinton nas primárias passem para o lado de McCain, já que os assessores deste último disseram que irão cortejar agressivamente o voto delas.

As estratégias refletem uma lição da campanha presidencial de 2004, quando os principais assessores de Bush, alguns dos quais estão trabalhando para McCain hoje, começaram uma campanha de TV bem financiada para definir a imagem e derrubar o senador John Kerry, democrata de Massachussetts, no momento em que sua candidatura foi nomeada pelo partido.

Os conselheiros de Obama disseram estar cientes de que ele ainda não venceu a nomeação e que ainda restam seis outras disputas pela frente. Ainda assim, disseram que é crucial começar a atacar McCain o quanto antes.

Os eleitores independentes têm sido fundamentais na decisão das eleições presidenciais conforme o país foi se polarizando entre as linhas partidárias.

O que torna essa eleição diferente é o tanto que Obama e McCain se dedicaram aos eleitores independentes para apoiá-los durante suas carreiras. Historicamente, os eleitores independentes têm assuntos e preocupações específicas, em particular uma ênfase na reforma do governo e uma aversão às brigas partidárias amargas.

Dessa forma, os conselheiros de McCain dizem que irão apresentá-lo como um senador que com freqüência busca o diálogo da oposição, enquanto mostrarão Obama como um democrata que vota apenas com o seu partido e que ideologicamente está fora de contato com a maior parte do país.

"Acreditamos que os Estados Unidos ainda são um país levemente de centro-direita, assim como McCain", disse Charlie Black, conselheiro sênior de McCain. "Se você olhar para a base e para o histórico de Obama, ele é um liberal bastante convencional."

Os conselheiros de Obama, por sua vez, pretendem apresentar McCain como um produto de Washington que se aproximou do governo Bush para vencer a nomeação republicana.

Os eleitores hispânicos poderão receber mais atenção dos candidatos presidenciais do que nunca. Seus votos serão fundamentais para determinar se os democratas conseguirão capturar Estados como o Colorado, Nevada e o Novo México ou se os republicanos terão alguma chance de serem competitivos na Califórnia.

A ligação de McCain com a elaboração de uma lei que teria permitido que alguns imigrantes ilegais obtivessem a cidadania - posição da qual ele abdicou durante as primárias, mas que nunca negou - lhe dá a oportunidade de competir pelo voto desses eleitores, que exceto pelos cubanos da Flórida, parecem ter se estabelecido em massa no campo democrata nos últimos anos.

Obama também apoiou medidas que permitiram aos imigrantes obter cidadania, mas teve dificuldades para ganhar o voto dos hispânicos durante as primárias, o que assinala um problema em potencial para ele na campanha do outono.

Os assessores de Obama disseram que o apoio do governador Bill Richardson, do Novo México, um dos líderes hispânicos mais importantes do país, pode se mostrar mais decisivo na eleição geral do que nas primárias.

Ambos os lados dizem que os Estados que estão claramente em jogo são Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Minnesota, New Hampshire, Novo México, Nevada, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Virgínia, Washington e Wisconsin.

Os republicanos disseram que esperam colocar Nova Jersey e talvez a Califórnia na disputa; os democratas disseram que os negros podem tornar Obama competitivo na Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul.

Os conselheiros de Obama disseram que teriam grandes chances de tirar o Colorado, Iowa, Nevada, Novo México, Ohio e Virgínia das mãos dos republicanos.

Obama tem uma vantagem financeira clara. Em 31 de março, McCain havia levantado cerca de US$ 80 milhões e declarou cerca de US$ 11 milhões de dinheiro em mãos. Obama havia levantado três vezes mais - cerca de US$ 240 milhões - e tinha mais de quatro vezes a quantia de McCain em banco.

Mas o Comitê Nacional Republicano, que pode gastar dinheiro em nome de McCain, levantou US$ 31 milhões, em comparação com os apenas US$ 6 milhões levantados pelo Comitê Nacional Democrata, e as autoridades republicanas dizem que não estão preocupadas em ficar sem dinheiro até as convenções.

Os conselheiros de Obama disseram que como resultado dos cinco meses de caucus e primárias, o candidato tinha praticamente o aparato de uma campanha nacional montado e já havia identificado e registrado milhares de novos eleitores. Dito isso, eles reconheceram que estão em desvantagem em dois Estados importantes - Flórida e Michigan - porque esses Estados fizeram primárias mais cedo, desafiando o Comitê Nacional Democrata, e os candidatos concordaram em não fazer campanha lá.

"No que diz respeito à organização, já construímos uma estrutura bem forte em todos os Estados exceto Michigan e Flórida", disse Plouffe. "Esta é uma enorme linha prateada que mostra a extensão a que a disputa pela nomeação nos levou."

Os republicanos procurarão retratar Obama como um candidato fora de contato com muitos eleitores em temas como o aborto e os direitos homossexuais. Alguns dos conselheiros de McCain dizem que eles também acham que Obama demonstrou vários pontos vulneráveis como candidato que eles procurarão explorar: eles argumentam que ele tem uma tendência a ficar irritado quando fica cansado ou pressionado por perguntas difíceis, que ele tem problemas em se conectar com eleitores fora dos grandes comícios, e que ele tem feito uma campanha sem muito conteúdo.

Aos olhos da campanha de Obama, a principal fraqueza de McCain é a continuidade ao apoio à guerra do Iraque, seu apoio à prorrogação dos cortes de taxas feitos pelo governo em relação aos americanos mais ricos (idéia à qual ele já se opôs) e sua sugestão de que a economia fez um "grande progresso" nos últimos oito anos.

Obama disse que não tem intenção de tornar a idade - McCain é 25 anos mais velho - um assunto aberto na campanha eleitoral geral. Mesmo assim, nas últimas semanas, a campanha de Obama afirmou o contrário ao mostrar o candidato em lugares - quadra de basquete, e cercado por sua jovem família - que poderiam ser interpretados como uma mensagem telegráfica que não aborda o assunto explicitamente. Eloise De Vylder

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