UOL Notícias Internacional
 

14/05/2008

Terremoto na China acentua a vulnerabilidade das escolas em muitos países

The New York Times
De Andrew C. Revkin
A enorme perda de vidas em escolas que ruíram ao redor da província de Sichuan, China, atingida por um terremoto, poderia ter sido significativamente reduzida com o uso de métodos conhecidos de projeto ou ajuste de estruturas em zonas de terremoto, disseram na terça-feira vários especialistas em risco ao redor do globo.

Mas a China é apenas um dos muitos países com vulnerabilidade conhecida a terremotos que se mostram lentos em transformar as escolas -um elemento chave de qualquer comunidade- de potenciais armadilhas mortais em refúgios, disseram estes especialistas e alguns grupos que defendem a segurança das escolas.

Acredita-se que centenas de alunos tenham morrido em escolas durante o terremoto, entre o total de mais de 13 mil mortos.

Especialistas em riscos de terremoto alertam, há anos, que dezenas de milhões de estudantes em milhares de escolas, da Ásia às Américas, enfrentam riscos semelhantes. Já os programas para reforçar as escolas já existentes ou exigir que novas sejam construídas seguindo padrões mais resistentes são inconsistentes, lentos e financiados de forma inadequada.

Apesar de terremotos poderem às vezes provocar maior número de mortos em outros prédios públicos, desmoronamentos de escolas são particularmente dolorosos, disseram autoridades de desenvolvimento e especialistas, porque são os estudantes que, freqüentemente, impelem um país em dificuldade da pobreza para a prosperidade.

Em 2004, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), composta por 30 países, divulgou o estudo "Mantendo as Escolas Seguras em Terremotos" concluindo que as escolas "rotineiramente" desmoronam em terremotos ao redor do mundo por causa de projeto evitável ou erros de construção, ou porque as leis existentes ou códigos de construção não foram cumpridos.

"A menos que uma ação seja tomada imediatamente para tratar deste problema, uma perda muito maior de vida e propriedade ocorrerá", diz o relatório.

Os riscos estão aumentando, dizem os especialistas, à medida que as populações em regiões pobres continuam crescendo e os ricos e pobres do mundo se deslocam cada vez mais para centros urbanos, muitos deles com ameaças sísmicas conhecidas.

Nos últimos anos, ocorreram desmoronamentos mortais de escolas após terremotos na Itália, Argélia, Marrocos e Turquia. Mais notadamente no Paquistão, em 8 de outubro de 2005, pelo menos 17 mil crianças morreram e mais de 7 mil escolas ruíram após um abalo poderoso que sacudiu a região montanhosa próxima da fronteira com a Índia.

Riscos semelhantes, e a demora para reduzi-los, existem em países ricos e pobres das Américas, Europa e Ásia.

Em 2006, Brian E. Tucker, um especialista em terremoto que dirige um grupo privado, o GeoHazards International, apresentou um estudo sobre escolas para a Organização de Cooperação Econômica, um grupo de 10 países na Europa e Ásia. A análise apontou que 180 milhões de pessoas, incluindo 40 milhões de crianças em idade escolar, enfrentam um "risco de terremoto igual ao do norte do Paquistão". Tucker também foi co-autor do relatório de 2004 da Ocde.

A demora em resolver estas ameaças às vezes resulta mais de inércia da sociedade do que de aspectos financeiros e de engenharia, dada a concorrência de outros problemas e a natureza imprevisível dos terremotos, disse Ben Wisner, um ex-professor de geografia da Universidade Estadual da Califórnia, Long Beach, e um dos fundadores da Coalizão para Segurança Global de Escolas.

Freqüentemente, dinheiro e tecnologia não são o problema, ele disse, mas sim o acesso à informação básica sobre os riscos e formas simples de reforçar os prédios.

"No total, o custo de projetar e construir uma escola, digamos, um colégio de três andares na Cidade do México, é cerca de 5% maior, apenas", disse Wisner. "Você não precisa necessariamente projetar um prédio para evitar o colapso, mas projetá-lo para que as pessoas possam sobreviver ao colapso. Você deseja amplos espaços para que as equipes de resgate possam ter acesso."

Ocorreram alguns esforços bem-sucedidos para reforçar as escolas, em lugares como Katmandu, Nepal e partes da Turquia, ele disse. O progresso freqüentemente é resultado de pressão persistente de um engenheiro em particular ou de uma campanha pela segurança.

Mas os sucessos são superados em número pelos lugares que ainda enfrentam calamidades na escala vista em Sichuan, disseram ele e outros.

E os riscos não se limitam a países pobres ou emergentes. Em Vancouver, Canadá, grupos de pais têm pressionado pela aceleração de um programa de décadas que visa deixar as escolas em dia com os padrões mais modernos contra terremotos.

Apesar de não haver nenhuma contagem global confiável das escolas inseguras nas zonas de terremoto, retratos regionais são assustadoramente claros. Um relatório que será apresentado em uma conferência internacional sobre segurança nas escolas, que coincidentemente começará na quarta-feira em Islamabad, Paquistão, diz que mais de 80% das escolas no Paquistão estão desprotegidas de abalos como o de outubro de 2005.

A inércia é resultado de vários fatores, incluindo pobreza profunda em alguns lugares e imobilidade política em outros. Em alguns países e culturas, a inação é moldada por um fatalismo que isenta em parte os governos da responsabilidade pelo que são considerados atos "divinos", disse Thomas Parsons, um geofísico do Levantamento Geológico dos Estados Unidos, em Menlo Park, Califórnia.

"É tão decepcionante ver estas coisas acontecendo de novo e de novo -crianças pequenas pegas no desmoronamento de um prédio escolar", disse Parsons. "Como sempre, a curto prazo nós estamos equilibrando um evento provável contra problemas reais, que estão ocorrendo agora. Mas a longo prazo, o provável se torna inevitável."

Parson alerta ainda, citando um estudo de 2007 que mapeia os pontos instáveis na região, que o terremoto pode muito bem ter aumentado o grau de risco nas falhas próximas a Sichuan. George El Khouri Andolfato

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