UOL Notícias Internacional
 

17/05/2008

Cúpula UE-América Latina: com Chávez sob controle, conversações no Peru permanecem calmas

The New York Times
Simon Romero

Em Lima, Peru
Para alívio dos organizadores de um encontro de cúpula de 50 líderes da América Latina e Europa, realizado aqui na sexta-feira, a reunião foi notável por ser relativamente livre de insultos feitos publicamente.

Nenhum chanceler foi acusado de ser fascista. Nenhum presidente chamou outro de cãozinho de estimação dos Estados Unidos. Nenhum rei mandou um presidente calar a boca (na verdade, nenhum rei esteve presente).

Para conseguir um encontro livre de incidentes, os anfitriões do Peru precisam principalmente agradecer ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Para surpresa de muitas pessoas aqui, ele estava em seu melhor comportamento, ou quase.

Chávez abraçou um ex-inimigo, o presidente do Peru, Alan García, a quem já chamou de "ladrão, mentiroso e irresponsável". Ele buscou reparar os laços com a Espanha, se encontrando privativamente com o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; as relações azedaram em novembro, quando o rei Juan Carlos mandou Chávez calar a boca em um encontro de cúpula no Chile.

CÚPULA UE-AMÉRICA LATINA
Mariana Bazo/Reuters - 16.mai.2008
Chávez (de pé) cumprimenta Zapatero, ao lado de Evo Morales
ZAPATERO E CHÁVEZ
PRIORIDADE DE NEGOCIAÇÃO
VENEZUELANO COMPORTADO
MERKEL PRONTA PARA CHÁVEZ
O presidente venezuelano até mesmo pediu desculpas à chanceler alemã, Angela Merkel. Há poucos dias ele acusou o partido político dela, o conservador União Democrata Cristã, de compartilhar as idéias de Hitler.

"Eu lhe peço desculpas", Chávez disse para Merkel, após se aproximar dela e da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, durante um intervalo, segundo uma reportagem local. "Eu estou fazendo isso na frente de Cristina porque toda vez que me comporto mal, é ela quem puxa a minha orelha."

Merkel abriu um grande sorriso após sua conversa com Chávez, refletindo o alívio aqui após ele ter dito que viajaria para Lima com seu "furor habitual".

Um encontro de cúpula alternativo realizado por grupos esquerdistas no campus da Universidade Nacional de Engenharia foi mais colorido do que o encontro dos chefes de Estado. O evento paralelo contou com cantorias acompanhadas ao violão, pratos de folhas de coca (para mascar) e uma partida de futebol com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que criticou a proibição de competições em altitudes elevadas, a chamando de uma espécie de "apartheid" contra as equipes bolivianas.

No encontro de chefes de Estado, onde assuntos como integração econômica e aumento dos preços dos alimentos foram discutidos, Chávez permaneceu cordial -isto é, até que os repórteres lhe perguntaram sobre o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, um aliado dos Estados Unidos com o qual a Venezuela tem brigado. "Um dos grandes problemas que temos é o governo da Colômbia", disse Chávez, com seu sorriso desaparecendo.

Uribe também tinhas suas próprias palavras duras para Chávez. "A única coisa que pedimos é que ninguém abrigue terroristas", ele disse, uma referência à afirmação da Colômbia de que a Venezuela tem ajudado o maior grupo guerrilheiro colombiano. George El Khouri Andolfato

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