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27/05/2008

Krugman: divididos permanecem

The New York Times
Paul Krugman
É, de certa forma, quase apropriado que os últimos dias de disputa pela indicação democrata sejam marcados por outro falso escândalo envolvendo Clinton - o mais recente de uma longa lista que começou em Whitewater.

Este aqui, caso tenha perdido, envolveu uma entrevista que Hillary Clinton deu ao conselho editorial do "Argus Leader" de Dakota do Sul, no qual ela tentou argumentar pela continuidade de sua campanha ao apontar que as disputas pela indicação freqüentemente entram verão adentro. Como um de seus exemplos, ela mencionou que Bobby Kennedy foi assassinado em junho.

Não foi o melhor exemplo que alguém poderia usar, mas é absurdo sugerir, como alguns simpatizantes de Obama imediatamente fizeram, que Clinton estivesse fazendo algum tipo de insinuação sombria sobre o futuro de Barack Obama.

Mas até aí, foi igualmente absurdo retratar a afirmação de Clinton de que foram necessários os talentos políticos de LBJ para transformar a visão de Martin Luther King em legislação como um exemplo de politização da raça. Mas a alegação de que Clinton estava explorando a questão da raça, como foi promovida por alguns simpatizantes de Obama assim como em um memorando de um membro da equipe deste, foi amplamente aceita.

Por que tudo isso importa? Não para a indicação: Obama será o candidato democrata. Mas ele tem um problema: muitos eleitores de Clinton sentem que ela recebeu um tratamento injusto, até mesmo grotesco. E a amargura persistente da campanha das primárias poderia custar a Casa Branca para Obama.

Como a eleição geral costuma girar em torno dos problemas do país, Obama não deverá ter problema para conquistar ex-eleitores de Clinton, especialmente os eleitores operários brancos que ele perdeu nas primárias. Seu plano para a saúde é seriamente deficiente, mas ele ainda assim conta com uma plataforma melhor para o trabalhador do que seu oponente.

De fato, John McCain fez em pedaços quaisquer tendências independentes que já teve e se tornou quase uma caricatura de conservador - um defensor de impostos mais baixos para os ricos e corporações, um privatizador e um destruidor da rede de segurança social.

Mas as eleições sempre envolvem emoções tanto quanto as questões, e há alguns sinais preocupantes nas pesquisas.

Na Flórida, em particular, o levantamento realizado pelos profissionais da Pollster.com mostram McCain substancialmente à frente de Obama, enquanto ele fica substancialmente atrás de Clinton. Ohio também parece problemático e a Pensilvânia parece mais apertada do que deveria. É verdade que o retrospecto de pesquisas a cinco meses da eleição geral é ruim. Mas elas certamente dão motivos para preocupação.

O ponto é que Obama pode precisar desses eleitores decepcionados de Clinton caso não queira perder naquele que deveria ser um ano democrata.

E o que Obama e seus simpatizantes deveriam fazer?

De forma imediata, eles devem entender que a contínua vilificação de Clinton não ajuda ninguém exceto McCain. Mais um escândalo não persuadirá milhões de eleitores que votaram em Clinton, apesar dos ataques incessantes ao caráter dela, de que ela sempre foi maligna. Mas poderia estimular alguns deles a não votar em novembro.

Os simpatizantes de Obama também não deveriam desdenhar da força de Clinton como um fenômeno puramente apalachiano, deixando implícito que os eleitores de Clinton são apenas um bando de caipiras.

Logo, o que virá a seguir?

Clinton precisa fazer sua parte: ela precisa ser cuidadosa para não agir como uma sabotadora durante o que resta das primárias, ela precisa se curvar com graça caso, como parece quase certo, Obama receber a indicação, e precisará fazer forte campanha em prol do candidato assim que a convenção terminar. Ela disse que fará isso, de forma que não há motivo para acreditar que ela não esteja falando sério.

Mas principalmente cabe a Obama promover a unidade que sempre prometeu - começando por seu próprio partido.

Uma coisa a se fazer seria um gesto de respeito aos democratas que votaram em boa fé ao reconhecer os votos da primária da Flórida - que a esta altura não mudariam o resultado da disputa pela indicação.

O único motivo que vejo para os simpatizantes de Obama serem contrários à participação dos delegados da Flórida é que poderia permitir a Clinton alegar que obteve a maioria no voto popular. Mas o que é mais importante - negar a Clinton os direitos de se gabar, ou possivelmente ser derrotado na eleição geral?

E quanto a oferecer a Clinton a vice-presidência? Se eu fosse Obama, eu o faria. Adicionar Clinton à chapa - ou pelo menos fazer a oferta - poderia ajudar a curar as feridas de uma disputa feia nas primárias.

O motivo é esse: o pesadelo que Obama e seus simpatizantes devem temer é que em um ano eleitoral em que tudo favorece os democratas, ele ainda assim consiga perder. Ele precisa fazer tudo o que puder para assegurar que isso não aconteça. George El Khouri Andolfato

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