UOL Notícias Internacional
 

29/05/2008

Friedman: verdade ou conseqüências - o que um candidato à presidência que só falasse a verdade diria sobre o preço da gasolina

The New York Times
De Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Imagine por um minuto, apenas um minuto, que alguém concorrendo à presidência seja capaz de realmente dizer a verdade, a verdade real, para o povo americano sobre qual seria a melhor -e digo realmente a melhor- política de energia para a saúde econômica e segurança de nosso país a longo prazo. Eu sei que isto é uma fantasia, mas permaneça comigo por um minuto. O que este candidato que só fala a verdade, mítico, totalmente imaginário, diria?

Para começar, ele ou ela explicaria que não há solução a curto prazo para os preços da gasolina. Os preços estão como estão por causa do aumento da demanda por petróleo na Índia, China e um rápido crescimento no Oriente Médio, o nosso próprio aumento do consumo, uma escassez do óleo cru "doce" que é usado para o diesel combustível do qual a Europa é tão dependente e nossa própria negligência em adotar uma política de energia eficiente por 30 anos.

Idéias cínicas, como o feriado fiscal para a gasolina defendido por John McCain e Hillary Clinton, apenas piorariam o problema, e iniciativas incautas, como a oferta da Chrysler-Dodge-Jeep de subsidiar a gasolina por três anos para as pessoas que comprarem seus beberrões de gasolina, são o equivalente moral das empresas de tabaco oferecerem cigarros com desconto para adolescentes.

Eu não tenho como dizer melhor do que meu amigo Tim Shriver, o presidente da Special Olympics, disse nesta segunda-feira em uma coluna no "The Washington Post": "Então a Dodge quer lhe vender um carro que você realmente não quer comprar, que não é eficiente em consumo de combustível, que prejudicará ainda mais nosso meio ambiente e subsidiará ainda mais os países produtores de petróleo, alguns deles do outro lado das guerras que atualmente estamos travando (...) Que se dane o planeta, que as tropas sejam esquecidas, que a economia seja ignorada: compre um Dodge".

Não, nosso candidato mítico diria que a resposta a longo prazo é ir exatamente na direção oposta: garantir que as pessoas paguem um preço alto pela gasolina... para sempre.

Este candidato diria que uma gasolina a US$ 4 o galão (3,785 litros) está realmente começando a ter um impacto no comportamento dos motoristas e nos hábitos de compra -de uma forma que a gasolina a US$ 3 o galão não conseguiu. Na primeira vez que tivemos um preço tão forte, após o choque do petróleo de 1973, nós respondemos como um país exigindo e produzindo carros mais eficientes no consumo. Mas tão logo os preços começaram a cair no final dos anos 80 e início dos anos 90, nós deixamos Detroit nos viciar de novo em beberrões de gasolina, e o preço começou a subir de novo para onde está hoje.

Nós não podemos cometer este erro de novo. Portanto, argumenta o economista de energia, Philip Verleger Jr., o que nosso candidato mítico proporia é um "piso de preço" para a gasolina: US$ 4 o galão por gasolina comum sem chumbo, que ainda é a metade do preço atual na Europa.

Washington declararia que nunca permitiria uma queda do preço abaixo deste nível. Se ele caísse, o governo aumentaria o imposto federal sobre a gasolina mensalmente para compensar a diferença entre o preço na bomba e o preço de mercado.

Para aliviar o fardo sobre aqueles em pior situação financeira, "qualquer um que ganhe menos de US$ 80 mil por ano seria compensado com uma redução nos impostos na fonte", disse Verleger. Ou, ele sugeriu, o governo poderia usar o imposto sobre a gasolina para comprar os beberrões de gasolina da população e "prensá-los".

Mas a mensagem transmitida a todo comprador de carro e fabricante seria esta: o preço da gasolina nunca mais vai cair. Portanto, se você comprar um grande beberrão de gasolina hoje, você estará preso para sempre a contas altas de gasolina. Você está comprando algo que lhe devorará até perder sua casa. Ao mesmo tempo, se você, fabricante, continuar produzindo frotas de beberrões de gasolina não-híbridos, você estará condenando a si mesmo, seus funcionários e acionistas.

Seria uma coisa cruel para um candidato dizer? Eu discordo. Toda década nós olhamos para trás e dizemos: "Se eu tivesse feito a coisa certa naquela época, nós estaríamos em uma posição diferente hoje".

Mas nenhum político ousaria fazê-lo. Com a gasolina custando US$ 2 o galão, o governo nunca imporia um imposto de US$ 2. Agora que está custando US$ 4 o galão, o governo deveria ao menos mantê-lo aí, já que realmente está tendo o efeito desejado.

Eu visitei minha concessionária local da Toyota em Bethesda, Maryland, na semana passada para trocar um carro híbrido por outro. Agora há uma espera de dois meses para comprar um Prius, que chega próximo de fazer 50 milhas por galão (mais de 21 quilômetros por litro). O vendedor me disse que estava com sorte. Meu híbrido estava valorizando a cada dia, então não teria que me preocupar em esperar um pouco mais pelo meu carro novo. Mas se não fosse um híbrido, ele disse, ele deduziria diariamente US$ 200 do meu preço por troca por cada aumento de US$ 1 no preço do barril de petróleo cru da Opep. Quando vi as filas e filas de utilitários esportivos não vendidos parados em seu pátio, eu entendi o motivo.

Nós precisamos promover uma mudança estrutural em nossa economia de energia. No final, nós precisamos mudar nossa frota inteira para carros elétricos. A única forma de chegar daqui até lá é começar agora com um preço que forçará a mudança.

Barack Obama teve a coragem de dizer aos eleitores que o plano de gasolina de McCain e Clinton era uma fraude. Não seria incrível se ele desse o próximo passo e apresentasse o plano certo para o povo americano. Quem dera. George El Khouri Andolfato

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