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02/06/2008

As lições de Leonardo da Vinci para ter soluções criativas no mundo corporativo

The New York Times
Janet Rae-Dupree
Quando Thomas Alva Edison estava estreando nas suas atividades, a sua primeira patente foi uma máquina de contagem automática de votos para permitir aos legisladores saber instantaneamente quais medidas seriam aprovadas em plenário e quais recusadas.

Ele não vendeu uma máquina sequer. Ao que parece, os legisladores, acostumados às discussões políticas no decorrer das votações, não desejavam apressar o processo.

Mas, com a persistência que ele exibiria durante toda a vida, Edison recusou-se a encarar o episódio como um fracasso. Pelo contrário, ele utilizou-o para estabelecer a estrutura para as futuras decisões: ele só investiria o seu tempo naquelas inovações que, desde o princípio, contassem com um mercado comprovado. Edison seguiu em frente para registrar mais 1.092 patentes e tornar-se um símbolo da engenhosidade norte-americana.

História antiga, certo? Não tão rápido. É verdade que Edison é há muito tempo reverenciado por ter mudado a face da civilização moderna. Mas, além dos aspectos materiais do seu sucesso, ele demonstrou que a criatividade e a inovação poderiam ser resultados de um conjunto de processos identificáveis e possíveis de se repetir.

Assim como Leonardo da Vinci antes dele, Edison possuía diversos cadernos de anotação detalhando cada idéia que tinha, e cada experiência que fez. Ele criou o primeiro laboratório moderno de pesquisa e desenvolvimento, contratando equipes de especialistas de setores tão diversos como confecção de modelos e engenharia química. Edison não só inventou a lâmpada incandescente, como também criou a indústria de energia elétrica exigida para que a lâmpada iluminasse milhões de residências e empresas.

No momento em que empresários e executivos da lista Fortune 500 buscam soluções criativas para os problemas empresariais do século 21, os triunfos de Edison e de outras figuras históricas estão sendo revisitados devido às lições inovadores que eles podem ensinar.

"Eu uso as figuras históricas como modelos para falar sobre liderança e inovação", explica Alan Axelrod, autor de um novo livro, "Edison on
Innovation: 102 Lessons in Creativity for Business and Beyond" ("Edison sobre Inovações: 102 Lições de Criatividade para os Negócios e Além"), bem como das obras anteriores "Elizabeth I CEO" ("Elizabeth 1ª, Diretora-Executiva"), "Patton on Leadership" ("Patton Falando sobre
Liderança") e "Eisenhower on Leadership" ("Eisenhower Falando sobre Liderança"). Axelrod diz que antes dos videogames e da televisão de 24 horas, os jovens cresciam lendo biografias de pessoas famosas, de forma que pudessem aprender com a vida dessas pessoas e imitá-las. "Hoje em dia devemos nos voltar mais para essas figuras históricas", afirma ele.
"Por que não nos modelarmos segundo os melhores exemplos que podemos encontrar?"

Michael J. Gelb, um consultor corporativo, é co-autor, juntamente com a sobrinha-bisneta de Edison, Sarah Miller Caldicot, do livro de 2007, "Innovate Like Edison" ("Inovar Como Edison"). Gelb deu início às suas pesquisas sobre figuras históricas voltando-se para Leonardo da Vinci, um herói da sua infância.

"O cérebro dele era equilibrado, no sentido de que ele utilizava igualmente e com capacidade integral os hemisférios esquerdo e direito do seu córtex cerebral. Tentei algo que tentei fazer com que pessoas da DuPont, da Microsoft e da Merck seguissem este exemplo no decorrer dos últimos 30 anos", diz Gelb. "Os executivos atuais das corporações tendem a ser totalmente lineares, lógicos e analíticos. Eu tento ajudá-los a usar a intuição e a capacidade artística. Se você deseja competir nos negócios internacionais, não dá para confiar apenas na metade do cérebro".

No seu livro de 1998, "How to Think Like Leonardo da Vinci" ("Como Pensar como Leonardo da Vinci"), Gelb ressalta sete princípios que ele acredita que definem o trabalho de da Vinci:

1. Curiosità, ou curiosidade, indicando a sua busca insaciável por conhecimento e por aperfeiçoamento contínuo.

2. Dimostrazione, ou demonstração, por meio da qual ele aprendeu através da experiência pessoal, em ver de aceitar automaticamente os relatos de outros.

3. Sensazione, ou sensação, utilizando os sentidos para aguçar a observação e a resposta.

4. Sfumato, uma técnica de pintura usada por da Vinci para criar uma qualidade etérea no seu trabalho, demonstrando a sua habilidade para abraçar a ambigüidade e a mudança.

5. Arte/scienza, ou a ciência da arte, que ele demonstrou no seu pensamento com o cérebro integral.

6. Corporalità, ou "do corpo", representando a sua crença de que uma mente saudável exige um corpo saudável.

7. Connessione, ou conexão, referente ao seu hábito de agregar disciplinas múltiplas em torno de uma única idéia.

Este último princípio foi popularizado pelo consultor de educação Tony Buzan como "mapeamento mental", ou diagramação não linear e radial de palavras e idéias em torno de um conceito principal. Buzan estudou os livros de anotação de da Vinci e de Edison enquanto desenvolvia o mapeamento mental, e esta é uma ferramenta que Gelb usa com freqüência com os seus clientes corporativos.

Gelb diz que um químico da DuPont relatou a ele que estava deparando-se com impasses em quatro projetos aparentemente não relacionados entre si, e que não sabia como proceder. Gelb sugeriu que o químico criasse um mapa mental dos projetos lado a lado em uma folha de papel única e enorme. Mais tarde o homem escreveu a ele em uma carta: "No momento em que terminei o mapa e analisei a coisa inteira, uma solução literalmente saltou da página. Enxerguei uma conexão que nunca havia visto antes". Mais tarde esse químico recebeu uma patente pela sua inovação.

"As pessoas acham que sou um gênio porque estou ajudando indivíduos sem conhecer nada sobre as indústrias específicas deles", diz Gelb.

Ao serem solicitados a indicar outras figuras históricas que oferecem lições em inovação, tanto Gelb quanto Axelrod apresentam listas que incluem George Smith Patton e Elizabeth 1ª da Inglaterra (Axelrod acrescentou Franklin Delano Roosevelt, Harry S. Truman e Dwight David Eisenhower).

Cada uma dessas personalidades respondeu de maneira inovadora às rápidas mudanças que ocorriam à sua volta, apelando para o conhecimento de assessores enquanto continuavam a basear as suas decisões em sucessos anteriores. De acordo com Axelrod, assim como Edison, que criou novas inovações baseadas em invenções prévias, os líderes inovadores jamais declararam que uma invenção estava "concluída".

"Tudo acaba tornando-se mais tarde a fonte de algo novo", diz ele. "É como a diferença entre uma pessoa endinheirada e uma rica. A endinheirada tem muito dinheiro e compra coisas. A rica investe em coisas que geram mais dinheiro. Trata-se de criar riqueza contínua com o seu capital intelectual". UOL

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