UOL Notícias Internacional
 

03/06/2008

Friedman: a estratégia de "Irã & Amigos" para gerar alavancagem

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Barack Obama está chegando dolorosamente perto de ficar amarrado com todas as suas explicações sobre as condições em que ele conversaria incondicionalmente com inimigos dos EUA como o Irã. Seu último esclarecimento foi que há uma diferença entre "preparativos" e "pré-condições" para as negociações com os "homens maus". Esses jogos de palavras não inspiram confiança e fazem exatamente o que interessa a seus críticos. O último lugar em que ele quer parecer indeciso é sobre segurança nacional.

O fato é que Obama acertou ao dizer que conversaria com qualquer inimigo se isso ajudasse os interesses americanos. A equipe de Bush negociou com a Líbia para abandonar seu programa nuclear, mesmo depois que a Líbia aceitou a responsabilidade por explodir americanos no vôo 103 da Pan Am. Essas negociações tiveram sucesso, porém, não porque Bush estava melhor "preparado", mas porque na época, pouco depois da invasão do Iraque, Bush tinha alavancagem. O Iraque ainda não tinha desmoronado.

Obama faria um grande favor a si mesmo mudando seu enfoque da lista de líderes inimigos com quem ele conversaria para a lista de coisas que ele faria como presidente para gerar mais alavancagem para os EUA, de modo que, não importa com quem tenhamos de conversar, a vantagem estará do nosso lado da mesa. É isso que importa.

Bush também acertou: conversar com o Irã hoje equivaleria a submissão -mas isso porque a equipe de Bush desperdiçou tanto poder e credibilidade dos EUA no Oriente Médio e deixou de implementar qualquer política energética eficaz, que negociar com o Irã só poderia terminar conosco no lado mais fraco. Hoje não temos alavancagem -aliados, energia alternativa, união em casa, ameaça de força verossímil- para promover diplomaticamente nossos interesses.

Como afirmei antes: quando você tem vantagem, converse. Quando não tem vantagem, adquira um pouco. E então converse.

Neste momento o Irã & Amigos -Hizbollah, Hamas e Síria- têm uma estratégia que gerou alavancagem para eles, e o próximo presidente americano terá de pensar novamente como enfrentá-la. A estratégia de "Irã & Amigos" se baseia em cinco princípios:

Princípio nº 1: Sempre busque "controlar sem responsabilidade". No Líbano, em Gaza e no Iraque, Irã & Amigos têm poder de veto na política, sem ser totalmente responsabilizados pela eletricidade. Os aliados dos EUA, em comparação, tendem a ter "responsabilidade sem controle".

Princípio nº 2: Sempre insista em ser capaz de ao mesmo tempo disputar um cargo político e usar armas. No Líbano, em casa e no Iraque, os adversários dos EUA estão ao mesmo tempo no governo e têm suas próprias milícias.

Princípio nº 3: Use homens-bombas e assassinatos dirigidos contra quaisquer adversários que barrem seu caminho. No Líbano, a Síria é amplamente suspeita de estar por trás da série de mortes de jornalistas e parlamentares anti-Síria. Um atentado suicida a um oficial importante no Iraque pode neutralizar o poder superior americano.

Princípio nº 4: Use a Internet como sistema de comando e controle livre para levantar dinheiro, recrutar e agir.

Princípio nº 5: Pinte a si mesmo como a "resistência" a Israel e aos EUA, de modo que qualquer oposição a você equivale a um apoio a Israel e aos EUA, e assim não importa quão ruim seja sua derrota o simples fato de que você "resistiu" significa que realmente não perdeu.

Os moderados árabes pró-americanos têm uma contra-estratégia com alavancagem? Eu acabo de receber o novo livro "The Arab Center", de Marwan Muasher, ex-ministro das Relações Exteriores da Jordânia. Estadistas árabes aposentados não escrevem freqüentemente livros sobre seu tempo no cargo, mas Muasher escreveu, e seu argumento é poderoso: os árabes moderados estão na defensiva porque foram "moderados unidimensionais", enfocados somente em propostas moderadas para fazer a paz com Israel, enquanto ignoravam outras questões importantes para os cidadãos árabes: boa governança, reformas políticas, bem-estar econômico, direitos das mulheres e diversidade religiosa e cultural.

"Para que os árabes moderados tenham credibilidade eles precisam assumir mais responsabilidade", diz Muasher. Os EUA poderiam ajudar produzindo a principal questão dos moderados árabes -um acordo de paz entre Palestina e Israel. Mas em última instância, ele disse, se o centro árabe quiser moldar o futuro e se livrar "da imagem que seus adversários pintam de um apologista do Ocidente ou um comprometedor dos direitos árabes", terá de enfrentar o desafio de construir "uma sociedade árabe próspera e democrática, robusta, diversificada e tolerante".

Houve uma reação moderada promissora contra os extremistas no Iraque, Líbano e Cisjordânia ultimamente. É algo que definitivamente vale a pena assistir, mas ainda é muito fraco. A alavancagem dos EUA será limitada enquanto nossos principais aliados não tiverem uma estratégia de peso para enfrentar a linha-dura. Aqui estou esperando que quando a temporada de bobagens primárias terminar os campos de McCain e Obama parem de brigar sobre se devemos conversar com nossos inimigos -o que precisamos fazer- e comecem a se concentrar em como nós e nossos amigos podemos conseguir mais fichas para barganhar -o que não temos. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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