UOL Notícias Internacional
 

04/06/2008

Fantasma de Hillary Clinton ainda paira sobre a corrida presidencial

The New York Times
Adam Nagourney
Do The New York Times
O senador Barack Obama segue para a campanha da eleição geral com vantagens óbvias: ele é um candidato democrata concorrendo em um clima adverso aos republicanos, em uma disputa onde os eleitores estão ávidos por mudança e está saindo de uma campanha na qual encheu de simpatizantes uma arena atrás da outra.

Mas apesar de seu desejo de voltar sua atenção plenamente para os ataques que já são feitos pelo senador John McCain e pelos republicanos, Obama ainda tem problemas em seu próprio partido, que podem ofuscar tudo mais até que ele os resolva: como reparar as relações com a senadora Hillary Rodham Clinton e seus eleitores e sobre se ele deve ou não oferecer a ela um espaço na chapa.

Hillary usou suas últimas horas na longa temporada das primárias deixando claro que estaria aberta a ser companheira de chapa de Obama. Se havia alguma esperança nos círculos democratas de que Hillary deixaria Obama em paz com uma declaração clara de falta de interesse, ela a enterrou na terça-feira.

Como seu marido, Hillary tem uma forma de se tornar o centro das atenções mesmo quando a atenção supostamente deveria estar voltada para outro lugar, uma realidade que Obama certamente continuará enfrentando independente de como venha a proceder. Não causou surpresa o fato de dois parágrafos inteiros nos comentários preparados por Obama para dizer na noite de terça-feira enchiam de elogios Hillary e seus feitos.

Até que possa lidar com a questão de Hillary, será difícil para Obama passar ao próximo passo: se apresentar ao eleitorado pleno e não apenas aos democratas, expondo sua ideologia política antes que McCain o faça em seus termos e tentando retificar alguns dos pontos fracos acentuados durante o acirrado processo das primárias.

Além disso, será que ele conseguirá sobreviver a um ataque de uma máquina republicana que provou ser capaz nos últimos 20 anos de desacreditar os candidatos democratas, particularmente aqueles com experiência limitada na disputa de eleições nacionais?

Será que ele, dado seu retrospecto eleitoral, é vulnerável ao tipo de ataque que McCain desferiu na noite de terça-feira, ao buscar retratar Obama como fora de contato com grande parte do país em questões como impostos, governo e ameaças à segurança americana?

Grande parte do otimismo cauteloso na campanha de Obama se baseia na expectativa de que esta seja uma eleição de virada de página, que a revolta profunda contra o presidente Bush, juntamente com o mal-estar da guerra no Iraque e a economia sejam canalizados em uma vitória democrata em novembro.

Mas ainda não está claro se estas questões substantivas superarão as questões e valores culturais -como raça, patriotismo e classe- ou a questão sobre se os eleitores considerarão Obama, saído a apenas poucos anos do Legislativo de Illinois, como tendo a experiência necessária para ocupar o Escritório Oval.

Existem vantagens óbvias em uma chapa Obama-Hillary. Por um lado, ajudaria muito a curar as feridas entre os eleitores de Hillary, especialmente as mulheres. Alguns destes eleitores sugeriram que prefeririam permanecer em casa ou votar em McCain, que fez um apelo explícito pelo apoio deles na noite de terça-feira, na sua tentativa de aumentar a pressão sobre Obama. Hillary forneceria a Obama parte das credenciais de política externa que ele necessita, traria seus próprios contribuintes de campanha e provavelmente ajudaria a colocar mais Estados na disputa.

"Eu tenho a maior admiração por ambos", disse o senador Thomas R. Carper, democrata de Delaware. "Eu quero vê-los concorrendo como uma equipe."

Mas há uma apreensão clara, mesmo que não manifestada publicamente, no círculo de Obama sobre a sabedoria de convidá-la como companheira de chapa. Após ganhar tanta atenção com a promessa de levar rostos novos para Washington, Obama estaria pedindo aos eleitores para colocarem outro Clinton na Casa Branca, mesmo que na cadeira de vice.

Hillary Clinton não vem sozinha; além de sua própria história -e da legião de eleitores que não gostam dela- ele traria consigo o ex-presidente Bill Clinton, cuja bagagem poderia ser julgada por Obama como maior do que sua habilidade política, especialmente após uma temporada de primárias que arranhou a reputação de Bill Clinton.

E concorrer à presidência envolve demonstração de comando e autoridade. Um papel crucial no processo de seleção do candidato à vice-presidência é evitar a percepção de estar sendo pressionado a tomar uma decisão por um companheiro de chapa potencial.

"Seria um passo para trás escolher Hillary a esta altura -e ele defende olhar para frente, promover a mudança", disse Matt Bennett, co-fundador da Third Way, uma organização democrata moderada. "Ele representa um tipo de política fundamentalmente nova. Escolher um Clinton seria por definição uma forma de olhar para trás, e não acho que ele queira isto."

Alguns democratas argumentam que em vez de produzir uma chapa que seria maior do que a soma das partes, uma combinação Obama-Hillary poderia ter o efeito oposto -ao afastar ambos os grupos de eleitores que relutam em votar em um afro-americano e aqueles que relutam em votar em uma mulher.

Por toda a campanha, Hillary e Obama mantiveram um relacionamento que alternou entre tenso e estranho. Obama já se referiu a ela durante um debate como "suficientemente apreciável", enquanto Hillary a certa altura disse que ela e McCain ofereceriam aos eleitores "uma vida inteira de experiência", enquanto Obama "apresentará um discurso que fez em 2002", uma referência a um discurso feito em Chicago antes dele ser eleito ao Senado, no qual ele se manifestou contra a guerra no Iraque.

Inevitavelmente, à medida que a campanha prosseguia, as relações entre os dois lados piorou -exacerbada pela insistência resoluta de Hillary de que seria uma candidata mais forte contra McCain; alguns dos comentários de Bill Clinton, como sua caracterização de que a oposição forte e consistente de Obama contra a guerra era um "conto de fadas"; e a impaciência entre os simpatizantes de Obama com a decisão de Hillary Clinton de permanecer na corrida até o final.

As ações de Hillary na terça-feira podem não ter aumentado seu capital junto a Obama. Intencionalmente ou não, seus comentários desviaram os holofotes para si, fazendo com que Obama se recorde de que muitas formas, ela é um personagem difícil de ser retirado do palco. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h10

    0,15
    3,187
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h11

    1,00
    65.325,81
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host