UOL Notícias Internacional
 

05/06/2008

Manifestação de Tiananmen em Hong Kong é mais fraca neste ano

The New York Times
Keith Bradsher

Em Hong Kong
Um público um tanto menor do que em anos anteriores compareceu aqui, na noite de quarta-feira, para a vigília anual à luz de velas para marcar a repressão de 1989 contra os manifestantes pró-democracia na Praça Tiananmen, uma participação reduzida pela crescente relutância entre muitos moradores de Hong Kong em confrontar as autoridades de Pequim em questões de direitos humanos.

O entusiasmo em relação aos próximos Jogos Olímpicos em Pequim, simpatia pelas vítimas do terremoto de 12 de maio na província de Sichuan e a crescente prosperidade em Hong Kong, graças ao boom econômico na China, se somaram para enfraquecer o antes vigoroso movimento de protesto da cidade.

Até mesmo o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, a mais alta autoridade da Igreja Católica Romana na China e um ruidoso crítico do histórico de direitos humanos de Pequim por muitos anos, moderou seu tom nas últimas semanas.

Zen, que também é bispo de Hong Kong, surpreendeu muitos aqui na segunda-feira quando, em uma missa especial para as vítimas do terremoto, ele elogiou a China por sua abertura ao lidar com o esforço de resgate.

Ele foi mais longe na noite de quarta-feira, em um encontro de oração pouco antes da vigília à luz de velas, apesar de ter mencionado gentilmente um desejo de que a China peça desculpas pelas mortes na Praça Tiananmen. "Nós apoiaremos de todo o coração os líderes à medida que avancem na grande estrada do respeito pela humanidade", ele disse.

O encontro de oração foi realizado em uma parte diferente do parque central onde a vigília foi realizada, e o cardeal seguiu sua prática habitual de não participar da vigília em si. O Vaticano e Pequim também estão em conversações sobre a possibilidade de estabelecimento de relações diplomáticas e maiores proteções para a liberdade religiosa na China.

Os comentários de Zen representaram uma mudança em sua posição em comparação há dois anos. Ele marcou o aniversário das mortes na Praça Tiananmen naquela época, três meses após se tornar cardeal, comparecendo a um salão ao lado da catedral católica de Hong Kong e fazendo uma denúncia veemente do histórico de direitos humanos do governo chinês, além de pedir por uma prestação de contas plena pelo que foi feito aos manifestantes liderados pelos estudantes na Praça Tiananmen.

A vigília atraiu milhares de pessoas, mas a multidão foi ligeiramente menor do que no ano passado, estimada pelos organizadores em 55 mil e pela polícia em 27 mil. Neste ano, os organizadores estimaram a multidão em 48 mil, enquanto a polícia estimou o número em 15.700.

A Universidade de Hong Kong, que tem uma reputação de levantamentos estatísticos válidos, apontou uma mudança significativa neste ano em sua 16ª pesquisa anual, conduzida desde 1993, sobre as posições da população nas semanas que antecedem a vigília anual.

A pesquisa apontou que a maioria dos moradores de Hong Kong ainda acredita que os estudantes chineses estavam certos em protestar na Praça Tiananmen em 1989; de que o governo estava errado em matar um número desconhecido de manifestantes e prender muitos mais na repressão militar de 4 de junho; e que o governo deveria reverter sua posição oficial de que a repressão foi uma medida necessária para preservar a ordem social.

Mas as posturas em relação ao retrospecto mais recente de direitos humanos do governo chinês mudou.

A proporção de entrevistados que acreditam que os direitos humanos na China melhoraram desde 1989 subiu para 85%, em comparação a 78% no ano passado. A proporção daqueles que acham que eles melhorarão ainda mais nos próximos três anos saltou de 67%, no ano passado, para 77%.

Apenas 2% acharam que o retrospecto de direitos humanos da China piorou desde 1989 e apenas 2% acharam que ele piorará nos próximos três anos.

"Na avaliação das condições de direitos humanos na China atuais e futuras, o otimismo se encontra em uma alta recorde desde o início desta pesquisa", disse Robert Chung, o diretor do programa de opinião pública da universidade.

Os pesquisadores da universidade entrevistaram 2.030 moradores em um pesquisa aleatória por telefone conduzida de 20 de maio a 2 de junho. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança.

Apesar das preocupações com os eventos de 1989 poderem estar diminuindo, o Human Rights Watch, o grupo de defesa, pediu na segunda-feira pela libertação de 130 pessoas que ele descreveu como ainda estando na prisão na China em 2004, após terem sido presas indevidamente ou julgadas por ligação com a repressão.

Dados mais atualizados sobre o número de detidos não estão disponíveis, disse o Human Rights Watch. Qin Gang, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, se recusou em uma coletiva de imprensa em Pequim, na terça-feira, a fornecer um número. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host