UOL Notícias Internacional
 

08/06/2008

Sexo diário ajuda dois casais a melhorarem sua relação

The New York Times
Ralph Gardner Jr.
Digamos que você e seu cônjuge não fazem sexo há tanto tempo que você nem consegue lembrar qual foi a última vez. Não o dia. Não o mês. Talvez nem mesmo a estação do ano. Será que você vai buscar sua satisfação em outro lugar? Vai pedir o divórcio? Ou chegará para seu parceiro e dirá, "Querido(a), sabe, estive pensando. Por que não transamos durante 365 dias seguidos?"

Foi mais ou menos isso que aconteceu com Charla e Brad Muller. E num outro exemplo de aventura erótica que suplantou a insatisfação conjugal, um segundo casal, Annie e Douglas Brown, embarcaram numa jornada similar, um tanto mais curta: 101 dias corridos de sexo pós-nupcial.

Ambos casais documentaram suas explorações em livros publicados este mês, últimos lançamentos do que já se tornou praticamente um mini gênero literário de ajuda para os "casamentos privados de sexo". Os casais, apesar disso, não são quase nada parecidos. Os Mullers são republicanos que comem carne e estudam a Bíblia, e moram em Charlotte, Carolina do Norte. Os Browns são mochileiros do norte que comem granola e se mudaram para Boulder, Colorado. O livro dos Muller, "365 Nights" ("365 Noites") é antes de mais nada modesto e circunspecto nos detalhes. O livro dos Brown, "Just Do It" ("Simplesmente Faça"), quase que faz com que o leitor se sinta parte de um "ménage à trois", compartilhando no livro tudo o que eles usaram para estimular o desejo sexual (é difícil de visualizar e ainda mais de explicar).

Para muitos casais, o "sexo casado" pode soar como algo contraditório. E o "sexo do casal com filhos" pode soar tão evasivo quanto a anti-matéria. De fato, reacender o desejo mútuo de um casal tem alimentado toda uma indústria terapêutica - de Kinsey a Dr. Ruth e ao Redbook (Livro Vermelho). De acordo com o estudo "Comportamento Sexual Americano", feito pelo Centro de Pesquisas de Opinião Nacional da Universidade de Chicago em 2004, casais casados tem relações sexuais cerca de 66 vezes por ano. Mas esse número é distorcido pelos casais recém-casados, de até 18 anos, que fazem sexo em média 84 vezes por ano.

De qualquer forma, essas estatísticas colocam os Muller e os Brown numa média digna de recorde olímpico. O fato de eles terem acreditado que uma maratona de sexo revigoraria seus casamentos pode revelar tanto a inclinação norte-americana por exercícios físicos e atingir metas quanto o estado atual do romance.

Mas pode ser que os casais quisessem outra coisa. "Há uma relação estreita entre a freqüência das relações sexuais e considerar um casamento feliz", diz Tom W. Smith, que conduziu o estudo "Comportamento Sexual Americano". "Não podemos afirmar qual é a relação causal entre os dois. Não sabemos se aqueles que estão felizes em seus casamentos fazem mais sexo, ou se as pessoas que fazem mais sexo ficam mais felizes em seus casamentos, ou se há uma combinação desses dois fatores."

Será que esses casais forneceram alguma resposta? Fazer sexo todas as noites tornou seus casamentos e suas vidas mais felizes?

Charla aparentemente não teve intenção de escrever sobre "o presente", eufemismo com o qual ela se refere à maratona sexual do casal. Ela era simplesmente uma dona-de-casa e consultora de marketing que em 2006 resolveu dar um presente especial no aniversário de 40 anos do marido.

"Era algo que ninguém mais daria para ele", disse em uma entrevista. "Não custou quase nada. E era um presente memorável. Preencheu todos os requisitos de um bom presente."

Brad não ficou tão entusiasmado, principalmente porque, segundo ele, sua mulher normalmente tem ótimas idéias mas não as coloca em prática. Afinal, ela não havia sido especialmente generosa nesse departamento desde o nascimento de seus dois filhos. Ele só deu a devida atenção quando percebeu que ela estava levando a sério a proposta.

A idéia do livro surgiu por acidente. Charla estava almoçando com uma amiga, Betsy Thorpe, ex-editora de livros e sua eventual colaboradora, que havia se mudado para Charlotte. Ela viu material para um livro nos encontros noturnos do casal (as duas mulheres se encontraram quando a façanha anual dos Muller já estava em seu último trimestre).

Enquanto "365 Noites" foi escrito da perspectiva das mulheres, "Just Do It" traz a perspectiva do homem, Douglas Brown, um repórter de 42 anos do The Denver Post. Ainda assim a mudança de gênero não parece afetar o ponto de vista, talvez porque Doug se mostre um homem sensível, e porque a maratona sexual de 2006 tenha sido idéia de sua mulher, como uma forma de banir o tédio suburbano dois anos depois que eles se mudaram da Costa Leste para Boulder.

"Pensei, não há mais nada acontecendo em nossas vidas", disse Annie em uma entrevista. "Isso pode reacender nosso casamento."

Eles mudaram de cenário com freqüência -um bangalô em um ashram, uma oca nas Rochosas do Colorado, e um quarto de hotel em Las Vegas, onde Doug estava cobrindo a convenção anual da indústria de entretenimento adulto. "Foi por isso que agendamos todas essas pequenas viagens", disse Annie. "Sabíamos que aquilo podia se tornar monótono."

Se não fosse por causa de seu zelo competitivo, a maratona poderia ter terminado bem antes dos 100 dias. Annie até mesmo forçou seu marido a fazer sexo durante um ataque de vertigem. "Não sou alguém que desiste", disse ela. "Na noite em que ele sentiu tontura, eu disse: 'Desculpe, moço, mas você precisa continuar."

Doug disse em uma entrevista que no 101º dia, ele se sentiu "como se tivesse um encontro marcado, do qual já havia se esquecido, com um advogado tributarista para falar sobre planejamento financeiro."

Depois disso, diz ele, "Acho que não fizemos sexo por um mês."

Os Muller, ou pelo menos Charla, chegou a um impasse perto do décimo mês. Em seu livro, ela descreve o presente como "minha idéia estúpida" e "uma dissimulada cruz para carregar". Eles disseram que desistiram apenas algumas noites por mês, principalmente por causa das viagens de negócio de Brad. A média foi de 26 a 28 encontros por mês.

"O espírito do presente não era manter um recorde", disse Charla. "Depois que ele viajava, nós tentávamos compensar, mas não era obrigatório."

As mulheres são vistas com admiração, se não com inveja, por suas amigas. "Minha primeira reação foi 'por favor, não conte ao meu marido'", diz Sydney Coffin, amiga de Charla.

Annie Brown agora é vista como uma verdadeira terapeuta sexual por suas amigas. Sua aventura até mesmo inspirou a amiga Diane Elliston a desligar a televisão do quarto. (Os Brown cobriram a sua com tecidos de bom gosto.)

"Fizemos sexo todo dia, durante três dias", disse Elliston.

Encarar o sexo como uma maratona, com sua própria versão da subida da Brigadeiro Luis Antônio, pode não ser a solução para todos os casamentos estagnados. Lois Braverman, presidente do Instituto Ackerman em prol da Família, preveniu os casais que querem se equiparar aos Muller e aos Brown. "Alguns casais estão totalmente satisfeitos ao fazer sexo uma vez por semana, às vezes duas, alguns duas vezes por mês", disse. "Não há um número de vezes que seja o ideal."

Shoshana Bulow, psicoterapeuta e terapeuta sexual certificada de Manhattan, aponta para o fato de que o sexo é muito mais complexo do que a freqüência. "Há todo tipo de motivo para que as pessoas percam o interesse sexual pelo parceiro -decepções, ciclos da vida, problemas financeiros", disse. "Simplesmente fazer sexo não resolverá essas questões."

Apesar disso, o sexo diário parece ter funcionado para os Muller e os Brown. Tanto Charla Muller quanto Annie Brown contam que a obrigatoriedade da intimidade física criou mais intimidade emocional. "Era necessário um senso de perdão e gentileza diário, deixar de ser pavio curto e de se irritar, o que acho que nenhum de nós havia experimentado antes", disse Charla.

Annie disse que ela e o marido chegaram a um patamar no relacionamento que eles raramente atingiram desde então. "Era uma proximidade intensa", disse ela. "Estávamos muito conscientes de como a outra pessoa estava mental, emocional e fisicamente."

Hoje, os Brown dizem que fazem sexo aproximadamente seis vezes por mês, que dobraram sua atividade sexual depois da maratona. Os Muller se recusam a discutir seus hábitos, exceto para dizer que estão dentro da média nacional. E, segundo Brad, o sexo entre eles é melhor. "Fez com que seja bem mais fácil estar aberto para a idéia, o sexo ficou mais espontâneo", disse. "Assim não caímos no mesmo jogo para pedir sexo ou nas desculpas para não fazer."

Charla concorda: "É muito melhor do que era antes. Pode ser uma lição lenta de se assimilar, mas foi bastante significativa."

Douglas Brown agora tem menos "medo do palco" do que tinha antes. "Não há mais tanto uma obrigação para ter uma boa performance", diz ele. "Depois de 100 dias, isso de certa forma se dissolveu."

Mesmo assim, ele não recomenda a experiência a todos os casais.

"Fico feliz que fizemos isso", diz. "Mas no que diz respeito a um conselho prático, ninguém precisa fazer sexo por 100 dias. Você não precisa escalar o Monte Everest para entender o sublime dos Alpes." Eles fizeram sexo durante 101 dias corridos. Para estudioso, "há uma relação estreita entre a freqüência das relações sexuais e considerar um casamento feliz" Eloise De Vylder

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