UOL Notícias Internacional
 

10/06/2008

Friedman: a aposta de um investidor americano e de Ahmadinejad no futuro de Israel

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Pergunta: O que o maior investidor americano, Warren Buffett, e o tóxico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, têm em comum? Resposta: Ambos fizeram uma aposta no futuro de Israel.

Ahmadinejad declarou na segunda-feira (02/06) que Israel "atingiu sua fase final e em breve será eliminada da cena geográfica".

Por coincidência, eu ouvi a declaração do líder iraniano na Rádio Israel enquanto deixava a sede da Iscar, a famosa empresa israelense de instrumentos de precisão, situada na Galiléia Ocidental, perto da fronteira do Líbano. A Iscar é conhecida por muitas coisas, a principal por ser a primeira empresa que Buffett comprou no exterior para sua holding, a Berkshire Hathaway.

Buffett pagou US$ 4 bilhões por 80% da Iscar e o acordo por acaso aconteceu poucos dias antes do Hezbollah, uma parte chave da holding do Irã, atacar Israel em julho de 2006, provocando uma guerra que durou um mês. Eu perguntei ao presidente da Iscar, Eitan Wertheimer, qual foi a reação de Buffett quando ele descobriu que tinha pago US$ 4 bilhões por uma empresa israelense e poucos dias depois foguetes do Hezbollah estarem caindo em seu estacionamento.

Buffett apenas fez um gesto para não se preocupar, lembrou Wertheimer: "Ele disse, 'eu não estou interessado no próximo trimestre. Eu estou interessado nos próximos 20 anos'". Wertheimer retribuiu esta confiança dizendo para metade de seus funcionários permanecer em casa durante a guerra e usando a outra metade para ajudar a fábrica a não perder nenhum dia de trabalho e estabelecer um recorde de produção naquele mês. Ajuda quando muitos de seus "funcionários" são robôs que se movem pelo prédio, bipando para os humanos saírem do caminho.

Então, em quem você apostaria seu dinheiro? Buffett ou Ahmadinejad? Eu descartaria Ahmadinejad e apostaria em Warren Buffett.

Por quê? Visto de fora, Israel parece estar em turbulência, em grande parte porque toda a liderança política parece estar sob investigação. Mas Israel é um Estado fraco com uma sociedade civil forte. A economia está explodindo de baixo para cima. A moeda de Israel, o shekel, se valorizou quase 30% frente ao dólar desde o início de 2007.

O motivo? Israel é um país preparado para competir em um mundo plano. Ele tem uma população oriunda de 100 países diferentes, falando 100 línguas diferentes, com uma cultura de negócios que encoraja fortemente a imaginação individual e a adaptação, onde não ser conformista é a norma. Enquanto você dormia, Israel passou das laranjas para o software, ou como eles dizem por aqui, de Jaffa para Java.

O dia em que visitei o campus da Iscar, um de seus teatros estava cheio de industriais da República Tcheca, que acompanhavam uma palestra -em tcheco- dos técnicos da Iscar. Os tchecos vieram até a região de fronteira de Israel e Líbano para aprender a respeito das mais recentes inovações na fabricação de instrumentos de precisão. Wertheimer é famoso por permanecer próximo de seus clientes e das mais recentes tecnologias. "Se você dormir no chão", ele gosta de dizer, "você nunca precisa temer cair da cama".

Este tipo de avidez explica por que, no primeiro trimestre de 2008, as quatro maiores economias atrás dos Estados Unidos na atração de capital de risco para novas empresas foram: Europa, US$ 1,53 bilhão; China, US$ 719 milhões; Israel, US$ 572 milhões; e Índia, US$ 99 milhões, segundo a Dow Jones VentureSource. Israel, com 7 milhões de habitantes, atraiu quase tanto quanto a China, com 1,3 bilhão.

Boaz Golany, que chefia a área de engenharia na Technion, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts de Israel, me disse: "Nos últimos oito meses, nós recebemos delegações da IBM, General Motors, Procter & Gamble e Wal-Mart que vieram visitar nosso campus. Todos estão buscando criar centros de pesquisa e desenvolvimento em Israel".

Ahmadinejad não se importa com estas coisas. Ele nasceu -para colocar em termos de beisebol americano- na terceira base e acha que conseguiu uma corrida tripla. Como os preços do petróleo atingiram quase US$ 140 o barril, ele se sente à vontade para prever que Israel desaparecerá, enquanto o Irã mantém um Estado de bem-estar social -com mais de 10% de desemprego.

O Irã não inventa nada de importante desde a Revolução Islâmica, o que é uma vergonha. Historicamente, os iranianos eram um povo dinâmico e inventivo -basta apenas olhar para a riqueza da civilização persa para ver isso. Mas o regime islâmico atual não confia em seu povo e não promoverá o empoderamento deles como indivíduos.

É claro, a riqueza do petróleo pode comprar todo o software e tecnologia nuclear que você quiser, ou não pode desenvolver sozinho. Isto não quer dizer que não devemos nos preocupar com o Irã. Mas Ahmadinejad deveria.

A força econômica e militar atual do Irã é altamente dependente da exploração do petróleo do solo. O atual poder econômico e militar de Israel é totalmente dependente da exploração da inteligência de seu povo. O poder econômico de Israel é infinitamente renovável. O do Irã é um recurso que está diminuindo, baseado em combustíveis fósseis feitos de dinossauros mortos.

Então, quem estará aqui em 20 anos? Eu estou com Buffett: eu apostarei no povo que aposta nas suas pessoas -não no povo que aposta em dinossauros mortos. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h19

    -0,59
    3,264
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h24

    0,91
    63.799,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host