UOL Notícias Internacional
 

12/06/2008

Obama sofre primeiro escorregão depois das prévias

The New York Times
Gail Collins
Colunista do The New York Times
Todos sabem que a primeira regra na escolha de um candidato a vice-presidente é não causar danos. Sério, você pode escolher qualquer um. Quão tolo você se sentiria se isso se transformasse em um embaraço? Este é o motivo para o candidato moderno, cuidadoso, estabelecer um sistema de seleção.

Agora se pergunte: quão tolo você se sentiria se arrumasse um problema devido à sua escolha do selecionador do vice-presidente.

Barack Obama está tendo a primeira crise pós-primárias, um momento em que a única resposta concebível é: No que ele está pensando?

James Johnson, que renunciou na quarta-feira como líder do comitê de seleção do vice-presidente de Obama, é velho insider de Washington que ajudou Walter Mondale e John Kerry com a mesma tarefa. Sua aura de experiência aparentemente não diminuiu nada pelo fato de ambos os candidatos que auxiliou terem perdido e pelo fato de um deles ter se envolvido em controvérsias embaraçosas devido ao seu companheiro de chapa.

A causa imediata da queda de Johnson foi uma acusação de ter recebido ajuda em três empréstimos hipotecários do chefe da Countrywide Financial Corp., que Obama criticou por seu papel na crise dos empréstimos subprime (de alto risco). Como a Countrywide parece deter a hipoteca de cada lar nos Estados Unidos, ela também é detestada por muitos, muitos americanos por princípios gerais.

Até aqui, nada tão ruim. Como Obama apontou, você não pode realmente esperar que um candidato presidencial estabeleça um comitê para checar as pessoas que integrarão o comitê de checagem. Apesar de que você pode apostar que até 2012, este será o procedimento operacional padrão.

Mas há todas estas outras coisas. Johnson é o ex-chefe da (empresa de crédito hipotecário) Fannie Mae, que sob sua direção, segundo os reguladores, esteve envolvida em práticas contábeis que foram, no mínimo, negligentes. Ao mesmo tempo, ele fez parte dos conselhos de cinco corporações diferentes, onde parecia servir como líder de torcida da teoria de que executivos corporativos merecem receber quantias obscenas de dinheiro.

Como alguém pode procurar Barack Obama, que já apresentou um projeto de lei coibindo a compensação executiva excessiva, e dizer: "Sabe o comitê de seleção do vice-presidente? Para presidente, que tal Jim Johnson? Lembra, o sujeito que tentou dar US$ 1,4 bilhão ao chefe do UnitedHealth Group em opções de ações?"

Quando Johnson renunciou na quarta-feira, o comitê eleitoral de McCain emitiu uma declaração dizendo que o simples fato de ter sido escolhido levantava "sérias dúvidas sobre o julgamento de Barack Obama". Esta realmente não parece ser uma grande linha de ataque para uma campanha com grande número de importantes funcionários demitidos recentemente por serem lobistas.

Talvez em uma tentativa de diferenciar os casos, o porta-voz de McCain disse: "A América não pode arcar com um presidente que muda de posição em questões chaves em menos de 24 horas". Sob uma presidência de McCain, o sangramento supostamente prosseguiria por semanas e semanas antes de ocorrer o inevitável.

Apesar de McCain, até agora, não ter demonstrado que pode administrar qualquer coisa mais desafiadora do que um churrasco no quintal, isto não faz a situação de Johnson parecer melhor.

Tenha em mente que o chefe do comitê de seleção do vice-presidente não é um cargo para o qual há um número limitado de candidatos qualificados. Você poderia indicar um herói do corpo de bombeiros ou uma freira para ser o rosto público do processo seletivo. Você contrata especialistas para realizar a checagem dos candidatos. Você vai querer que seus próprios conselheiros de confiança participem das entrevistas. Os outros dois membros do comitê, Caroline Kennedy e um ex-vice-secretário da Justiça, podiam ter se virado sozinhos.

Mas não, era preciso ter um sábio calejado cuja alta posição entre a elite política e dos negócios do país parecia depender do fato de sentir que cada um deles merece mais dinheiro.

Isso é que é desastre desnecessário. É como ter sua carreira arruinada por ter convidado a pessoa errada para promover a festa em homenagem aos padrinhos de seu sobrinho.

Espíritos gentis podem achar que é bom que a campanha de Obama esteja enfrentando este tipo de coisa tão cedo. Os mais cruéis podem notar que pelo menos não podem culpar Hillary por isso.

Em vez de cair em completa depressão tão cedo no jogo, vamos trabalhar sob a suposição de que as pessoas envolvidas estavam tão cansadas que não sabiam o que estavam fazendo.

Pouco antes do final das primárias, eu estava em Dakota do Sul conversando com George McGovern, que é o padrão ouro quando se trata de seleções desastrosas de vice-presidentes. Se Obama lhe pedisse um conselho, disse McGovern, ele lhe diria para evitar a exaustão.

"Eu recebi este conselho de Barry Goldwater. Ele disse para tomar cuidado com a fadiga. É quando você comete erros", acrescentou McGovern.

Uma decisão ridícula não significa que Obama não será um bom candidato.

Mas sugere que ele precisa dar um longo cochilo. George El Khouri Andolfato

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