UOL Notícias Internacional
 

17/06/2008

É preso o policial acusado de liderar milícia que torturou jornalistas em favela carioca

The New York Times
De Alexei Barrionuevo

No Rio
Um policial acusado de liderar uma milícia local -que a polícia diz ter torturado quatro pessoas, incluindo dois jornalistas, por mais de seis horas aqui no mês passado- se entregou na segunda-feira.

O policial, Odnei Fernando da Silva, 34 anos, se entregou à unidade de combate ao crime organizado da polícia estadual do Rio, conhecida como Draco, após permanecer foragido por quase duas semanas. Um advogado, André Gomes, o acompanhou, disse Jorge Gerhard, o chefe de inteligência da Draco.

Gerhard disse que Silva, ex-agente penitenciário que também trabalhou em um hospital psiquiátrico antes de se tornar policial, negou ter torturado as quatro pessoas na favela Batan, em 14 de maio. Silva também negou ser o líder da milícia. Ele ainda não foi formalmente indiciado.

Sua prisão ocorreu após a captura de Davi Liberato de Araújo, suspeito de ser o segundo em comando na milícia, que era composta de policiais e ex-policiais. Araújo é um condenado por roubo de carro que estava cumprindo pena de mais de seis anos em regime semi-aberto.

A polícia disse que Silva se entregou porque não tinha nenhum outro lugar para ir. Os investigadores identificaram seus esconderijos mais prováveis e ele passou as duas últimas noites dormindo na rua, disse Gerhard. Os esforços para encontrar o advogado de Silva, ou seu número de telefone, na segunda-feira não foram bem-sucedidos.

A milícia é acusada de torturar uma repórter e um fotógrafo do jornal "O Dia", juntamente com o motorista deles e um vizinho que morava em uma casa próxima na favela daquela que os jornalistas alugaram para realizar sua investigação secreta da economia do submundo local.

Eles foram descobertos pela milícia e torturados em 14 de maio. Segundo seus depoimentos para a unidade do crime organizado, eles foram espancados, chutados, receberam choques elétricos e quase asfixiados com sacos plásticos, e a repórter foi despida e ameaçada de ataque sexual.

Gerhard disse que a prisão de Silva, apesar de significativa, não quer dizer que a milícia de Batan tenha sido totalmente eliminada. "Nós continuaremos identificando os demais para que possam ser presos", ele disse.

Milícias armadas proliferaram no Rio com o crescimento do número de favelas. As milícias expulsaram as gangues do narcotráfico e prometiam reduzir a violência, e em alguns casos o fizeram. Mas os críticos e líderes da unidade de combate ao crime organizado dizem que as milícias são pequenas máfias, freqüentemente com laços com políticos, que praticam atividades criminosas e freqüentemente forçam os moradores a pagarem por proteção.

A prisão de Silva tem "enorme importância", disse a professora Alba Zaluar, a coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

"Até agora o problema das milícias estava sendo mantido escondido porque havia esta impressão de que os moradores nas áreas sob controle das milícias se sentiam mais seguros", disse Zaluar.

Mery Galanternick contribuiu com a reportagem George El Khouri Andolfato

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