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19/06/2008

Campanha de Obama aumenta controle sobre imagens e acesso ao candidato

The New York Times
Jim Rutenberg e Jeff Zeleny*
Do The New York Times
Em um comício do senador Barack Obama na última segunda-feira (16/06), em Detroit, duas mulheres muçulmanas foram proibidas de sentarem-se atrás do candidato porque estavam com as cabeças cobertas e os voluntários da campanha não quiseram que elas aparecessem junto a ele nas fotos da imprensa ou na cobertura ao vivo da televisão.

O comitê de campanha de Obama anunciou que chamou rapidamente as mulheres para pedir-lhes desculpas após saber do incidente. "Isso não reflete a orientação da campanha", afirma Anita Dunn, da assessoria de Obama. "Não creio que esse erro voltará a ser cometido".

Mas o incidente, anunciado na quarta-feira (18/06) no site Politico.com, revelou os problemas enfrentados pela campanha à medida que esta ruma para a eleição geral e procura manter controle sobre a imagem de Obama, administrando rigidamente as aparições públicas do candidato.

O comitê de Obama está combatendo vigilantemente informações errôneas disseminadas na Internet, como a de que ele é muçulmano - o candidato é, na verdade, cristão. Os assessores procuram também enfatizar o patriotismo e a história norte-americana do candidato, exibindo bandeiras em abundância. Na quarta-feira (18/06), em Washington, ele convidou os fotógrafos para a sua reunião com os novos membros da sua equipe de segurança nacional e oficiais da reserva que apóiam a sua candidatura.

Na segunda-feira a campanha impediu o uso de câmeras em um grande encontro de lideranças civis negras do qual Obama participou. Ela recentemente recusou-se a fornecer os nomes das figuras religiosas com as quais Obama reuniu-se em Chicago, e orientou alguns desses indivíduos a saírem por uma passagem especial a fim de evitar os repórteres. E, na quarta-feira, o comitê orquestrou a participação de Michelle Obama no amigável programa de televisão "The View" e uma entrevista de teor lisonjeiro na "US Weekly".

"Um dos desafios que estamos enfrentamos bem diretamente é o de lidar com os boatos e os e-mails, as informações descuidadas sobre o senador Obama e Michelle Obama", afirma Dunn. "E lidaremos com isso de forma bem agressiva através de diversos meios de notícia".

Embora a estratégia tenha sido elogiada por profissionais políticos de ambos os partidos, que afirmam que a campanha de Obama está exibindo um alto nível de disciplina, ela também criou alguma turbulência para um candidato que concorre baseado em promessas de abertura e que cultivou um eleitorado junto aos movimentos de base responsável por uma indústria caseira de vídeos, souvenires e grafites de campanha.

A campanha de Obama está passando por uma transição que é típica para todo candidato recém-indicado que se prepara para a corrida à presidência. Ela espelha-se na estratégia que já foi praticada com sucesso pelas campanhas do presidente Bush, para a inveja - e, às vezes, raiva - dos democratas.

"Esse cara é um dos dois indivíduos que podem ser o presidente dos Estados Unidos", afirma Stuart Stevens, estrategista republicano para Bush nas campanhas de 2000 e 2004. "Ele não vai mais bater de porta em porta em Iowa, e acho que as pessoas esperam que as coisas sejam diferentes quando o indivíduo é indicado candidato. O mesmo se aplica a John McCain - ele não será capaz de passar tanto tempo em salas de estar. Isto é simplesmente a natureza do jogo se modificando".

Mas a campanha de McCain foi criticada por não proteger suficientemente a imagem do candidato. Uma crítica específica refere-se ao seu discurso em horário nobre perante uma pequena multidão e com um estranho fundo verde na noite em que Obama anunciava a sua escolha como candidato do Partido Democrata. Mas embora os assessores de McCain tenham se desentendido em algumas ocasiões com a imprensa, eles ainda são elogiados por concederem aos repórteres que viajam com o candidato um acesso pouco comum ao republicano.

Os estrategistas de Obama, o primeiro candidato negro do país, deixaram claro que não acreditam que precisam tomar medidas extras para controlar a imagem do democrata e protegê-lo de ataques. Mas tais esforços parecem às vezes conflitar com o desejo manifestado pelo candidato de exibir uma transparência e uma abertura acima do normal. Os assessores já colocaram o candidato em situação difícil junto a organizações de notícias que solicitavam maior acesso a ele, agora que Obama é o candidato democrata.

Em discussões acaloradas com repórteres barrados da reunião de segunda-feira com as lideranças civis negras, os assessores disseram que nenhuma câmera seria permitida porque os participantes desejavam que o encontro fosse privado, ainda que ele tivesse sido anunciado na lista de eventos do hotel. Mais tarde, outros assessores disseram que a iluminação não era apropriada para que se tivesse uma boa qualidade televisiva.

Quando Obama reuniu-se com líderes religiosos na semana passada, o seu comitê de campanha impediu a entrada de fotógrafos e repórteres e recusou-se a divulgar a lista integral dos participantes.

O professor Douglas W. Kmiec, um especialista conservador em direito constitucional da Escola de Direito Pepperdine, afirma que Obama disse a ele e a outros presentes que estava realizando um encontro privado para que ele e outros pudessem falar o que tivessem em mente sem temer o julgamento público.

"Ele afirmou: 'Quero que os termos e condições do encontro sejam tais que todos se sintam livres para me fazer qualquer pergunta incômoda da forma que quiser'", disse Kmiec, acrescentando que os convidados que desejavam evitar os jornalistas foram conduzidos a uma saída especial.

Os assessores de Obama dizem que a sua campanha tem se mantido fiel ao compromisso de ser bastante transparente. Eles observam a decisão de Obama de ser o primeiro candidato neste ano a revelar as suas verbas de campanha aos jornalistas. Mas ele está adotando uma abordagem mais estratégica para conceder entrevistas. Nesta semana, Obama concentrou-se em falar sobre a economia para repórteres do "The Wall Street Journal" e da "Fortune".

Tensões entre a campanha de Obama e a mídia ficaram evidentes quando os seus assessores anunciaram há duas semanas que o candidato estava voando para Chicago, quando na verdade enviou o seu avião - e os repórteres escalados para viajar com o grupo - para lá, e permaneceu em Washington para reunir-se com a senadora Hillary Rodham Clinton.

Os diretores das principais redes de telenoticiários e a Associated Press enviaram uma carta dura aos assessores de Obama em 6 de junho,
dizendo: "Em uma campanha existem muitas maneiras de controlar a sua mensagem e realizar reuniões privadas sem que se ludibrie os jornalistas". Eles disseram ainda: "Indo além, nós sabemos com base na experiência que a cobertura de uma campanha presidencial exige que alguns representantes da imprensa estejam juntos, ou próximos, ao senador a todo momento como parte do 'pacote de segurança', da mesma forma que os jornalistas escalados para a Casa Branca fazem com relação ao presidente".

Até o momento a campanha de Obama não deu nenhuma indicação de que está preparada para desistir. "A imprensa não estaria fazendo o seu trabalho se estivesse exigindo mais do que nós estamos dispostos a conceder", afirma Dunn. "Nós não estaríamos fazendo o nosso trabalho se não irritássemos de vez em quando a imprensa".

*Julie Bosman e Sarah Wheaton contribuíram para esta matéria. UOL

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