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25/06/2008

Homossexualismo no exército dos EUA: dispensas atingem mais as mulheres

The New York Times
Thom Shanker
Em Washington
O Exército e a Aeronáutica dispensaram um número desproporcional de mulheres em 2007, de acordo com a política de "não pergunte, não responda" que proíbe homossexuais declarados de atuarem no serviço militar, de acordo com as estatísticas do Pentágono reunidas por um grupo de defesa.

Apesar de as mulheres representarem apenas 14% do efetivo do Exército, 46% dos dispensados sob essa política no ano passado foram mulheres. E apesar de apenas 20% do efetivo das Forças Aéreas ser de mulheres, elas representaram 49% das dispensas no ano passado.

Em 2006, em comparação, cerca de 35% das dispensas do Exército e 36% das Forças Aéreas foi de mulheres, de acordo com as estatísticas.

Essas informações foram reunidas a partir de uma requisição de acordo com o Ato de Liberdade de Informação pela Servicemembers Legal Defense Network, uma organização de defesa legal.

"As mulheres representam 15% das forças armadas, assim, descobrir que elas representam quase 50% das dispensas do Exército e da Aeronáutica sob a política de 'não pergunte, não responda' é chocante", diz Aubrey Sarvis, diretor-executivo da organização. "Muito mais que os homens, as mulheres foram pegas no emaranhado dessa lei contraproducente."

A organização compilou as estatísticas de gênero das dispensas, mas não fez nenhuma série de entrevistas formais, e dessa forma não pode oferecer nenhuma razão verificável para o aumento do número das mulheres que foram afastadas do serviço militar sob a política de "não pergunte, não responda".

O Pentágono divulgou recentemente os números gerais de dispensas de acordo com essa política em 2007, sem uma separação por gênero.

No geral, o número de gays e lésbicas dispensados do serviço militar em 2007 aumentou de 612 para 627 em relação ao ano anterior, de acordo com as estatísticas do Pentágono. Esses números representam uma queda de cerca de 50% em relação ao pico em 2001, antes das guerras do Iraque e Afeganistão.

Apesar do estresse nas forças armadas por causa das duas guerras, o Pentágono não considera uma mudança nessa política, dizendo que compete ao Congresso decidir se a lei deve ser alterada ou revogada.

Novembro foi o 14º aniversário dessa lei que permite que gays e lésbicas atuem no serviço militar, mas somente se manterem sua orientação sexual secreta.

Grupos de defesa dizem que cerca de 65 mil gays e lésbicas atuam nas forças armadas dos EUA e que há mais de 1 milhão de veteranos homossexuais.

No início do ano passado, o general John M. Shalikashvili, que foi presidente do Conselho Militar quando a política foi adotada, pediu para que ela fosse revogada, dizendo que mudou de idéia depois de algumas discussões com militares em serviço.

"Agora acredito que se gays e lésbicas atuarem abertamente no serviço militar dos Estados Unidos, eles não irão enfraquecer a eficácia das forças armadas", escreveu Shalikashvili em um artigo publicado no The New York Times em 2 de janeiro de 2007. "Nosso serviço militar foi reduzido pelo envio de tropas ao Oriente Médio, e precisamos acolher todos os americanos capazes e dispostos a fazer o trabalho."

De acordo com as estatísticas, em 2007, o Exército dispensou 302 soldados por causa da lei, mais do que os 208 dispensados no ano anterior. A Aeronáutica dispensou 91 pessoas, menos do que as 102 dispensadas em 2006. A Marinha dispensou 166, o mesmo número que em 2006. Os Fuzileiros Navais dispensaram 68, mais do que os 64 de 2006.

"Os militares afastados podem continuar servindo o país e a segurança nacional usando suas habilidades em empregos civis em outras agências federais, no Departamento de Defesa ou no setor privado, como nas empresas terceirizadas contratadas pelo governo", diz Eileen M. Lainez, porta-voz do Pentágono para assuntos de pessoal. "Esperamos que todos os membros em serviço sejam tratados com dignidade e respeito todo o tempo."

As autoridades do Pentágono não foram capazes de explicar porque o o número de mulheres dispensadas cresceu tanto no ano passado. Eloise De Vylder

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