UOL Notícias Internacional
 

01/07/2008

Friedman: ansiosos na América

The New York Times
Thomas L. Friedman
Colunista do The New York Times
Há poucos meses, a visão de consenso era de que Barack Obama teria que escolher um tipo linha-dura em segurança nacional como seu candidato à vice-presidência, para compensar sua falta de experiência em política externa, e que John McCain teria que ter um companheiro de chapa jovem e animado para compensar sua idade.

Mas chegando agosto, eu prevejo que ambos procurarão por um mago financeiro como companheiro de chapa, para ajudá-los a tirar os Estados Unidos daquele que pode se tornar um sério mergulho econômico.

Eu não acredito que a construção de uma nação no Iraque será a questão em novembro -independentemente das coisas melhorarem ou piorarem. Se melhorarem, nós ignoraremos mais o Iraque; se piorarem, o próximo presidente estará sob pressão para uma retirada mais rápida. Eu acho que a construção de uma nação nos Estados Unidos será o tema.

É o estado atual dos Estados Unidos que é a maior fonte de ansiedade para os americanos, não a Al Qaeda ou o Iraque. Qualquer um que achar que vencerá esta eleição explorando o Iraque ou o terrorismo - de um jeito ou de outro - está, no meu entender, seriamente iludido. As coisas mudaram.

Até agora, a crise econômica em que estamos era basicamente uma crise de crédito nos mercados de capital, enquanto os gastos do consumidor permaneciam razoavelmente firmes, assim como a atividade manufatureira e as exportações. Mas com os bancos ainda relutantes em emprestar até mesmo para empresas saudáveis, os preços dos combustíveis e alimentos subindo e os preços dos imóveis em declínio, isto está começando a afetar os consumidores, encolhendo sua renda e restringindo o consumo. O desemprego já está aumentando e a atividade manufatureira caindo.

São difíceis de ignorar os sinais: se você visitar qualquer concessionária de automóveis nos Estados Unidos atualmente, você verá fileiras de utilitários esportivos encalhados. E se você já possui um beberrão de combustível, boa sorte. Na quinta-feira, o "Palm Beach Post" publicou um artigo sobre suas opções para utilitários esportivos: "Continue gastando mais de US$ 100 para encher o tanque. Venda ou troque o veículo por uma fração do preço original. Ou mantenha o veículo estacionado na garagem para uso ocasional, na esperança de uma mudança no mercado".

Apenas alegre-se por não ser dono de um ônibus.

Montgomery County, Maryland, onde moro, acabou de anunciar que mais crianças terão que ir a pé para a escola no próximo ano para economizar dinheiro em combustível para os ônibus.

Além de tudo isso, nossa crise bancária ainda não acabou. Há duas semanas, analistas da Goldman Sachs disseram que os bancos americanos poderão precisar de US$ 65 bilhões adicionais para cobrir a depreciação de instrumentos relacionados a hipotecas ruins e novas perdas potenciais caso os empréstimos para o consumidor começarem a ter problemas. Desde que o presidente Bush chegou ao poder, nossa poupança nacional passou de 6% do produto interno bruto para 1%, e a dívida dos consumidores saltou de US$ 8 trilhões para US$ 14 trilhões.

Meus caros americanos: nós somos um país endividado e em declínio - não terminal, não irreversível, mas em declínio. Nosso sistema político parece incapaz de produzir respostas de longo alcance para grandes problemas ou grandes oportunidades. Nós somos aqueles que precisam de uma democracia que funcione melhor - mais do que os iraquianos e os afegãos. Nós somos aqueles que precisam de uma construção de nação. É nosso sistema político que não está funcionando.

Eu continuo atônito com a dissociação entre aquela que claramente será o próximo grande setor global -o de energia renovável e limpa - e a incapacidade do Congresso e do governo de implantar as políticas ousadas que precisamos para assegurar que os Estados Unidos liderem o setor.

"A América e seus líderes políticos, após duas décadas de fracasso em se unirem para resolver os grandes problemas, parecem ter perdido sua fé em fazê-lo", notou na semana passada Gerald Seib, o colunista do "Wall Street Journal". "Um sistema político que espera o fracasso não se esforça muito para produzir outra coisa."

Nós costumávamos nos esforçar mais e fazer melhor. Depois do Sputnik, nós nos unimos como nação e respondemos com um aumento de tecnologia, infra-estrutura e educação, nota Robert Hormats, vice-presidente da Goldman Sachs International. Após a crise do petróleo de 1973, nós nos unimos e promovemos melhorias dramáticas em eficiência de energia. Após o Seguro Social ficar em risco no início dos anos 80, nós nos unimos e o consertamos por aquele momento.

"Mas hoje", acrescentou Hormats, "o sistema político parece incapaz de produzir uma massa crítica para apoiar qualquer tipo de reforma séria de longo prazo".

Se o velho ditado - aquele de que "para onde vai a General Motors, também vai a América" - for verdadeiro, então amigos, estamos em sérios apuros. O valor da General Motors no mercado de ações agora é de apenas US$ 6,47 bilhões, em comparação a US$ 162,6 bilhões da Toyota. Além disso, as ações da GM caíram na semana passada ao ponto mais baixo em 34 anos.

Como nós. Nós estamos no ponto mais baixo em 34 anos. E sair deste buraco é aquele que precisa ser o tema da próxima eleição e será - mesmo que seja interrompido por um ataque terrorista ou pela guerra ou paz no Iraque. Nós precisamos de uma construção de nação em casa, e não podemos esperar outro ano para começar. Vote no candidato que você achar que fará isto melhor. Nada mais importa. George El Khouri Andolfato

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