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01/07/2008

Krugman: Obama é outro Reagan ou outro Clinton?

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
O atual momento está se parecendo muito com 1992. Também está se parecendo muito com 1980. Mas que paralelo é mais próximo? Barack Obama será um Ronald Reagan da esquerda, um presidente que muda fundamentalmente a direção do país? Ou será apenas outro Bill Clinton?

As atuais pesquisas - não as pesquisas "corrida de cavalo", que são notoriamente não informativas até mais adiante na campanha, mas sim as pesquisas que medem o sentimento público - são notavelmente semelhantes às de 1980 e 1992, anos em que uma maioria esmagadora de americanos estava insatisfeita com a direção do país.

Logo, as chances são de que esta será uma eleição de "mudança" - o que significa que Obama é o grande favorito. Mas se vencer, quanta mudança de fato promoverá?

Reagan, goste ou não - no meu caso não, mas este é outro assunto - provocou muita mudança. Ele presidiu como um conservador assumido, com uma agenda ideológica clara. E teve enorme sucesso em implantar sua agenda. Ele teve seus fracassos, mais notadamente no Seguro Social, que tentou desmontar, mas acabou fortalecendo. Mas os Estados Unidos no final dos anos Reagan não eram o mesmo país de quando foi empossado.

Bill Clinton também concorreu como candidato da mudança, mas era muito menos claro que tipo de mudança ele estava oferecendo. Ele se retratou como alguém que transcendia a divisão tradicional entre liberais e conservadores, propondo "um governo que ofereça mais poder e menos benefícios". O plano econômico que anunciou durante a campanha era uma espécie de miscelânea: impostos mais altos para os ricos, impostos mais baixos para a classe média, investimento público em coisas como trens de alta velocidade, reforma do atendimento de saúde sem dar detalhes específicos.

Todos nós sabemos o que aconteceu a seguir. O governo Clinton conseguiu vários sucessos significativos, da revitalização do atendimento de saúde aos veteranos e gestão federal de emergências à expansão do Crédito Fiscal por Remuneração Recebida e seguro-saúde para crianças. Mas o grande quadro é resumido pelo título de um novo livro, de autoria do historiador Sean Wilentz: "The Age of Reagan: A History, 1974-2008" (a era de Reagan: uma história, 1974-2008).

Então com quem Obama se parece mais? A esta altura, ele definitivamente parece mais clintonesco.

Como Clinton, Obama se retrata como transcendendo as divisões tradicionais. Perto do final do evento "unidade" da semana passada com Hillary Clinton, ele declarou que "a escolha nesta eleição não é entre esquerda ou direita, não é entre liberal ou conservador, é entre passado e futuro". Certo.

O plano econômico de Obama também se parece notavelmente com o de Clinton em 1992: uma mistura de impostos mais altos para os ricos, redução de impostos para a classe média e investimento público (desta vez o foco é em energia alternativa).

Às vezes os ecos Clinton-Obama são quase assustadores. Durante seu discurso de aceitação da indicação, Clinton liderou o público no canto de "Nós podemos fazer isso!" Lembra algo?

Apenas para deixar claro, nós poderíamos - e ainda podemos - fazer muito pior do que repetir os anos Clinton. Mas os simpatizantes mais fervorosos de Obama esperam muito mais.

Progressistas ativistas, em particular, apoiaram em peso Obama durante a primária democrata apesar de suas posições políticas, particularmente na área de saúde, freqüentemente estarem à direita das de seus adversários. Na prática, eles se convenceram de que ele era figura transformadora por trás de uma fachada centrista.

Eles podem ter interpretado o inverso.

Obama parece mais centrista agora do que antes de obter a indicação. Mais notadamente, ele tem ultrajado muitos progressistas ao apoiar um projeto de interceptação de comunicações que, entre outras coisas, concede imunidade às empresas de telecomunicações por quaisquer atos ilegais que possam ter cometido a pedido do governo Bush.

Os defensores do candidato argumentam que ele está apenas sendo pragmático - que ele precisa fazer o que for preciso para vencer, e vencer bem, para que tenha o poder para promover grandes mudanças. Mas os críticos argumentam que ao promover a mesma "triangulação e política movida por pesquisas" que condenou durante as primárias, Obama está na verdade prejudicando suas perspectivas eleitorais, porque os eleitores preferem candidatos que têm posições firmes.

De qualquer forma, como será após a eleição? A comparação Reagan-Clinton sugere que um candidato que concorre com uma agenda clara tem mais probabilidade de conseguir mudanças fundamentais do que um candidato que concorre com a promessa de mudanças, mas não é muito claro sobre o que essa mudança envolveria.

É claro, há sempre a possibilidade de Obama ser realmente um centrista.

Uma coisa é clara: para os democratas, vencer esta eleição deve ser a parte fácil. Tudo está a favor deles: preços da gasolina nas alturas, uma economia fraca e um presidente altamente impopular. A verdadeira pergunta é se tirarão proveito desta vantagem única em uma geração para mudar a direção do país. E isto cabe acima de tudo a Obama. George El Khouri Andolfato

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