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04/07/2008

China concorda com mais conversações sobre o Tibete

The New York Times
Jim Yarkley
Em Pequim
A China concordou na quinta-feira (3) com mais uma rodada de discussões com enviados do Dalai Lama até o fim do ano, mas as autoridades chinesas não disseram se as duas partes fizeram algum progresso após as negociações concluídas nesta semana.

Os enviados tibetanos deixaram Pequim na quinta-feira, após dois dias de reuniões reservadas, e pretendem passar as informações sobre a discussão ao Dalai Lama, em Dharamsala, na Índia, local que abriga a sede do governo tibetano no exílio.

"Me disseram que eles retornarão a Dharamsala amanhã", afirmou Thubten Samphel, um porta-voz do governo tibetano no exílio. "Realmente não tenho nenhuma informação".

O resultado das negociações desta semana assumiu um significado internacional após as rebeliões em Lhasa, a capital tibetana, e em partes do oeste da China, em março. Os Estados Unidos e vários países europeus pediram à China que mantenha discussões diretas com o Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, reacendeu nesta semana as esperanças de que se chegue a um acordo.

Na tarde de quinta-feira, a agência oficial de notícias chinesa "Xinhua" confirmou a última rodada de conversações e citou autoridades não identificadas, que teriam dito que houve um acordo no sentido de que haja mais discussões até o final do ano, "casa o Dalai Lama apresente ações positivas".

A "Xinhua" não citou detalhes das conversações desta semana, embora tenha observado que os dois enviados tibetanos, Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen, visitaram estádios olímpicos em Pequim e reuniram-se com especialistas locais na questão tibetana.

A delegação chinesa foi chefiada por Du Qinglin, líder do Departamento Frente de Trabalho Unida, a organização do Partido Comunista que desempenha um papel importante na região autônoma do Tibete. O artigo da "Xinhua" pareceu ter um tom menos estridente do que o de recentes reportagens publicadas pela mídia estatal, que continua a demonizar o Dalai Lama - ainda que a China tenha prometido reunir-se em clima cordial com os representantes do líder tibetano.

Em 2002 a China e o Dalai Lama deram início a uma série de conversações que terminaram no ano passado sem que houvesse nenhum progresso. Nesta primavera a China aceitou retomar as conversações, após a condenação internacional da forma como Pequim lidou com as rebeliões no Tibete.

Grupos de direitos humanos e defesa do Tibete pediram aos líderes mundiais que boicotem a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim em agosto. Sarkozy afirmou que decidirá na semana que vem se participará ou não da cerimônia.

Mas a pressão internacional diminuiu drasticamente depois que o terremoto de 12 de maio na província de Sichuan fez com as preocupações mundiais se voltassem para o desastre enfrentado pela China. Alguns analistas questionam se o fato de a China ter aceitado retomar as conversações com o Dalai Lama não seria uma tática de relações públicas que antecede os jogos olímpicos.

Os dois lados discordam há muito tempo quanto ao status político do Tibete e a respeito dos termos segundo os quais o Dalai Lama teria permissão para retornar. A China acusou o Dalai Lama e os seus seguidores de maquinarem as rebeliões de março com o intuito de tentar conseguir a independência do Tibete, uma acusação que é negada pelo líder tibetano.

O Dalai Lama criticou as políticas da China em áreas tibetanas, mas afirmou que deseja uma autonomia genuína do Tibete dentro da China, e não a independência. UOL

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