UOL Notícias Internacional
 

04/07/2008

McCain encerra no México viagem à América Latina

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Marc Lacey
Na Cidade do México
Do The New York Times
Das rosas brancas que depositou diante da imagem da santa padroeira do México, a Virgem de Guadalupe, ao endosso que deu à reforma das leis de imigração dos Estados Unidos, o senador John McCain usou uma visita ao México na quinta-feira para fazer um apelo aos moradores de ambos os lados da fronteira: aos mexicanos e, mais urgentemente, aos seus parentes eleitores e outros latinos nos Estados Unidos.

"Nós precisamos proteger nossas fronteiras e então trataremos da questão da reforma abrangente da imigração", disse McCain em uma coletiva de imprensa em um hangar de helicóptero, que foi interrompida pelo som ensurdecedor de um forte temporal que tornou seus comentários ininteligíveis.

McCain, o virtual candidato republicano à presidência, tem enfrentado críticas de alguns republicanos por gastar tempo na Colômbia e no México enquanto esquenta a batalha da eleição geral, mas diretores de sua campanha sentem que a viagem pode repercutir entre os eleitores em casa, ao promover seu apoio ao livre comércio, acentuando ao mesmo tempo suas posições sobre a imigração durante sua passagem pelo México.

O candidato republicano falou em um enorme e reluzente centro de comando da Polícia Federal do México, que foi inaugurado no mês passado e serve como símbolo dos esforços do país no combate ao narcotráfico, que está cada vez mais sangrento e ameaçador para os mexicanos.

Apesar do elogio de McCain aos US$ 400 milhões em ajuda ao México para combate aos narcóticos, aprovados pelo Congresso americano na semana passada, o país permanece à beira de um confronto armado que deixou grandes partes dele sem lei e que mais recentemente chegou à capital, com os assassinatos de altos comandantes da polícia.

Em um sinal da forte segurança no bairro de Ixtapalapa, que conta com altos índices de criminalidade e foi visitado por McCain, os policiais que trabalhavam no perímetro não foram informados sobre quem estavam protegendo.

"Estão ocorrendo vários ataques contra autoridades", explicou Jorge Alberto Hernández Pérez, um oficial de trânsito do lado de fora do comando da Polícia Federal que foi visitado por McCain. "Foi por isso que não anunciaram." Ele achou que se tratava de alguma autoridade do governo mexicano que estava chegando, não um senador americano concorrendo à presidência.

Os mexicanos estão habituados aos relatos diários da violência das drogas, mas o dia em que McCain chegou, a quarta-feira, foi particularmente pavoroso: quatro corpos decapitados foram encontrados perto de uma mensagem ameaçadora contra um dos principais chefões das drogas do México, na cidade de Culiacán no norte, onde está centrada a batalha das drogas. A polícia posteriormente matou quatro homens armados em um tiroteio em Culiacán e encontrou um arsenal de armas em um esconderijo.

McCain se encontrou privativamente com o presidente do México, Felipe Calderón, em Los Pinos, a residência presidencial. Calderón, mesmo em público, se tornou um forte crítico das políticas americanas que ele considera contrárias aos interesses mexicanos, criticando o muro na fronteira que foi erguido sob o governo Bush e o foco na criminalização dos imigrantes.

A ênfase anterior de McCain na necessidade de reforma das leis americanas de imigração está mais de acordo com a opinião pública mexicana do que sua nova ênfase em primeiro reprimir as travessias ilegais na fronteira.

McCain, que voou para Phoenix na tarde de quinta-feira, esteve no México no terceiro e último dia de uma visita à América Latina, que visava promovê-lo como uma pessoa experiente em política externa em comparação ao senador Barack Obama, o virtual candidato democrata.

A viagem também mostrou McCain em contato com latinos e católicos, dois blocos eleitorais-chave na eleição de novembro.

Durante a visita à Basílica de Guadalupe, McCain foi abençoado pelo monsenhor Diego Monroy, o reitor. Por vários minutos, o monsenhor manteve uma mão na testa de McCain e outra em seu ombro, enquanto lhe dava a bênção.

Posteriormente, Monroy disse aos repórteres mexicanos que certamente não estava tomando partido.

"Eu recebo a todos, de qualquer cor, qualquer ideologia", ele disse. "Esta é a casa de Deus."

Entre aqueles que assistiam à missa no momento em que McCain chegou estava uma dona de casa de 42 anos, que disse apenas seu primeiro nome, Guillermina. Ela veio à missa, ela disse, para pedir à Virgem que protegesse seu filho Osiel, que várias semanas atrás entrou nos Estados Unidos com a ajuda de um contrabandista.

"Como mãe, eu me sinto muito mal com a ida do meu filho, porque ele não conseguia encontrar trabalho aqui", ela disse. "Eu acho que é válido sair à procura de uma vida, mas lá eles são tratados muito mal. Eles sofrem discriminação. São tratados como animais. E o governo não faz nada, nem o daqui do México e nem o de lá."

Ao lado de McCain na basílica estava Jeb Bush, o irmão do presidente Bush, que avaliou as perspectivas de McCain na corrida presidencial.

"Eu acho que ele vai ganhar", disse Bush, que estava no México a negócios, aos poucos repórteres que o abordaram na basílica. "Ele só precisa ser ele mesmo e não deixar o senador Obama redefini-lo."

Obama anunciou que não tem planos de se aventurar ao sul da fronteira antes da eleição, mas sua meia-irmã, Maya Soetoro-Ng, está planejando realizar um evento privado de arrecadação de fundos na Cidade do México, em 22 de julho. O almoço custa US$ 250, o jantar custa US$ 1.000 e apenas cidadãos americanos podem contribuir. George El Khouri Andolfato

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