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08/07/2008

Krugman: de quem é a culpa pelo fracasso de Bush?

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
Por margem imensa, os americanos acham que a economia está em péssima forma -e culpam o presidente Bush. Este fato, mais do que qualquer outra coisa, torna difícil ver como os democratas podem perder esta eleição.

Mas a população está certa em ficar tão insatisfeita com a liderança econômica de Bush? Não exatamente. Nós realmente temos uma economia ruim, um fato do qual Bush parece espetacularmente não perceber. Mas isto não é a mesma coisa que dizer que a economia ruim é culpa de Bush.

Por outro lado, há uma certa justiça severa na postura da população. Outros políticos além de Bush são responsáveis pela confusão em que estamos -mas a maioria é republicana.

Primeiro: não dê atenção aos apologistas que tentam defender o retrospecto econômico de Bush. Desde 2001, as condições econômicas têm se alternado entre mais ou menos ou ruins: uma recessão, seguida por uma das expansões mais fracas desde a Segunda Guerra Mundial, e então por uma nova queda nos empregos que ainda não é oficialmente uma recessão, mas certamente parece uma.

No geral, Bush terá sorte se deixar o cargo com um ganho líquido de 5 milhões de empregos, bem aquém do número necessário para acompanhar o crescimento populacional. Em comparação, Bill Clinton presidiu uma economia que adicionou 22 milhões de empregos.

E o que Bush tem a dizer sobre este retrospecto lamentável? "Eu acho que quando as pessoas olharem para trás para este momento em nossa história econômica, elas reconhecerão que a redução de impostos funciona." Ignorante até o final.

Mas mesmo economistas liberais têm dificuldade em argumentar que a ignorância de Bush de fato causou o mau desempenho econômico em seu mandato. As reduções de impostos não funcionaram, mas não criaram o fracasso de Bush. Então o que foi?

No topo da minha lista de causas para a economia ruim estão três fatores: a bolha imobiliária e suas conseqüências, o aumento dos custos da saúde e a alta dos preços das matérias-primas. Eu já escrevi bastante sobre a crise imobiliária, então vamos falar hoje sobre as outras.

Grande parte da discussão pública sobre o atendimento de saúde se concentra nos problemas dos não segurados e dos indevidamente segurados. Mas o preço dos planos de saúde também são uma grande despesa para as empresas: as fabricantes de automóveis reconhecidamente gastam mais em planos de saúde do que em aço.

Um dos aspectos-chave pouco enfatizados do boom de Clinton, eu argumentaria, foi a forma como a doença do custo dos planos de saúde entrou em remissão entre 1993 e 2000. Por algum tempo, a disseminação do "managed care", ou gerenciamento de saúde, conteve os preços dos planos de saúde, encorajando as empresas a expandirem suas forças de trabalho.

Mas os preços dos planos começaram a subir de novo após 2000, impondo fardos imensos às empresas. É uma boa aposta que isto tenha exercido um papel importante na fraca criação de empregos.

E quanto aos preços das matérias-primas? Durante os anos Clinton, as commodities básicas permaneceram baratas segundo padrões históricos. Mas de lá para cá, os preços de alimentos e energia explodiram, tomando diretamente cerca de 5% da renda real de uma família americana típica, e aumentando os custos para as empresas por toda a economia.

Grande parte desta dor poderia ter sido evitada.

Se a tentativa de Bill Clinton de reformar a saúde tivesse sido bem-sucedida, a economia americana estaria atualmente em muito melhor forma. Mas a tentativa fracassou -e vamos nos lembrar por quê. Sim, o governo Clinton fez um grande estrago na política. Mas foram os republicanos no Congresso que bloquearam a reforma, enquanto Newt Gingrich buscava uma estratégia de "coagulação" que visava "coagular todos longe" de Clinton.

Quanto aos altos preços dos alimentos e combustível, eles são principalmente o resultado da crescente demanda por parte da China e outras economias emergentes. Mas os preços do petróleo não estariam tão altos quanto estão, e os Estados Unidos estariam muito menos vulneráveis ao atual aumento, se tivéssemos adotado no passado medidas para limitar nosso consumo de petróleo.

Bush certamente merece certa culpa aqui, e não apenas por seu apoio destrutivo ao etanol como resposta aos nossos problemas de energia. Após o 11 de Setembro ele poderia ter facilmente pedido por impostos mais altos à gasolina e maior eficiência no consumo de combustível como medidas de segurança nacional, mas o pensamento parece nunca ter passado por sua mente.

Ainda assim, em energia quanto em saúde, as maiores oportunidades perdidas ocorreram há 15 anos ou mais, quando Gingrich e outros republicanos conservadores no Congresso, aliados aos democratas com laços com as indústrias intensivas em energia, bloquearam as medidas de conservação.

Então, eis aqui o resumo: Bush merece certa culpa pelo mau desempenho da economia em seu mandato, mas grande parte da culpa cabe a outras figuras políticas anteriores, que minaram as chances de reforma. Por acaso, a maioria dos políticos responsáveis pelos nossos atuais problemas econômicos é, apesar de não todos, republicana.

E tenha em mente que John McCain não tem medido esforços para afirmar seu apoio à ortodoxia econômica republicana. Logo, ele não terá motivo para se queixar caso, como parece provável, a economia lhe custar a eleição. George El Khouri Andolfato

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