UOL Notícias Internacional
 

09/07/2008

Dívida de Hillary Clinton é o drama mais recente vivido pela campanha de Obama

The New York Times
Patrick Healy
Um proeminente doador para a campanha de Barack Obama enviou recentemente um e-mail a outros indivíduos que apóiam o senador pedindo a eles que - em nome da unidade democrata - enviem cheques à senadora Hillary Rodham Clinton para ajudá-la a pagar a sua dívida de campanha de US$ 23 milhões.

Segundo o doador, algumas das respostas que recebeu são impublicáveis, devido aos palavrões. Entre as respostas mais educadas, estão as seguintes:

"Por que eu deveria ajudar a pagar as dívidas que Hillary contraiu simplesmente para continuar prejudicando o senador Obama?".

"O preço da gasolina aumentou, os mercados estão em crise, a conta do semestre de outono da universidade do meu filho chegará em breve. Não creio que assinar cheques para políticos seja algo que esteja no topo da minha lista de prioridades".

"Nem um centavo sequer para essa mulher. E nem para o marido dela. E tampouco - Deus que nos proteja - Mark Penn", uma referência ao ex-estrategista de Hillary Clinton, cuja firma ainda não recebeu milhões de dólares por trabalhos que incluíram ataques agressivos a Obama.

No momento em que Obama e Hillary Clinton preparam-se para as primeiras campanhas conjuntas de arrecadação de verbas para a campanha do senador, em Nova York, na quarta e na quinta-feira, os dois campos sofrem com o peso de persistentes ressentimentos, recriminações e sentimentos hostis que estão à flor da pele desde a longa batalha das primárias.

Obama pediu aos seus principais doadores que ajudem a arrecadar verbas para pagar a dívida de Hillary Clinton, e até o momento eles forneceram menos de US$ 100 mil (embora haja mais promessas), o que, segundo um dos membros da campanha de Hillary, é uma "mixaria".

Vários doadores de verbas para a campanha de Obama disseram em entrevistas que não estão atendendo ao pedido de auxílio feito pelo candidato porque acreditam que Hillary Clinton acumulou a maior parte da sua dívida após ter perdido qualquer chance matemática de ser a indicada para disputar a presidência pelo partido, tendo continuado apenas devido à esperança de que a campanha de Obama sofresse um colapso. Agora, a idéia de ajudá-la - e rechear os bolsos de Penn, uma figura odiada pela campanha de Obama - é irritante para eles, especialmente em um momento em que esses doadores argumentam que qualquer dinheiro disponível deve ser utilizado para derrotar o senador John McCain e os republicanos em novembro.

Tanto os doadores da campanha de Hillary quanto os de Obama afirmam que o maior problema para os democratas é o fato de que, caso o campo de Obama não se mostre prestativo, a senadora, o marido dela e os seus apoiadores poderão não se empenhar para promover a unidade do partido.

Uma das reclamações dos profissionais da campanha é que a expectativa de ajuda por parte de Hillary Clinton não é fixa. Em outras palavras, não se sabe ao certo que quantia fornecida pelos apoiadores de Obama será suficiente para satisfazer os Clinton. Nem mesmo os membros da campanha de Hillary Clinton conseguem especificar uma cifra, afirmando apenas que Hillary está ajudando Obama por entender que o senador fará mais por ela.

"Emoções acaloradas é o que não falta entre os que apóiam ambos os candidatos. Mas eu acredito que o que os indivíduos de boa vontade estão procurando alcançar é um alívio da dívida para Hillary que seja consistente com o projeto de eleger Barack presidente", afirma Steven Rattner, banqueiro de Nova York e um grande doador para a campanha de Hillary Clinton. Ele está trabalhando com os dois campos no sentido de ajudar Hillary a quitar a sua dívida.

O ressentimento no campo de Hillary Clinton devido à batalha das primárias é bem conhecido, mas vários doadores e membros da campanha da senadora afirmam que há uma questão maior não resolvida: a crença - ou talvez a percepção - de que Obama e os seus assessores não estão realmente se empenhando para ajudar Hillary Clinton ou incluir os principais doadores dela na equipe de liderança.

Alguns deles reclamaram que doadores importantes de Hillary Clinton não foram convidados para reuniões cruciais sobre arrecadação de verbas, não tiveram a sensação de que receberão qualquer crédito por ajudar Obama a vencer em novembro e não receberam títulos na campanha de Obama. Um assessor do candidato democrata disse que ainda se está em um estágio muito inicial do processo de integração das duas campanhas. Ele acrescentou que a operação de Obama não se baseia tanto em títulos quanto a de Hillary Clinton.

Os doadores e articuladores da campanha de Hillary Clinton dizem que continuam surpresos - e alguns ofendidos - pelo fato de Obama ter se recusado a pedir a todos os seus doadores (mais de 1,5 milhão de pessoas) que enviassem US$ 5 US$ 10 ou mais para cobrir a dívida de Hillary (os membros da campanha de Obama dizem que não querem que os doadores deixem de se focar no principal objetivo, que é arrecadar dinheiro para derrotar McCain).

"O esforço de Obama não rendeu muito dinheiro, mas esperamos que a arrecadação aumente", afirma Alan Patricof, amigo dos Clinton e um dos principais doadores para a campanha da senadora. "Creio que muita gente - não posso dizer que são todos - acha que ajudar Barack é a melhor forma de conseguir que o campo de Obama ajude a cobrir a dívida de Hillary, algo que neste momento é uma grande preocupação para ela".

Hillary Clinton deve cerca de US$ 12 milhões a consultores e vendedores, como Penn. Ela também emprestou mais de US$ 11 milhões à própria campanha. Esses US$ 11 milhões são classificados como dívida, embora ela tenha dito aos doadores que não espera que eles nem o campo de Obama forneçam esse dinheiro.

Os membros da campanha de Hillary calculam que os milhões devidos a Penn e a sua equipe se constituem de longe na maior parcela da dívida da senadora, embora eles enfatizem que o dinheiro não se destina a pagar apenas o tempo de trabalho de Penn, mas também os serviços fornecidos pelos seus colegas e pela sua firma de pesquisa e estratégia. Os organizadores da campanha de Hillary Clinton disseram não ser capazes de especificar cada parcela desta quantia.

"Estamos concentrados nas dívidas para com as pessoas que trabalharam para nós, especialmente os escritórios de fotocópias, os motoristas de caminhões e os pequenos empresários que nos ajudaram durante o percurso", afirma Jonathan Mantz, diretor de finanças da campanha de Hillary Clinton.

Orin Kramer, um dos principais doadores para a campanha de Obama, diz que está trabalhando com outros membros da equipe de finanças do senador, como Frank Brosen e Alan Solomont, bem como Rattner, Patricof e outros doadores da campanha de Hillary, para lidar com a questão da dívida.

As negociações entre os campos de Hillary e de Obama são tão delicadas que esta é uma das questões administradas por Robert Barnett, o poderoso advogado de Washington a quem Hillary Clinton pediu ajuda para estruturar uma relação política entre os dois campos para a eleição geral.

Segundo diversos democratas que conversaram com Barnett, ele disse ao campo de Hillary Clinton que o mel surtirá mais resultados do que o vinagre nas negociações sobre a dívida. Mas os doadores de Hillary dizem que não se sabe se os Clinton acreditam que devem jogar pesado - indicando que não apoiarão Obama com entusiasmo, a menos que ele se empenhe mais quanto à questão da dívida - ou se eles se conformarem com a expectativa de que o dinheiro acabará aparecendo.

Um teste crucial para os arrecadadores de verba ocorrerá nesta semana em Nova York. Obama deverá pedir aos seus apoiadores que ajudem Hillary Clinton, e os que doaram dinheiro para a campanha de Clinton dizem esperar que isso faça com que surjam mais verbas.

Os eventos de Nova York dizem respeito à campanha de Obama. Hillary Clinton não receberá nenhum centavo da verba arrecadada. Em vez disso, ela teoricamente se beneficiará depois, quando os doadores da campanha de Obama decidirem ajudá-la. Obama e a sua mulher já doaram um cheque de US$ 2.300 cada um - a doação individual máxima permitida - a Hillary Clinton.

"O senador Obama, a sua equipe e os seus apoiadores estão trabalhando arduamente no sentido de reduzir a dívida da senadora Clinton, e eles continuarão fazendo isso da forma que surta melhores resultados", afirmou Bill Burton, um porta-voz da campanha de Obama. UOL

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