UOL Notícias Internacional
 

09/07/2008

Líderes do G-8 resolvem reduzir emissões de gases do efeito estufa pela metade até 2050

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg e Alan Cowell
Em Rusutsu, Japão
Prometendo "caminhar para uma sociedade de baixo carbono", os líderes dos países mais ricos do mundo endossaram na terça-feira (8) a idéia de reduzir as emissões de gases do efeito estufa pela metade até 2050, mas se recusaram a estabelecer uma meta de curto prazo para redução dos gases que os cientistas concordam que estão aquecendo o planeta.

A declaração pelo chamado Grupo dos Oito - Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia - sofreu fortes críticas dos ambientalistas, que a chamaram de uma oportunidade perdida e disseram que ignora a necessidade urgente de reduzir as emissões mais rapidamente.

Mas os líderes europeus, que há muito pressionavam o presidente Bush a adotar uma posição mais agressiva em relação à mudança climática, disseram ter ficado satisfeitos com o acordo, e o consideraram um importante passo à frente para o estabelecimento da base para um tratado internacional obrigatório, a ser negociado em Copenhague em 2009.

"Este é um forte sinal para os cidadãos de todo o mundo", disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, aos repórteres em uma coletiva de imprensa perto daqui. "A ciência é clara, o argumento econômico em prol de uma ação está mais forte do que nunca. Agora nós precisamos dar o passo adicional para assegurar um acordo global ambicioso em Copenhague."

O documento sobre mudança climática estava entre os vários comunicados emitidos pelos líderes do G8 na terça-feira, o segundo dia do encontro na montanhosa ilha de Hokkaido, no norte do Japão. Além da questão do aquecimento, eles trataram de segurança dos alimentos, economia global e ajuda à África.

Sobre a segurança dos alimentos, os líderes disseram estar "profundamente preocupados que o aumento acentuado nos preços dos alimentos" possa levar "milhões de volta à pobreza". Sobre a economia global, os líderes insistiram que permanecem "positivos", mas reconheceram que os mercados financeiros enfrentam "tensões sérias". Sobre a ajuda à África, eles concordaram em monitorar seu próprio progresso, uma vitória para o presidente Bush, que se queixou que os países não estão cumprindo a promessa de 2005 de dobrar a ajuda para desenvolvimento até 2010. Mas os defensores disseram que o comunicado sobre a África reverteu compromissos anteriores importantes a respeito de saúde e educação.

Foi a mudança climática que chamou mais atenção. O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, o anfitrião do encontro, tornou a questão do aquecimento global uma prioridade, assim como fez a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, no ano passado, quando ela foi a anfitriã do G8 em Heiligendamm.

Em uma breve aparição com Bush, antes do acordo ser anunciado, Merkel se pronunciou "muito satisfeita" com o progresso dos líderes.

Mas os ambientalistas foram fortemente críticos. Phil Clapp, um especialista em mudança climática no Grupo Ambiental Pew que está aqui monitorando as conversações, disse que os líderes enfraqueceram significativamente a linguagem que adotaram no ano passado em Heiligendamm.

"A meta de redução de emissões é extremamente fraca", disse Clapp, porque visa reduzir as emissões em relação aos níveis atuais em vez dos níveis de 1990, como foi proposto pelos líderes no ano passado. Ele acrescentou: "A ciência mostra que temos que reduzir 80% a 90% dos níveis atuais para evitar os piores impactos da mudança climática".

Outro especialista americano em mudança climática que está aqui no Japão para o encontro, Alden Meyer, da União dos Cientistas Preocupados, chamou o comunicado de "uma oportunidade perdida", acrescentando: "O que era necessário era um sinal claro de que os principais países industrializados do mundo forneceriam uma liderança real na redução de suas próprias emissões dos gases que prendem o calor até 2020".

O sentimento dos defensores talvez tenha sido melhor resumido por uma anúncio de página inteira no "Financial Times" de terça-feira, por parte do Avaaz.Org, um grupo de defesa progressista. O anúncio mostrou os rostos de Fukuda, Bush e do primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, colados no personagem japonês Hello Kitty.

"Oi, Crianças", dizia o anúncio. "Sejam Adultos. Estabeleçam metas climáticas para 2020 agora." Na quarta-feira, o G-8 tratará novamente da questão do controle do clima, desta vez com os líderes do chamado "Grupo dos Cinco" países emergentes.

Bush insistiu que nenhum acordo sobre mudança climática é viável sem a participação das chamadas "grandes economias" - outros os chamam de "grandes emissores" - como a China e a Índia.

Em uma vitória para Bush, a declaração divulgada na terça-feira adota esta linha de pensamento, assim como a afirmação da Casa Branca de que o combate ao aquecimento global exigirá avanços em tecnologia limpa assim como em conservação.

A Casa Branca ficou satisfeita. "Estes são avanços significativos em relação ao pensamento coletivo", disse Dan Price, o vice-conselheiro de segurança nacional de Bush e o principal negociador americano aqui.

"Um acordo de longo prazo sempre é um que deve ser compartilhado. Então o que o G8 ofereceu hoje é uma visão do G8 que pode e deve ser a meta, mas que só ocorrerá com a aceitação de todas as outras partes", disse Jim Connaughton, presidente do Conselho para a Qualidade do Meio Ambiente, da Casa Branca.

Mas alguns grupos de defesa consideraram uma oportunidade perdida e inadequada para tratar do desafio do aquecimento global, refletindo seu argumento de que reduções mais profundas nas emissões dos gases do efeito estufa devem entrar em vigor mais rapidamente.

Kumi Naidoo, um líder de uma aliança chamada Chamado Global para Ação Contra a Pobreza, disse em uma entrevista por telefone do Japão que a ação do G8 era "lenta demais para nós", chamando as negociações do grupo de "uma batalha de palavras que ressalta a falta de vontade política". Ele questionou em particular a Casa Branca, dizendo que Bush "realmente refreou a negociação, transferindo a responsabilidade para a China e Índia e não aceitando que a mudança climática seja uma catástrofe causada pelos países industrializados".

Outro grupo ambiental, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), disse em uma declaração: "Os membros do G8 são responsáveis por 62% do dióxido de carbono acumulado na atmosfera da Terra, o que os torna os principais culpados pela mudança climática e a maior parte do problema".

O ministro do Meio Ambiente da África do Sul, Marthinus van Schalkwyk, afirmou que "apesar da declaração poder parecer um avanço, nós estamos preocupados que pode, na prática, ser um retrocesso em relação ao que é necessário", noticiou a agência "Reuters". O acordo do G8 deixou margem para que países individuais estabeleçam suas próprias metas.

"O G8 implantará metas agressivas de redução total de emissões de médio prazo em uma base país a país", Fukuda foi citado como tendo dito.

José Manuel Barroso, o presidente da Comissão Européia, chamou o acordo de um "forte sinal" e uma "nova visão compartilhada", segundo a cobertura da imprensa do encontro de três dias, que está sendo realizada em um hotel no topo da montanha sob a proteção de 21 mil policiais contra manifestantes potenciais.

Mas os maiores emissores - China, Índia, África do Sul, México e Brasil - soaram céticos. Seus líderes se reuniram em Sapporo, a cerca de duas horas daqui, na terça-feira, em uma preparação para a sessão de quarta-feira. Eles vêm pressionando os países industrializados a se comprometerem em uma meta de curto prazo, e divulgaram seu próprio comunicado, dizendo que é "essencial que os países desenvolvidos assumam a liderança".

Marthinius van Schalkwyk, o ministro sul-africano, emitiu uma forte crítica à declaração sobre mudança climática do G8, a chamando de uma concessão ao "menor denominador comum" e um "retrocesso em relação ao que é necessário para fazer uma contribuição significativa para resolver os desafios da mudança climática". George El Khouri Andolfato

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