UOL Notícias Internacional
 

09/07/2008

Perduram questões para as Olimpíadas de Pequim, diz COI

The New York Times
Jim Yardley
Em Pequim
Com um mês para as Olimpíadas de Pequim, o Comitê Olímpico Internacional (COI) elogiou na terça-feira (8) os preparativos da cidade, mas também citou duas "questões em aberto": se a capital chinesa conseguirá garantir a qualidade do ar e cumprir promessas para permitir que as redes de televisão gravem em locais não olímpicos.

"Achamos que fizemos tudo", disse Hein Verbruggen, diretor da Comissão de Coordenação do COI, em uma entrevista telefônica. "Mas agora temos de ver na prática como funciona."

A poluição e o acesso da mídia continuam sendo incertezas, enquanto Pequim se esforça para terminar os projetos de construção, plantar flores e deixar a cidade pronta para a cerimônia de abertura do dia 8 de agosto. Na terça-feira, os organizadores de Pequim inauguraram os dois centros ultra-modernos de mídia que abrigarão mais de 20 mil jornalistas durante as Olimpíadas.

A controvérsia sobre o acesso à transmissão começou em março, depois que as autoridades suprimiram protestos tibetanos violentos no Oeste da China. Pequim anunciou que as redes não teriam permissão de transmitir ao vivo da praça de Tiananmen. A praça é o centro simbólico de Pequim e oferece vistas impressionantes da Cidade Proibida. Mas é também onde as tropas chinesas esmagaram manifestantes pela democracia em 1989 e ainda é um ímã para manifestações ocasionais.

Verbruggen, que liderou uma delegação de doze membros do COI em Pequim nesta semana, disse que a questão dos direitos de transmissão da Cidade Proibida, da Grande Muralha e de outros pontos "ícones" foram discutidos durante reuniões na segunda e na terça-feira com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Haverá muitas oportunidades de usar todos os ícones", afirmou Verbruggen. Ele disse que as redes enfrentarão restrições de permissão para transmissões a partir da praça Tiananmen, mas que as autoridades locais tinham "garantido que será possível filmar ali".

No ano passado, Pequim suspendeu certas restrições de viagens internas aos jornalistas estrangeiros como parte de sua promessa política de permitir uma cobertura mais aberta da mídia. Entretanto, jornalistas estrangeiros continuam vivenciando interferências esporádicas, especialmente depois da crise do Tibete. Jornalistas estrangeiros ainda são proibidos de viajar a certas áreas tibetanas no Oeste da China. Na segunda-feira, o Human Rights Watch divulgou um relatório acusando a China de não cumprir suas promessas sobre liberdade de imprensa.

Agora, as redes de televisão querem garantias de que Pequim manterá suas promessas de permitir filmagens ao vivo em pontos não olímpicos. Na semana passada, membros da equipe de televisão alemã ZDF disseram que foram molestados por agentes de segurança uniformizados e à paisana enquanto tentavam filmar ao vivo da Grande Muralha - apesar de a equipe ter licença do governo. Os agentes pularam na frente das câmeras durante as gravações ao vivo e alguns cidadãos chineses entrevistados pela equipe foram depois questionados pelas autoridades, de acordo com o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China.

A segurança se tornou uma questão prioritária. As autoridades intensificaram a vigilância dos estrangeiros, reprimiram dissidentes e emitiram ordens às polícias locais para que impedissem perturbações públicas. Os militares chineses supostamente usarão aviões, helicópteros, navios de guerra, mísseis, radares e defesa química como parte do esforço de segurança olímpico, de acordo com relatórios da mídia chinesa. As autoridades dizem que 100 mil soldados de combate ao terrorismo serão mobilizados durante os jogos e que 300 mil câmeras de vigilância foram instaladas em Pequim, de acordo com o "Legal Daily".

Enquanto isso, agentes ambientais estão se esforçando para oferecer céus azuis, apesar de semanas recentes terem trazido quantidades extraordinárias de chuva e nevoeiro. Verbruggen disse que os planos de contingência da cidade descritos pelas autoridades locais para melhorar a qualidade do ar durante os jogos envolvem o fechamento temporário de fábricas em grande parte do Norte da China e também a restrição do tráfego de automóveis em Pequim. Em uma declaração divulgada na terça-feira pelo COI, Verbruggen teria dito que continuava "uma questão em aberto" a que grau as medidas temporárias "terão um impacto na qualidade do ar".

Entretanto, ele pareceu mais confiante em entrevista telefônica: "Acho que farão o máximo", disse ele. "Sinto-me bastante à vontade. Tenho certeza que farão todos os esforços para combater a poluição."

As autoridades de Pequim apontam para reduções em certos poluentes do ar e dizem que a cidade fez progresso mensurável, apesar de concordarem que mais precisa ser feito. Entretanto, analistas independentes questionam esses progressos. No início do ano, o presidente do COI, Jacques Rogge, advertiu que Pequim talvez precisasse adiar a maratona e outros eventos de resistência, se a qualidade do ar não cumprir certos padrões.

Verbruggen disse que a delegação do COI na quarta-feira ajudaria os organizadores locais a conduzirem exercícios preparatórios para questões logísticas, como horários de ônibus, ingressos e a administração dos eventos esportivos. Ele elogiou as instalações olímpicas da cidade e apontou que os organizadores locais tinham feito um trabalho "notável".

"Agora eles colocaram na prática", falou. Ele disse que a China era um país cheio de procedimentos, mas observou que qualquer cidade que sedia as Olimpíadas também "precisa de um nível de flexibilidade e improviso". Deborah Weinberg

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